CAMED
e CAPEF
A importância da representatividade participativa
Os aposentados e pensionistas do BNB contam com representantes
eleitos (pelos participantes e beneficiários assistidos) tanto na Camed
quanto na Capef. Na Camed, dois diretores eleitos integram a Diretoria
Executiva e participam da tomada de decisões referentes aos assuntos
que norteiam os interesses da Instituição e dos seus associados. Os
diretores eleitos cumprem um mandato de quatro anos cada um, sem direito
à reeleição. Assim, ao término da cada mandato, outros diretores são
escolhidos, pelo voto direto, para compor a Diretoria Executiva, o que
garante um caráter democrático e participativo junto à alta cúpula
da Camed. Os atuais diretores – Luiz Carlos Bezerra Lima e Raimundo
Nonato de F. Cavalcante – informam que, além de participar das decisões,
também estão à disposição dos associados, na sede da Camed, para o
atendimento de suas solicitações e reivindicações.
A Capef, por sua vez, é formada por uma Diretoria Executiva,
pelo Conselho Deliberativo e pelo Conselho Fiscal. Nos Conselhos
Deliberativo e Fiscal, além dos conselheiros designados pelos
Patrocinadores, são eleitos conselheiros, através do voto direto,
pelos próprios participantes e beneficiários assistidos. O Conselho
Deliberativo, um órgão de decisão e orientação superior, é
composto de seis membros efetivos, sendo três escolhidos pelo voto
direto. Já o Conselho Fiscal, órgão interno de controle e fiscalização,
é constituído de quatro membros efetivos, onde dois integrantes também
são escolhidos pelos participantes e beneficiários assistidos. Na
Capef, os conselheiros eleitos cumprem um mandato de quatro anos e também
participam ativamente das decisões tomadas pela Instituição. A
representatividade conquistada é uma antiga luta da AABNB. O quadro
atual, no entanto, segundo a Diretoria da Associação, ainda é
insatisfatório. A AABNB entende que a Diretoria Executiva da Capef também
deve contar com dois diretores eleitos, e que a Camed necessita de um
Conselho Deliberativo.
Funcionários
do BNB aprovam PCR
Os funcionários do BNB no Ceará aprovaram por ampla maioria, em
assembléia realizada no último dia 06/07, a proposta do Plano de
Cargos e Remuneração (PCR). O novo PCR já começa a ser aplicado no
final deste mês para os funcionários que se encontram em atividade.
Com relação aos funcionários aposentados que tenham direito de
remuneração em decorrência do Plano, a informação inicial é de
que, logo na primeira semana de agosto, o setor de Recursos Humanos vai
definir a forma de enquadramento e o sistema de pagamento desses funcionários.
A data de vigência do PCR é retroativa a fevereiro de 2005. Os
Sindicatos dos Bancários do Piauí, Campina Grande, Cariri (CE), Sobral
(CE), Irecê, Vitória da Conquista, Paraíba, Maceió, Belo Horizonte,
Norte de Minas e Brasília também aprovaram o Plano de Cargos e
Remuneração.
Consulta
ao Corpo Social obtém 97 % de aprovação
A consulta realizada junto ao Corpo Social, no último dia 20 de
junho, para apreciação do Balanço Patrimonial e da Demonstração de
Resultados da AABNB, referentes ao exercício 2005, obteve 97 % de
aprovação dos associados que compareceram às urnas e participaram
desse momento de transparência e prestação de contas. Na
oportunidade, tanto em Fortaleza quanto nas Representações, os
associados também aprovaram o parecer do Conselho Fiscal e o Relatório
da Diretoria com relação às ações desenvolvidas no ano anterior. A
participação efetiva do corpo social tem o reconhecimento e o
agradecimento da Diretoria, que procura comprovar, com absoluta transparência,
a preocupação em zelar pelos interesses dos associados.
