JORNAL DA AABNB


FEVEREIRO/2008

Revisão pode elevar o benefício do INSS em até 125,31%

Em abril de 1994, uma lei determinou a revisão das aposentadorias concedidas pelo INSS entre os dias 5 de abril de 1991 e 31 de dezembro de 1993. Por causa de um erro no cálculo desses benefícios, muitos segurados receberam menos da metade do que tinham direito. Porém, vários aposentados deixaram de receber até 125,31% a mais.
        
Para corrigir o erro, o governo editou a lei 8.870/94, mandando que as aposentadorias concedidas naquele período, cujo valor tenha ficado abaixo da média dos 36 últimos salários de contribuição, fossem revistas, respeitando o limite do teto previdenciário da época. A revisão que deveria ser aplicada é correspondente à diferença entre as contribuições e o salário de benefício da concessão. "O problema é que o INSS não fez a correção de todas as aposentadorias. E, entre aquelas em que foi feita a revisão, muitos deixaram de receber o valor integral", afirma o consultor e advogado previdenciário Marco Anflor. "Como é uma revisão que está prevista em lei, não há como o INSS alegar a prescrição", afirma o consultor.
        
Para a advogada Vanessa Berman, não há motivos para o Judiciário negar o pedido. "É impossível não darem a revisão, porque é o que diz a letra expressa da lei", afirma. Segundo cálculos de Anflor, para ter direito, o segurado deve ter contribuído, nos últimos 36 meses antes de se aposentar, com base em, pelo menos, oito salários mínimos. Quem contribuía com menos que isso não teve problemas. Como o cálculo usado na época para definir o benefício levava em conta apenas as últimas 36 contribuições, os valores pagos antes disso ao INSS não entraram na conta. (Fonte:Agora/Assprevisite)



Presidente Lula recebe comitiva da Cobap

No dia nacional do Aposentado, uma Comitiva da Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas (Cobap), foi recebida pelo Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto.   
         
A equipe entregou ao presidente Lula, uma carta de reivindicações do movimento dos aposentados e pensionistas. Em audiência fechada, a Cobap pediu ao presidente que no decorrer deste ano haja uma parceria entre o Governo e os movimentos da categoria. A comitiva também tratou da questão do reajuste dos benefícios e das pensões, das perdas salariais, da falta de medicamentos contínuos, da saúde pública, e outros assuntos relatados na carta que foi entregue.
        
O presidente Lula escutou as reivindicações e afirmou que nos próximos três anos de governo estará aberto para dialogar com o movimento de aposentados e pensionistas, e que a Previdência Social está sendo preparada para amparar os cidadãos de forma respeitosa e digna.
        
Estiveram presentes na audiência o Ministro da Previdência Social, Luiz Marinho; o Secretário Geral, Carlos Eduardo Gabas; o Secretário de Políticas para a Previdência Social, Helmut Schwarzer;  representantes do INSS, aposentados, pensionistas e idosos da Cut Nacional. (Fonte: Cobap/Assprevisite)


Ricardo Pena é o novo Secretário da SPC 

Com a saída a pedido de Leonardo Paixão, Ricardo Pena Pinheiro é o novo Secretário de Previdência Complementar, por ato publicado na edição de 06/02/08, do Diário Oficial da União. Pena, que era o Secretário Adjunto, sempre se mostrou alinhado com a política de elevado padrão técnico seguida por seus antecessores desde 2003, caracterizando assim mais uma sucessão orientada pelos melhores princípios da gestão pública.
        
Reconhecido por sua sólida formação acadêmica, em particular seus conhecimentos sobre economia e estatística, Pena é doutor pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). É autor do livro “A Demografia dos Fundos de Pensão”.  (Fonte:Diário dos Fundos de Pensão/Assprevisite)


Fundações obtêm retorno de 191% da meta atuarial 

Os fundos de pensão registraram, até novembro, ganhos acumulados de 18,81% no ano, atingindo R$ 412,7 bilhões. Este percentual significou um retorno de 191% sobre a meta atuarial medida com base no INPC mais 6% ao ano. Os dados são da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp). Em novembro, no entanto, devido às turbulências nos mercados globais, a rentabilidade estimada foi negativa em 0,25%, com queda de 2% na carteira de renda variável. Na renda fixa a variação foi positiva em 0,65% no mês. Os ativos totais somaram R$ 434,3 bilhões, equivalente a 17,3% do PIB.  (Valor Online/Assprevisite)

Previdência Social completa 85 anos 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, na comemoração dos 85 anos de criação da Previdência Social, no mês passado, que a questão do déficit da Previdência, no curto prazo, seria resolvida a partir do crescimento da economia. Lula destacou que, a partir dos anos 1980, a economia passou 20 anos crescendo pouco, o que influenciou a queda do mercado de trabalho e reduziu a arrecadação do INSS. Lula destacou que, só no ano passado foram 1,6 milhão de empregos a mais com carteira assinada.
         
“Na medida em que você começa a gerar mais empregos você vai diminuir o déficit e aumentar a receita da Previdência. Na hora em que convencermos a economia informal de que é importante contribuir com a Previdência Social, porque eles vão ficar velhos e também vão precisar da Seguridade Social, a gente vai perceber que em poucos anos vamos resolver o problema do déficit da Previdência, sem que isso nos tire a oportunidade de apresentar ao país um sistema previdenciário que possa resolver o problema das futuras gerações, algo mais moderno, mais pensado”, disse o presidente.
         