BNB
completa 54 anos
Os 54 anos de fundação do BNB foram comemorados no período de
19 a
22 de julho, em Fortaleza, com uma extensa programação. Na
oportunidade, foram realizados o Fórum BNB de Desenvolvimento e o XI
Encontro Regional de Economia, em parceria com a Associação Nacional
de Centros de Pós-graduação em Economia (Anpec). Durante os eventos
houve a entrega do Prêmio BNB de Economia Regional, nas categorias
profissional e universitária, e do Prêmio BNB de Talentos Universitários,
além do lançamento de diversas publicações editadas pelo Banco e
outras entidades ligadas ao desenvolvimento regional. Confira nesta edição
o encarte especial sobre os 54 anos do BNB.
Fundo de R$ 620 milhões vai financiar
infra-estrutura no Brasil
O BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), o ABN Amro Real
e algumas das mais importantes fundações de previdência do país se
juntaram para a criação de um fundo de investimento que financiará o
desenvolvimento da infra-estrutura no Brasil.Trata-se do InfraBrasil, um
fundo fechado, constituído sobe a forma de FIP (Fundo de Investimento
em Participações), e que será administrado pelo ABN Amro Real. Ele
nasce com um patrimônio de R$ 620 milhões e pode chegar a R$ 1 bilhão
nos próximos meses.
O fundo vai financiar projetos de infra-estrutura do setor
privado por meio de investimentos em ações e instrumentos de dívida
de longo prazo em moeda local nas áreas de logística (rodovias,
ferrovias, portos e aeroportos), telecomunicações, distribuição de gás,
energia (geração, transmissão e distribuição), água e saneamento.
Para a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), a criação do InfraBrasil
demonstra a consciência que os fundos de previdência têm sobre a
importância da necessidade de "viabilizar que a poupança privada
existente no país se destine fundamentalmente, dentro das
possibilidades, à questão da infra-estrutura do setor produtivo".
O BID, idealizador do fundo, participa como credor, com um empréstimo
de até US$ 75 milhões.
A estruturação do InfraBasil contou também com a participação
do Funcef (fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica
Federal), Petros (fundo de pensão da Petrobras e acionista da Telemar),
Previ (fundo dos funcionários do BB) e Valia (fundo dos trabalhadores
da Vale do Rio Doce). Além disso, o Banco do Brasil, Banesprev (fundo
de pensão do Banespa), Banco Real e outros investidores também
assumiram compromissos de investimento no primeiro fechamento do fundo.
(Folha Online)
Notícias
da Anapar
Fundos
de pensão ampliam participação democrática
Em três dos mais importantes fundos de pensão brasileiros –
Previ, Funcef e Real Grandeza – os participantes conquistaram o
direito de escolher diretores executivos pelo voto direto. Nos dois
primeiros casos, a gestão é paritária entre patrocinadoras e
participantes, tanto nos Conselhos Deliberativo e Fiscal quanto na
Diretoria Executiva. No Real Grandeza, o fundo de pensão dos funcionários
de Furnas, são eleitos dois dos cinco diretores.
A conquista de maior representação nos órgãos de gestão é
uma luta dos participantes e suas entidades de classe, que foi
reconhecida parcialmente em 2001 pelas leis complementares 108 e 109, ao
incorporar esta representação nos Conselhos. A continuidade desta luta
tem levado algumas patrocinadoras a atender a reivindicação de
aprofundar a democracia e incorporar, via negociação, a eleição
direta de diretores executivos. Esta é uma conquista importante, pois
os diretores executivos acompanham com maior profundidade o dia-a-dia
das entidades e participam de todo o processo de tomada de decisões.
Cumpre, aos diretores eleitos, um duplo papel – de gerir a entidade e
de representar o interesse dos participantes. (fonte: Anapar)
Saúde...