O presidente afirmou não ter dúvidas de que as próximas gerações precisarão de um novo sistema previdenciário, pois daqui a 30 ou 40 anos, as condições de trabalho não serão as mesmas de hoje. Lula frisou que o Fórum Nacional de Previdência Social, criado em 2007, tinha o propósito de discutir um modelo previdenciário para o futuro sem mexer nos direitos adquiridos da atual geração de trabalhadores. “Esse é um desafio que não vai ser feito na marra, por decreto. Não vai ser feito por emenda constitucional apenas. Isso vai ser feito na medida em que a gente construir o consenso com os interessados na questão da Previdência Social”, ressaltou Lula. (Fonte Assprevisite)

Reproduzimos a seguir, na íntegra, a notícia referente à condenação de Byron Queiroz, divulgada no site do PT no último mês de janeiro. O nosso site já havia divulgado tais informações, veiculadas na imprensa em novembro do ano passado.  

Apadrinhado de Tasso Jereissati

condenado por rombo de 7,5 bilhões no BNB

O ex-presidente do Banco do Nordeste (BNB), Byron Queiroz, aliado do ex-presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), foi condenado a 13 anos de reclusão, além de multa, por ter fraudado a contabilidade do banco, rolado dívidas não pagas e liberado novos empréstimos para estas empresas. Entre os principais beneficiários do esquema montado por Byron, que deixou um rombo de quase R$ 7,5 bilhões  (em valores não atualizados) no BNB, estão empresas do grupo Jereissati e da família do líder do DEM (ex-PFL) no Senado, José Agripino Maia (DEM-RN). A sentença foi proferida pelo juiz da 12ª Vara Federal, José Donato de Araújo Neto. Além de Byron, que presidiu o banco entre 1995 e 2003, outros cinco diretores do BNB também foram condenados pelos crimes de gestão fraudulenta de instituição e falsificação de vários balanços do banco. Foram isentos apenas da pena por formação de quadrilha.

           As ilegalidades de Byron vierem à tona através de uma auditoria do Tribunal de Contas da União e foram investigadas, superficialmente, pela CPI criada na Câmara dos Deputados para apurar desvios nos recursos do Finor (Fundo de Investimentos do Nordeste), operados pelo BNB.Byron montou uma engenharia no banco para perdoar dívidas, refinanciar e conceder novos empréstimos para empresários amigos que não pagavam o banco há anos. A maioria das negociações era implementada com a posição contrária do Comitê de Avaliação de Crédito da Direção -COMAC. Após realizar as operações, os empréstimos e refinanciamentos  eram apontados no balanço como créditos a receber e não créditos duvidosos. Esse é o caso da empresa Mossoró Agroindustrial S.A (MAISA),de propriedade do senador José Agripino Maia (DEM). Agripino recebeu recursos do BNB e não pagou. A dívida total do senador ainda é um mistério, pois nunca houve uma investigação séria sobre o assunto. Alguns números citados na imprensa apontam para a cifra de R$ 50
milhões em valores atualizados. Até 1999, a MAISA devia R$  4.266.853,27. Agripino reconhece um débito de apenas R$ 2 milhões e o contesta na Justiça. No entanto, a questão mais grave foi levantada por uma auditoria do TCU, que afirma que vários órgãos do banco foram contrários às operações de refinanciamento e novos empréstimo para a empresa de Agripino em virtude do "elevado nível de endividamento do grupo junto ao BNB e o fato de que, em passado recente, os interesses do BNB estiveram abalados por descumprimento por parte do grupo EIT (integrante do grupo MAISA) em não honrar compromissos contratuais pactuados, fato, inclusive, que resultou no impedimento do cliente".

           Não é só este líder da oposição que está enrolado com Byron. O TCU contesta também uma operação de empréstimo efetuada para empresa Refrescos Cearenses S.A, de propriedade de Tasso Jereissati, que estaria acima dos limites possíveis do banco. Tasso também está ligado,mesmo que indiretamente, a outras intervenções. Um delas, levantada pelo TCU e denunciada pela revista "IstoÉ", envolve a Fiotex Industrial S/A indústria de fios de algodão de Fortaleza, que Byron chegou a ser consultor. A Fiotex devia R$ 5,1 milhões e mesmo sem pagar um centavo foi agraciada com uma bolada de US$ 3 milhões. Pouco tempo depois, sem consultar a direção do banco, a Fiotex recebeu mais R$ 2,5 milhões para capital de giro. Até 2002, tal empresa devia R$ 45 milhões ao banco. A Fiotex pertence a Francisco de Assis Machado Neto, suplente do senador Jereissati.

          Byron gostava mesmo de Tasso. Era fiel e agradecido pelos cargos que conseguiu no governo do Ceará e no próprio BNB. Pode ser mera coincidência, mas isso pode ter incentivado o ex-presidente do banco a perdoar uma dívida de uma empresa do grupo Edson Queiroz, a Monteiro Refrigerantes S/A, cuja maior acionista é a sogra do senador tucano. Segundo a "IstoÉ", a dívida da empresa com o BNB era de R$ 19,9 milhões. "Desse total, mais de R$ 17 milhões era dinheiro público do FNE. Em setembro de 1997, sob uma forte pressão de Byron, a dívida foi dada como quitada depois de uma estranha negociação entre devedor e instituição financeira. A empresa pagou, apenas, R$ 3,9 milhões. O perdão da maior parte da dívida não teve pareceres técnicos nem foi submetido aos advogados do banco", afirma a revista. "A amizade de Byron com o Grupo Edson Queiroz também levou o presidente do BNB a perdoar uma dívida de R$ 3 milhões da empresa Luna Aqüicultura Ltda., que pertence ao ex-deputado". (Fonte: site do PT)


Privatizações: Cesp recebe sinal verde da Aneel                 

O “estilo” tucano de administrar mantém a sua sanha pelas privatizações. No governo de José Serra, o processo de privatização da Cia. Energética de São Paulo (Cesp) teve mais um empurrão. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) recomendou, por unanimidade, que a usina hidrelétrica de Porto Primavera tenha sua concessão renovada por mais 20 anos. A decisão agora cabe ao Ministério de Minas e Energia.
           
A hidrelétrica de Porto Primavera é uma usina chave na Cesp. Composta por seis geradoras, capazes de produzir 7,45 mil megawatts (MW), a Cesp tem em Porto Primavera 21% dessa potência, cuja concessão vencerá neste ano. Em outras palavras, vender a Cesp sem essa hidrelétrica não seria viável.  

A lista de companhias interessadas em comprar a Cesp é longa - inclui Energias do Brasil, controlada pela portuguesa EDP , a Tractebel , do grupo franco-belga Suez , e várias outras companhias. Além destas, especula-se que dois dos maiores fundos mundiais de private equity também tenham interesse no leilão. São eles: Black Stone e o KKR. A Cesp é a maior empresa de geração de energia do Estado de São Paulo e a segunda maior do País, respondendo por 58% de toda a energia produzida em São Paulo e por quase 12% de toda a produção brasileira.
          
A Cesp é a última estatal do setor energético do Estado de São Paulo, que privatizou o setor em outros segmentos, como o gás, por exemplo. Em 1997, o controle da CPFL foi vendido, a Elektro foi privatizada em 1998 e a Comgás em 1999. Também em 1999 foram vendidas as empresas Companhia de Geração de Energia Elétrica Tietê e a Paranapanema . (Fonte: DCI/Assprevisite)


Impactos da crise já chegam a Fundos de Previdência e Pensão

Os fundos de investimento voltados para a aposentadoria, sejam de pensão ou de previdência privada, serão impactados pelas turbulências do mercado financeiro. Depois de ter um ano de ganhos, que acompanharam a alta do mercado de ações, a previsão para 2008 é que os ganhos se reduzam - ou até mesmo se transformem em perdas. Esses fundos deverão migrar para renda fixa, temendo as oscilações da Bolsa, mas as aplicações baseadas nos juros não devem ter rendimento tão atrativo, já que as taxas devem ficar estáveis ou subir modestamente.
        
Esse quadro vai representar uma reversão em relação ao que aconteceu no ano passado. Os fundos tiveram, em 2007, um ano bastante positivo, puxados principalmente pela parcela aplicada em renda variável. Isso porque cada fundo tem um perfil que varia do conservador ao arrojado dependendo da participação da renda fixa ou variável. Entretanto, a parcela aplicada em ações não pode ultrapassar 49% da composição, já que o objetivo desse investimento é poupar recursos para projetos a longo prazo.
        
Com a instabilidade nas bolsas mundiais, porém, a perspectiva é que a participação em ações ceda espaço para ativos da renda fixa. "Acredito que os gestores já devem ter feito essa migração em meados de dezembro, com a sinalização da crise" avalia o consultor financeiro Silvio Paixão, sócio do portal Dr. Previdência. Outra alternativa é a diversificação da carteira com ações de caráter defensivo e menos voláteis ao sobe-e-desce das bolsas. (Fonte:Assprevisite)


INSS estuda aumentar remédios com desconto para aposentados 

O Ministério da Previdência estuda uma forma de ampliar a lista de remédios com desconto para os aposentados segurados do INSS. De acordo com o ministro da Previdência, Luiz Marinho, a medida faz parte de um plano de valorização do idoso. Hoje, por meio do programa Farmácia Popular é possível encontrar medicamentos para hipertensão e diabetes com até 90% de desconto. A idéia é ampliar o benefício para remédios indicados para outras doenças comuns da terceira idade, o que é, segundo o ministério, uma reivindicação das confederações de aposentados.
        
As confederações também pedem o aumento do número de unidades da Farmácia Popular, e o governo pretende instalar mais 600 até 2010. (Fonte:Assprevisite)


         Lula prevê fim do déficit da

       Previdência "em poucos anos"

Nas comemorações dos 85 anos da Previdência Social no país, o presidente Lula disse que o problema do déficit no setor vai ser resolvido com o crescimento econômico. Segundo ele, em poucos anos a questão será solucionada. Mas não deu prazos específicos nem detalhou suas expectativas.
        