Diabetes:
insulina em pó deve chegar ao Brasil
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa) aprovou a primeira insulina inalável, voltada para
o tratamento de diabetes tipos 1 e 2. O produto havia sido
autorizado nos EUA e Europa e deve chegar ao mercado
brasileiro neste semestre. A insulina em pó (Exubera, da
Pfizer) é de ação rápida e substitui as três injeções,
em média, que os diabéticos, (especialmente do tipo 1)
tomam antes das refeições. No entanto, eles devem manter o
uso da injeção de insulina de longa duração. Aplicada,
em geral, duas vezes por dia, ela é responsável pela produção
de energia. Já a de curta duração processa a glicose
ingerida nas refeições. Colocada num inalador, similar ao
utilizado nas crises de bronquite, a insulina em pó é
inalada pela boca. A substância é absorvida pelos pulmões
e segue para a corrente sangüínia. Ainda não está
definido o valor da nova insulina no Brasil. Na Europa, o
tratamento custa cerca de 5 dólares por dia, dependendo da
dosagem usada pelo paciente. (fonte: BBC Brasil)
Sexo
na maturidade
Uma
pesquisa do Projeto Sexualidade, do Hospital das Clínicas
de São Paulo, revelou que 95% dos homens e mulheres na
faixa dos 50 anos têm vida sexual ativa. Antigamente não
era assim, mas essa é uma mudança própria da geração
que viverá mais do que a dos pais e avós. “Todas as
fases da vida vão se estender, e o sexo está incluído”,
afirma o psiquiatra Moacir Costa. Antigamente, ser avô ou
avó era ficar grisalho, flácido, largado e conformado com
a falta de sexo – um quadro hoje quase impensável. “As
pessoas se cuidam muito mais. Ficam jovens, atraentes e
desejáveis por mais tempo. É claro que para isso é
preciso ter acesso à informação”, avalia o psiquiatra
Ronaldo Pamplona da Costa, da Sociedade Brasileira de
Estudos
em Sexualidade Humana.
Segundo
a Organização
Mundial da Saúde, o sexo é um dos quatro pilares da
qualidade de vida, ao lado do prazer no trabalho, da
harmonia familiar e do lazer. Na idade madura, a atividade
sexual, além de prazerosa, combate o estresse, eleva a
auto-estima e...queima calorias. (fonte: Jornal Economus)
Por um Nordeste melhor
O
Ciclo de Debates Por um Nordeste Melhor, promovido pela
AABNB e pela AFBNB, terá continuidade no dia 28 de julho,
em Teresina, no segundo encontro referente ao tema “O
Nordeste atual e os desafios da política regional”,
que integra o II Seminário desse ciclo de debates. O
terceiro encontro, ainda dentro dessa temática, será
realizado no dia 04/08,
em Aracaju. O
segundo Seminário foi aberto no dia 30/06 na cidade de
Recife. A capital pernambucana também vai sediar o III
Seminário, quando se encerrará essa série de debates, com
a discussão do tema “A importância da dimensão sócio-política
para o desenvolvimento regional”, cuja realização está
programada para o dia 04/08.
A
Economia e o Desenvolvimento do Nordeste nortearam a realização
dessa série de seminários e encontros técnicos, criados
com a finalidade de discutir temas ligados à realidade
regional, e apontar propostas que favoreçam o crescimento
da região. O foco comum dos três seminários é
identificar alternativas que possam realizar as transformações
econômicas e sociais necessárias à melhoria das condições
de vida da população nordestina. Contando com a participação
de pesquisadores e de professores renomados nacionalmente, o
Ciclo de Debates Por um Nordeste Melhor foi inaugurado no
dia 31/05, em Fortaleza, sob o tema “Os desafios para o
desenvolvimento regional frente à integração mundial e
nacional”.
A coordenação desse Ciclo de Debates é do
economista e professor Nilson Holanda, ex-presidente do BNB.
No encerramento das atividades será produzido um Relatório
Final, com os principais tópicos, conclusões e projeções
extraídas dos debates, para ser encaminhado a todos os
candidatos à Presidência da República, onde será
destacada a importância do desenvolvimento regional.