"Em poucos anos, vamos resolver o problema do déficit da Previdência, na medida em que a economia começar a crescer, vai diminuir o déficit e aumentar a receita", afirmou o presidente, durante a solenidade realizada no Palácio do Planalto, da qual participaram ministros e representantes dos aposentados e pensionistas.
Em tom de comemoração, Lula disse ainda ter ficado satisfeito ao saber que o índice de desemprego revelado pelo IBGE foi de 7,2%. "Um número desses tem um significado importante. Certamente não tem país no mundo com desemprego zero, mas a gente não podia continuar com o desemprego "em um índice com dois dígitos", afirmou o presidente. (Fonte:Assprevisite)             

Nossa Gente!        

Natural de Recife, Fernando da Costa Lima integrou a 1ª turma de concursados do BNB, iniciando sua carreira no Banco em setembro de 1954, como Auxiliar (classe “A”), na então única Agência do BNB na capital pernambucana. Cinco anos depois, foi transferido para a Agência de Garanhuns, já como Escriturário. Permaneceu naquela unidade durante dois anos, exercendo a função de Correspondente Especial BNB/ANCAR (atual Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural - EMATER) na área de crédito rural supervisionado. Ao retornar para Recife, foi lotado na área de Crédito Industrial, onde exerceu os cargos de Ajudante de Crédito, Chefe de Seção e Analista de Projetos.

Posteriormente, ainda em Recife, foi nomeado Chefe de Setor do DERGE (Crédito Comercial) e, mais tarde, retornou ao Setor de Crédito Industrial, onde permaneceu até a obtenção da aposentadoria, em novembro de 1984. Paralelamente à carreira no BNB, estudou Ciências Contábeis e Ciências Econômicas, na Universidade Federal de Pernambuco. Também desenvolveu estudos sobre Economia, na Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), no Rio de Janeiro; e Contabilidade, na Universidade de São Paulo. Foi Diretor do BNB Clube de Recife em duas gestões. Associado da AABNB desde janeiro de 1985, e atual Representante da Associação em Recife, Fernando da Costa Lima é Nossa Gente!

 

 

Atual Representante da AABNB em João Pessoa, Renato Bezerra é natural do município de Taperoá, na região do Cariri Paraibano. A sua relação com o BNB teve início em março de 1959, ao ser aprovado no concurso que selecionava Escriturários para a Agência Centro Recife. Depois de nove meses na capital pernambucana, foi transferido para a Agência de Campina Grande, na Paraíba, onde permaneceu por 15 anos, desempenhando as funções de Chefe de Seção e Chefe de Setor-Substituto.   

Após este período, uma nova transferência marcou a sua carreira no BNB, em dezembro de 1975, ao sair de Campina Grande para assumir o cargo de Chefe da Seção de Crédito Geral, em Fortaleza, na Agência Centro. Menos de três anos depois, no entanto, voltou à Paraíba, como Chefe de Cadastro da Agência João Pessoa, onde também exerceu a função de Chefe do Setor de Serviços Bancários, até 1986. Em seguida, assumiu o Plano de Captação de Recursos (PLACAR), onde permaneceu durante três anos, exercendo a função de Gerente Adjunto Administrativo, até a obtenção da sua aposentadoria.  

Ao se aposentar, trabalhou no Banco do Estado da Paraíba, de julho de 1988 a março de 1994, e foi designado Liquidante da Paraibanco Crédito Imobiliário, onde permaneceu até março de 2001. Presidiu o BNB-Clube de João Pessoa em sete mandatos, de 1979 a 1991. Associado da AABNB desde dezembro de 1997, Renato Bezerra é Nossa Gente!

 

             Arnóbio Cândido de Almeida, natural do Icó, município localizado na região do Rio Salgado, no Ceará, foi Correspondente do Jornal O Povo, de Fortaleza, durante 10 anos, de 1955 a 1965, em sua cidade. Aprovado no concurso para Escriturário, ingressou no BNB em junho de 1965, na Agência Centro Recife, onde permaneceu por mais de quatro anos. Voltou ao Ceará em janeiro de 1970, como Ajudante de Seção, na Agência de Juazeiro do Norte, onde trabalhou por sete anos. Logo em seguida foi transferido para a Agência de Campina Grande, onde exerceu o cargo de Escriturário durante um ano e meio.

Retornou ao Ceará em 1979, para trabalhar na Agência Centro Fortaleza. Permaneceu nessa unidade até à obtenção da sua aposentadoria, em 1987, exercendo as funções de Chefe de Seção e de Analista de Balanço, este último na condição de Especialista em Operações. No plano escolar e acadêmico, fez o curso de Contabilidade, na Escola Técnica de Comércio, no Crato, cidade onde também cursou a Faculdade de Ciências Econômicas. O curso de Direito, iniciado na Universidade Regional do Nordeste, em Campina Grande, foi concluído na Universidade Federal do Ceará, em 1981. Casado há mais de 40 anos, com dona Maria da Glória, tem dois filhos e cinco netos. Associado da AABNB desde junho de 1987, e exercendo o cargo de Diretor Suplente na atual gestão, Arnóbio Cândido de Almeida é Nossa Gente!


ENCARTE CULTURAL

O QUE FAZER? 

É difícil tomar-se uma decisão.

Mil obstáculos, cada um com sua dimensão. Cada um diferente um do outro. Todos, no entanto, intrinsecamente, vulneráveis e impetuosos.

Duas faces. Uma saliente, com vantagem. Outra aparentemente inferior, mais susceptível e dissimulada.