AABNB
presta homenagem a seu sócio-fundador
No dia 30 de junho último faleceu, em Fortaleza, depois de
um longo período de enfermidade, o sócio-fundador e
primeiro presidente da AABNB, Otacílio Braga Barbosa. Ele
ingressou no BNB em 1955, aprovado no concurso para auxiliar
de escriturário. Desenvolveu sua carreira com muita dedicação
e profissionalismo, e se aposentou como técnico bancário,
em 1983, sem nunca haver ocupado – gostava de salientar
– qualquer cargo político dentro da Instituição. Sua
grande satisfação profissional foi na função de
Coordenador Geral de Projetos Especiais, quando assumiu a
responsabilidade de dar andamento às obras do Edifício
Raul Barbosa. Também exerceu as funções de auxiliar da
direção geral e de chefe de departamento.
A origem da AABNB, desde a sua concepção como entidade de
classe, até a sua fundação, no dia 17 de maio de 1983,
deve muito à iniciativa e determinação do seu sócio-fundador.
Convicto da necessidade de criar um espaço que congregasse
os aposentados e pensionistas, foi ele quem deu os primeiros
passos para o surgimento da AABNB, ao estabelecer contato
com o então presidente do Banco, Camilo Calazans. A
primeira sede da Associação, localizada no sexto andar do
edifício São Luiz, onde funcionava a diretoria do Banco,
foi uma conquista de Otacílio Braga Barbosa. Neste endereço
ele assumiu provisoriamente a presidência da AABNB e, já
no ano seguinte, em 1984, com a diretoria sob seu comando,
teve o mandato de sua gestão ampliado para mais quatro
anos.
Associação
adquire ações do BNB
Uma
decisão política da Diretoria da Associação levará a
AABNB à condição de acionista do Banco do Nordeste do
Brasil. Os diretores decidiram pelo investimento do montante
de R$ 2.200,00 (dois mil e duzentos reais) na aquisição de
um lote de 2.000.000 (dois milhões) de ações. É
importante salientar que, na condição de proprietária de
ações do BNB, a Associação poderá participar das
assembléias de acionistas do Banco, obtendo inclusive o
direito de voto nessas reuniões. A Diretoria da AABNB
ressalta a importância dessa decisão para a defesa dos
interesses da Associação e do próprio Banco.
Concurso
de Monografias
em Finanças Públicas
A
Secretaria do Tesouro Nacional, através da Escola de
Administração Fazendária (Esaf), instituiu o XI Prêmio
Tesouro Nacional 2006, referente ao Concurso de Monografias
em Finanças Públicas. O
Prêmio tem a finalidade de estimular a pesquisa nessa Área,
e promover o reconhecimento dos trabalhos dotados de
qualidade técnica, que possam ser aplicados na Administração
Pública. As inscrições serão aceitas até o dia 9 de
outubro de 2006 (data de postagem no correio), e podem
concorrer trabalhos individuais, ou em grupo, de candidatos
(graduação e pós-graduação) de qualquer nacionalidade e
formação acadêmica. Também serão aceitas monografias de
candidatos que estejam cursando o último ano da graduação.
Cada
participante poderá apresentar apenas uma monografia sobre
um dos cinco temas especificados no regulamento: 1) Ajuste
Fiscal e Dívida Pública; 2) Tópicos Especiais de Finanças
Públicas; 3) Tributação, Orçamentos e Sistemas de
Informações sobre a Administração Financeira Pública;
4) Qualidade do Gasto Público; 5) Tema Especial: Lei de
Responsabilidade Fiscal. A premiação é de R$ 5 mil para o
3º colocado; R$ 10 mil para o 2º; e R$ 20 mil para o 1º
colocado, em cada tema. Outras Informações, pelo telefone
(61) 3412 – 6286 ou pelo site www.esaf.fazenda.gov.br.
Seguridade
social brasileira é superavitária
Pelo
menos uma vez por ano, quando se faz o balanço da Previdência
Social brasileira, ecoam vozes em defesa de novas reformas
no sistema previdenciário, essencialmente para reduzir os
direitos dos trabalhadores e segurados. O argumento central
que insistentemente se levanta é o déficit crescente da
Previdência Social, de R$ 38,2 bilhões em 2005 e que poderá
chegar a R$ 43,2 bilhões em 2006. Este comparativo leva em
conta, no entanto, somente a arrecadação sobre a folha de
salários. Considerando-se somente contribuições de patrões,
autônomos e empregados sobre a folha de salários, em 2005
o INSS arrecadou R$ 108,4 bilhões e pagou R$ 146,8 bilhões
em benefícios previdenciários rurais e urbanos. Nesta
contabilidade é esquecida, deliberadamente, parte
significativa do balanço, que, no final, será superavitário.