Estamos diante de uma série de atitudes contraditórias. O bom e o mau, o todo e a parte, a liberdade e a caverna.

Aliás, a própria vida se desenrola, em todos os seus meandros, com essas insinuações.

Paremos para pensar, refletir e não teremos outra alternativa, senão convencer-nos de que agir seriamente é aceitar o oposto.

Aliás, procurar a perfeição é admitir a falta de primor, de excelência.

Estamos, assim, configurados nesse imbróglio, nesse sincretismo ou concepções heterogêneas.

O que fazer?

Agora, sim, já podemos vislumbrar ou tentar tomar uma decisão.

Todavia, nos deparamos ou ficamos surpreendidos com outras oportunidades, um pouco mais claras, mas ainda vulneráveis e impetuosas.

Em todos os setores de atividade, inclusive nos mais intricados ou obscuros, passaremos por fases distintas, mas absolutamente compreensíveis ou perceptíveis, desde que estejamos em sintonia contínua, no momento certo e circunstâncias propícias.

Mas, finalmente, o que fazer?

Tudo é muito difícil e, por outro lado, nada é impossível.

Assim, é a vida. Estamos sempre procurando entendê-la, decifrá-la, mas sempre terminaremos sem resposta.

Afinal de contas, vamos desistir de tudo? Nada mais se nos apresenta insolúvel?

Estamos, neste instante, no campo metafísico “que é um corpo de conhecimentos racionais (e não de conhecimentos revelados ou empíricos)”. Aqui, tudo é sutileza ou transcendência.

O que fazer finalmente?

“Conhecereis  a verdade, e a verdade vos libertará”. João – 8 / 32.

“Porque Deus há de trazer o juízo toda obra e até tudo o que está encoberto, quer seja bom, quer seja mau”. Eclesiastes – 12 / 14.

O resto, é correr atrás do vento, sempre batendo na mesma tecla, insistindo no campo sincrético, onde a confusão se verifica de maneira insustentável, até atingirmos à fase sintética ou percepção clara e imediata de um objetivo pretendido. 

             Syllas Brasil Cordeiro


DOR DIVIDIDA 

Pensei que estava só, na minha dor...

mas ela se distribuiu com gente amiga,

porque, no meu entorno, egoísmo não se abriga;

agora sei: todos têm para dar muito amor.

 

Embora tanta angústia, tanto pavor,

envolta em sofrimentos, é preciso que o diga:

sentidas orações superaram a fadiga

e o carinho de tantos minimizou a dor.

 

O coitado, porém, que o crime perpetrou...

em sua direção, nenhum afeto.

Faltam-lhe os princípios, as lições

 

que forjam o bom procedimento.

E, onde esteja, longe ou perto,

ao invés de carinho, tem reprovações. 

Maria Helena Rebouças                     


AMIGO VELHO SOLITÁRIO 

                                                                   Adeilton Arcanjo 

Cala a boca por não poder mais falar,

Sentimentos ainda existem,

Necessita mais de amor

Vive sobre o leito sem ter o mesmo direito ...

 

A idade avançou, velho já ficou,

Continua crítica, vive penosamente,

Mas lembra o sofredor,

Não reclama por amigos.

 

Nunca mais os procurou,

Não conhece mais seus parentes,

Mas vive no meio de tanta gente ...            


C  h  e  g  a  d  a  .  .  .

 

Meu caminho desembarca o tempo

Meu recordar atrasa o calendário

Meus relógios estão adormec-idos

Prá dominar minha veloc-idade 

 

Meu remédio escra-visa a saúde

Meu di-vagar acidenta o tráfego

Meus aviões estão envelhec-idos

Prá algemar a minha vaidade

 

Meu coração prece-pita na curva

Meu alegrar interdita o baile

Meus atletas estão desvanec-idos

Prá derrotar a minha primazia 

 

Meu feriado desconstrói a -quina

Meu silenciar inquieta a cidade

Meus decibéis estão ensurdec-idos

Prá libertar a minha multidão

 

Meu habitat permanece no-turno

Meu observar embaça o uni-verso

Meus candelabros estão enfraquec-idos

Prá iluminar minha visão de DEUS

 

Abimael A. Prado

A pedido de Syllas Brasil Cordeiro


RETRATO DE UM SORRISO

 

Laurindo Ferreira

"Atribua-se a cada um o que é seu". Com essa máxima, antigamente, magistrados romanos costumavam prolatar suas sentenças em causas judiciais sob julgamento. Com isso, buscavam demonstrar isenção e imparcialidade. Ao mesmo tempo, manifestavam a intenção de atribuir a cada uma das partes nada além do que lhe era devido na questão.

Pois bem! Essa será a trilha de nossa conduta ao emitir opinião a respeito do sorriso de uma colega em sua função de atendimento ao público. Não vamos ser exagerados, asseguramos. Tampouco suspeitos, como possa parecer. Aliás, seremos até modestos nas cores das tintas ao pintar o sorriso de nossa personagem nesta crônica.

Não me parece demais afirmar que o sorriso dela contagia e embriaga as pessoas em seu derredor, seja interlocutor ou apenas circunstante. A cada dia, tenho certeza e ela se convence de que seu sorriso facilita a comunicação, abre portas, nada custa, rende dividendos e até enriquece a quem o recebe, sem, contudo, empobrecê-Ia.

Mesmo sem haver defendido tese, nossa personagem sabe que seu sorriso dura um curto lapso de tempo, seu efeito, porém, perdura e vai longe. Pelos frutos já colhidos, acredito que, vezenquando, ela se pergunta: "haverá alguém tão rico que não precise de um sorriso? Ou alguém será tão pobre que não o possa dar?" Oportunas interrogações íntimas!

Em cada encontro nosso, concluo que se ela tivesse de cobrar pelo seu sorriso nenhuma moeda sonante teria suficiente valor para pagá-lo. Ademais, nossa personagem não chega a verbalizar, mas deixa transparecer a verdade de que "todos nós precisamos do sorriso, seja dado ou recebido... E, no mundo, quem mais precisa de um sorriso é aquele que já não mais sabe sorrir".

Entenda bem, caro leitor! Sem qualquer outra pretensão, senão de ordem literária, tentamos, aqui, colocar cores num "três por quatro" da meiguice dessa colega em seus contatos com o público. E, a nós outros, seus admiradores, para melhor legitimar a ternura de seu sorriso, só mesmo com o espocar da rolha de um fino espumante, seguido de um brinde em grande estilo.

Brindemos, então, o sorriso de nossa personagem, ao qual se soma, entre outros atributos, o castanho de suas íris e pupilas sempre a nos oferecer um olhar enternecido e sensual, talqualmente o faz uma gatinha manhosa na hora de se lançar a caminho do aconchego do bichano que lhe povoa o coração. 

Fortaleza, 09.nov.07

 

O colega Laurindo Ferreira, aposentado do Banco do Nordeste e membro de nosso encontro literário das quintas-feiras, acaba de estrear como escritor ao lançar o livro Um vaqueiro cronista – Contos e Crônicas. A obra mereceu apreciação do jornalista alagoano, e também escritor, José Rodrigues de Gouveia, nos termos a seguir alinhados. 

“UM LIVRO É UM LIVRO... 

            Algumas páginas impressas, reunidas entre duas capas. Eis o livro. Formato igual a milhares de publicações outras com essas características básicas. E fica somente nisso a identidade entre um livro e outro livro.

            No conteúdo, porém, como um livro é diferente do outro! 

            O poeta insigne já nos ensinara que “o livro caindo nalma é germe que faz a palma, é chuva que faz o mar...” Em “UM VAQUEIRO CRONISTA”, Laurindo Ferreira nos apresenta um cotidiano que já conhecemos, ligado à filosofia familiar do Nordeste e à beleza bucólica dos sítios e canaviais, pastos, roças e criatórios que ali se desenvolvem... 

            Ocorre que, até mesmo na descrição, as figuras apresentadas são diversas entre os vários escritores. Laurindo Ferreira foi capaz de colocar a beleza do seu ambiente nas páginas de um livro. 

            O touro forte e bem dotado, de chifres aguçados, inconformado com a vida nos pastos do Oiteiro Redondo, se desgarra e dá grande trabalho aos vaqueiros de elite da fazenda. Recuperado, é condenado a um trabalhão “dos seiscentos”, e a virar churrasco. Mesmo assim, é tratado com todo respeito. 

            O sertanejo, que é, antes de tudo, um forte, respeita sempre os corajosos, ensinamentos que Laurindo Ferreira recolheu em seu itinerário vital pelas margens do Velho Chico. E tratou de difundir diferentes belezas através das suas crônicas de jornal, agora imortalizadas no livro que é um convite ao nosso bom gosto. 

Ler essas crônicas é pisar as terras sagradas das margens do rio da “unidade nacional” (vá lá o lugar comum), tomar o leite do Oiteiro Redondo e, aqui para nós, conhecer garotas lindas, tentadoras e irresistíveis como Kate, Kelly e tantas outras. 

            Como é fácil perceber, Lampião deixou uma onda de revolta que superou o seu desaparecimento do cenário material, causado pela tragédia de Angicos. Conforme a sabedoria popular, entretanto, “morre o homem e fica a fama”. Muita gente séria encontrou a figura de Lampião na caatinga. Houve até um sertanejo que teve a coragem (ou loucura) de residir, com a família, vizinho à casa de um dos irmãos do tão impiedoso facínora. 

            Lendo e analisando a obra de Laurindo Ferreira, ocorre-me aquela verdade, segundo a qual “um livro é um livro”. Em essência, no entanto, “UM VAQUEIRO CRONISTA” traz mensagens novas que me levam à realidade dos caminhos que qualquer homem terá percorrido. A minha sensibilidade encontrou ressonância no seu dia-a-dia e me fez identificar os arroubos do autor, admiráveis e marcados pelo espírito nordestino”. 

            Rodrigues de Gouveia 


UMAS LEMBRANÇAS 

Nem sei qual o motivo

Bateu-me hoje uma recordação.

De um tempo passado. Tempos idos!

Tempo que não voltará jamais.

O mês era junho, mês do S. João

O ano, era o ano de setenta e quatro

Cheguei pela primeira vez à cidade de Salgueiro

Junto comigo mais duas florestanas

Para trabalhar no BNB. Que beleza!

Estávamos meio assustadas, mas felizes...