Superávit – De acordo com a Constituição
Federal, o conceito de seguridade social envolve a Previdência
Social, a assistência à saúde e a assistência social. E
define uma série de tributos para custear estes três
pilares: a contribuição sobre a folha de pagamento, a
COFINS (Contribuição para financiar a Seguridade Social),
a CPMF, a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido),
PIS/PASEP, além de outras contribuições de menor relevância
e das previsões orçamentárias para os ministérios da Saúde,
Previdência Social e Desenvolvimento Social. Segundo dados
da ANFIP, a Associação Nacional dos Fiscais da Previdência,
no ano de 2005, sob este critério, definido pela Constituição,
a receita da seguridade social no orçamento da União
totalizou R$ 278,1 bilhões.
No lado das despesas, se somarmos os gastos com benefícios
previdenciários rurais e urbanos, benefícios assistenciais
como aposentadoria por idade, serviços de assistência à
saúde, benefícios de transferência de renda como Bolsa
Família, custeio do pessoal ativo do Ministério da Previdência
Social e INSS, seguro-desemprego, dentre outros, o total em
2005 foi de R$ 221,2 bilhões. Ou seja, subtraindo todos os
gastos com seguridade social no orçamento da União das
receitas vinculadas a estes gastos, tivemos em 2005 um superávit
de R$ 56,9 bilhões, de acordo com os números da ANFIP.
Estes dados podem ser conferidos em estudo disponível do
site da entidade (www.anfip.org.br) ou no site da Anapar
(www.anapar.com.br). (fonte:
Anapar)
Serviço...
Associados
não indicam o beneficiário do pecúlio
Implantado em julho de 2003, o sistema de pecúlio da
AABNB tem cumprido a sua função social ao prestar apoio
financeiro aos associados nos momentos de grande fragilidade
emocional, decorrente da perda de um ente querido. O benefício
proporciona uma relativa tranqüilidade aos associados, pois
se configura numa receita extra para cobrir parte das
diversas despesas surgidas num momento de natural
desconforto. Somente no ano passado, a carteira de pecúlios
da AABNB pagou mais de R$ 102 mil reais. Nem sempre, no
entanto, esses pagamentos são efetuados com a praticidade e
facilidade que a Diretoria gostaria, pela simples razão da
falta de indicação do beneficiário.
Apesar das diversas solicitações da Diretoria para
que os associados regularizem essa situação, uma considerável
parcela do Corpo Social ainda não indicou o beneficiário
para recebimento do pecúlio, o que tem causado transtorno e
demora no momento de processar o benefício. Por esta razão,
a Diretoria encaminhou uma nova orientação aos associados,
solicitou o apoio dos Representantes, e pediu a inserção
dessa nota explicativa
em nosso Jornal
como medida de reforço para solucionar essa questão.
ENCARTE
CULTURAL
A
ÉTICA DO BEM VIVER
Waldir
Sena (Aposentado do BNB)
Estudando
a ética de Epicuro, chega-se à conclusão de que a mesma
seja, talvez, a que mais pode ser posta em prática pelo
homem na busca de sua felicidade.
Uma
pergunta que muito se faz dentro do estudo da Filosofia é o
que é felicidade.
A
ética epicuréia quando se refere à felicidade, dá uma
resposta muito simples, mas que dentro dela pode-se
encontrar toda uma essência para se viver bem.