E fomos por todos bem recebidas.

Foram dias de maravilhosa convivência

Nossos colegas bastante solidários

A começar pelo gerente, S. Rosálio

Passados tantos anos ainda lembro,

De todos, um a um vem a minha mente

Às vezes dá até uma saudade, de repente...

Lembro do Zé Agostinho, gente fina!

Sempre alegre, prestativo

O Otávio Siqueira, um pouco carrancudo!

Mas, era só o seu jeito

Na verdade era muito bom sujeito

E o Aderbal, sempre chegando atrasado

Todos já estavam até acostumados...

Maria da Graça, muito vaidosa,

Essa não queria muita prosa.

Cleide com sua paciência para ensinar

As novas tarefas que nós íamos desempenhar

Ah! e o João Brito, meio esquentado

Me deixava um pouco aperreada

Sem esquecer o Leovigildo, vulgo Canecão

Muito inteligente, p´ra ele tudo era fácil

Não tinha erro não...

Também tinha o Damião Gondim,

Esse quis fazer gracinhas p´ra mim

Lembro-me também do Leonardo

Que eu um baixinho invocado

E o José carvalho com sua simplicidade

Sempre pronto p´ra conquistar uma amizade.

Agora, subindo ao primeiro andar

Vamos ver quem vamos encontrar.

Temos o Zé Lucena, uma pessoa muito legal

Foi meu chefe, por isso tenho por ele

Um carinho especial.

A Socorro Barros, grande amiga, confidente!

Com ela trabalhei diretamente

O Viturino, sempre alegre, sorridente.

O Santana que era o chefe do setor

Mas não intimidava, não era nenhum terror

E o Geraldo, ele era o fiscal, vivia viajando,

Quando estava na Agência, ninguém o via conversando.

Tinha também o José Tôrres, o Zé Bolinha,

Era o chefe do cadastro que bem organizado ele mantinha.

Ih! Esqueci de falar do Walmir, com sua voz potente

Era metido a locutor, e dos bons, certamente...

Não falei do Ariosvaldo e do Gaudemiro

Que infelizmente já não estão mais aqui

Também não falei do Claudionor

Pois dele não tenho notícias,

Não sei se ainda trabalha ou já se aposentou.

E com todas essas pessoas que falei

Estávamos, eu, Fátima Martins e Zélia Correia

As florestanas na agência de Salgueiro.

Hoje é só essa saudade, esse devaneio

Desse tempo que foi muito bom. Só agora eu sei... 

 

Maria Auxiliadora N.S.X. Moraes  


Se... 

                                                                             Rudyard Kipling

Se és capaz de confessar o juízo e o sangue frio, quando todos, ao redor de ti, perdem a cabeça e te acusam de perder a tua;

Se podes conservar a tua confiança em ti mesmo, quando todos duvidam de ti,

e, ao mesmo tempo, tomar em consideração essa desconfiança;

Se tens a força de esperar longamente sem cansar-te

Se, sendo atacado com mentiras, não te defendes com mentiras;

Se, sendo odiado, não odeias os teus inimigos;

Se, assim procedendo, não fazes praça de muita virtude e de muita sabedoria...;

Se tu podes sonhar e não permites que o sonho te domine;

Se tu podes pensar e não te contentas

com fazer do pensamento o fim de tua vida;

Se, encontrando o Triunfo e a Desgraça, és capaz de encarar

com o mesmo ânimo esses dois impostores,

Se tens alma para ouvir a verdade que proferistes falseada por malandros,

que com ela procuram entender os tolos;

Se tens coragem para ver despedaçarem as coisas que mais amas, e,

ainda, para juntar os destroços e reconstruir, com instrumentos imperfeitos, o que delas restar...;

Se és capaz de amontoar os teus bens todos, jogá-los num lance de “cara ou coroa”, perdê-los e, depois, recomeçar a tua vida, sem dizer palavra sobre

a tua perda;

Se és capaz de obrigar teu coração, teus nervos, teus músculos a obedecerem-te ainda quando estiverem completamente exaustos e, de perseverar na tarefa iniciada, quando nada mais em ti existir senão a tua vontade,

que manda prosseguir...;

Se tu podes estar entre as multidões, sem perder a tua personalidade, e caminhar a par com Reis, sem perder a noção da humanidade comum;

Se nenhum inimigo, nenhum carinhoso amigo te pode causar dano;

Se todos os homens confiam e esperam em ti, embora não confiem cegamente;

Se és capaz de encher cada inexorável minuto com sessenta segundos de trabalho acabado; então a Terra será tua, com tudo o que ela encerra e, o que é mais importante: serás um Homem, tu, meu filho!

 

                                                                      A Pedido de Edson Gurgel Coelho


O VELÓRIO DO CORONEL 

                                                                              Conto de José Alberto de Souza 

            Para não muitos poucos, o coronel Vivaldo iria passar dos cem anos. Não é que de repente a notícia se espalhou e a cidadezinha tornou-se pequena para a quantidade de gente chegante, naquela quinta-feira. Morrera na noite anterior o coronel Vivaldo Marcolino Prates, político tradicional, vindo do império. Estávamos no final dos anos sessenta e ele, ainda lúcido, não abandonara o comando político daquela região, apesar dos seus bem vividos noventa e um anos, recém-completados. Homem pouco letrado, porém astuto, ambicioso e habilidoso no trato com os poderosos do momento e os seguidores. Tinha uma filosofia de vida que repetia amiúde: “Amigo meu não tem defeito; inimigo, se não tem eu boto”.

            Durante a noite do dia da morte, rezadeiras tradicionais e familiares do falecido rezaram terços e mais terços, além das cantorias religiosas: benditos, hinos e orações populares, como nunca se vira naquelas paragens.

            Para o enterro às dezessete horas, chegaram o governador, dois senadores, vários deputados federais e estaduais, cinco prefeitos de municípios vizinhos, inúmeros vereadores, além do prefeito da capital do estado, pretenso candidato à governança nas próximas eleições. Dos quinze filhos, três haviam morrido, mas era provável que, na hora aprazada para o corpo do velho coronel descer à tumba, mais ou menos oitenta parentes, entre filhos, filhas, genros, noras, netos, bisnetos e mais duzentos afilhados de batismo, ali estivessem prestando sua última homenagem ao velho patriarca. Choros verdadeiros e de fingimento se misturavam durante as diversas etapas do velório.

            Na missa de corpo presente, a igrejinha da localidade ficou abarrotada de gente e até poucos adversários do coronel se espremiam entre os assistentes, admirados com o grande prestígio do morto. Após a concorrida solenidade, no cortejo e depois do enterro, formavam-se e desfaziam-se grupos a comentar a longa vida e as proezas do falecido.

            Um homem jactava-se de ter sido amigo íntimo do coronel e dizia: – Ora, certa vez – me contou o falecido – um candidato chegou e propôs que o coronel lhe vendesse dez mil votos. Então o coronel lhe perguntara se ele tinha idéia de quanto isso iria custar-lhe. O candidato então retrucou que dinheiro não era problema. Feito o acerto, o político chegou, dias depois, com duas pastas de dinheiro com cédulas partidas e lhe entregou uma, exatamente aquela em que as cédulas estavam cortadas em menos da metade. O coronel examinou, mexeu e pediu a outra, pois a tinha achado mais bonita. Mas não era, vangloriava-se o coronel: é que a pasta escolhida continha as células cortadas em mais da metade e que valiam por si sós, sem necessidade da outra parte a ser entregue após as eleições serem apuradas.

            Outro cidadão, opositor do ex-chefão político, chamava-o de Coronel Vivaldino, pois dizia publicamente que tudo o que ele conseguia era em benefício próprio, jamais para o povo. Quase gerava um quiprocó a tal afirmação, mas os ânimos foram serenados e o grupo se desfez na multidão, após a chegada inesperada do padre Peixoto, um apaziguador de todas as horas, querido e ouvido por todos, sem distinção de cor partidária, evitando, assim, uma catástrofe no memorável dia do enterro do coronel.

            As histórias sobre o passado do falecido se propagavam nas inúmeras rodas espontâneas que se iam formando a todo instante. Numa dessas, um senhor bem velho, parecendo ser da geração do pranteado  morto, contava que quando ele era ainda jovem fora nomeado delegado de polícia do município, ocasião em que acontecera um fato bastante curioso. Num dia de feira, quando fervilhava de gente no então lugarejo, um rapaz pisou casualmente no pé do coronel. Ele, então se virara para o pisante e dissera:

– Sabe , cabra, que você está pisando no pé da lei? – e quase prendera o pobre rapaz, não fosse a sua esperteza em fugir do local como um foguete...

Essa pessoa lembrou-se de outro acontecimento bem antigo: a expulsão de um morador do coronel. E foi falando:

  Vocês se lembram do Zequinha da Tonha?!

Os circunstantes se entreolharam e um deles virou-se para o grupo e disse:

  Aquele que foi expulso da Fazenda Cajazeiras?

  Isso mesmo - confirmou o velhinho. E continuou:

  O coronel soube que o traquinas havia cortado alguns cachos de banana e vendido

na feira. Esperou, esperou assim uma semana, duas, três e nada de explicação por parte do morador. Chamou o capataz e uns dois trabalhadores da roça e foi à casa do Zequinha. Era meio-dia. Chegando lá, tirou um frasquinho do bolso e foi dizendo: “Zequinha, toma três colheres desse óleo de rícino aqui, agora mesmo, e vai fazer o “serviço” fora das minhas terras!” O Zequinha tentou fazer-se de desentendido: “Mas, Coronel Vivaldo, eu não estou com prisão de vento, não!” “E quem disse que você estava? Toma logo, senão eu empurro de goela a dentro!” O homem não teve alternativa e tomou o remédio de imediato, para logo a seguir desaparecer para sempre. Quem sabe ele agora não volta? – concluiu o velhinho, olhando em torno dos circunstantes.

            Noutro grupo comentava-se que o coronel usava tática de saber sobre a vida particular de seus eleitores ou possíveis aliados, com o propósito de tirar proveito na hora precisa. Disse um dos circunstantes que o falecido, na sua juventude, desvirginara muitas mocinhas filhas de moradores seus. Para uns poucos pais que tiveram a ousadia de reagir, o coronel arranjava um rapazola para casar com essas moças, dando a cada casal um tipo de dote para iniciar sua vida de casados. E assim os possíveis escândalos eram abafados. Com essas atitudes,