Ele,
Epicuro, argumenta que felicidade é apenas "a falta de
dor e perturbação dentro de nós". Se a
pessoa atentar para essa afirmação, verificará que essa
argumentação é simplesmente a realidade que muitas vezes
ocorre com uma pessoa. Os primeiros epicuristas, embora
certamente não se opusessem ao prazer sensual, estavam mais
preocupados em evitar a dor. Epicuro afirmou que o objetivo
da vida é ser feliz. Não é
um grande segredo que entregar-se aos prazeres
corporais - como beber, comer, fazer sexo e ficar deitado no
sofá - são formas de ser feliz. Na verdade, prazeres como
esses passaram a ser associados ao epicurismo.(Jay
Etevenson, 2002, p.96).
Para
garantir o atingimento da regra da vida moral, referido filósofo
distinguiu os três tipos de prazeres, ou seja, os prazeres
que não comportam em si dor e perturbação.
1)
Prazeres naturais e necessários.
Dentre esses prazeres ele coloca os prazeres ligados à
conservação da vida. Por exemplo, comer quando se tem
fome, beber quando se tem sede. Nesse tipo de prazer o
natural é a comida e a necessidade é comer quando se tem
fome. No segundo exemplo, o natural é o beber e a
necessidade é a sede.
2)
Prazeres naturais e não necessários.
Entre os prazeres desse segundo grupo estão as variações
supérfluas dos prazeres naturais. Os exemplos que ele dá são:
comer bem, beber bebidas refinadas, vestir-se com apuro.
Aqui Epicuro mostra que para a pessoa comer bem não é
necessário que essa comida seja lagosta ou caviar, que para
beber, essa bebida tenha que ser importada, que para
vestir-se bem a roupa deva ser de grife.
3)
Por fim, os prazeres não
naturais e não necessários. Esses prazeres são
aqueles ligados ao desejo de riqueza, poder e honras.
Ao
analisar esses três tipos de prazeres, o indivíduo
concluirá que os desejos e prazeres do primeiro grupo são
os únicos que são sempre e habitualmente satisfeitos
proporcionando, assim, para o indivíduo, a felicidade
desejada.
Outro
assunto abordado na ética de Epicuro é a morte.
E
o que é a morte?
Na
concepção da ética ora comentada, a morte é um mal
apenas para quem alimenta falsas opiniões sobre a mesma.
Como o homem é composto de alma e corpo, o que ocorre por
ocasião da morte é apenas a dissolução desses compostos.
Dá-se, aí, não a separação do corpo e da alma, mas a
separação do tempo e a eternidade.
Ter
pavor da morte, segundo Epicuro, é um absurdo, pois no
fundo ela não é nada. Com ela apenas atinge-se a nadificação.
Já
no âmbito da política seus prazeres são puras ilusões.
Nela, os homens tentam conseguir poder, fama e riqueza, não
passando, assim, de desejos e prazeres nem naturais nem
necessários, sendo, portanto, vazios e enganosos os
seus sonhos.
Observando
esses preceitos, o indivíduo vai concluir que não é tão difícil se viver bem.
A MULHER E A BONECA
Era
uma vez uma boneca muito bonita...
Um
dia, num sopro de vida, a boneca tomou forma de gente e
virou uma menina. Mais bonita ainda...
A
menina, brincando, foi crescendo, crescendo, passou pela infância,
chegou à adolescência e se tornou uma menina-moça. Muito
mais bonita ainda...
O
tempo foi passando, passando, mais tarde, atingindo a
maturidade a menina-moça se transformou numa linda mulher.
Muito, muito, mais bonita ainda...
Hoje,
vendo a mulher que um dia já foi boneca, a gente fica sem
saber, tamanha é a sua beleza, se a mulher é a boneca
de ontem, ou, se a boneca é a mulher de hoje.
José
Bonifácio Pereira
Associado da AABNB
A
UMA DEUSA
(Atribuído
ao poeta Luiz Lisboa do Maranhão)
“ Tu és o quelso do pental ganírio
Saltando as rimpas do fermim calério,
Carpindo as taipas do furor salírio
Nos rúbios calos do pijom sidério.
És o bartólio do bocal empírio
Que ruge e passa no festim sitério,
Em ticoteios de partano estírio,
Rompendo as gâmbias do hortomogenério.
Teus lindos olhos que têm barlacantes
São camençúrias que carquejam lantes,
Nas duras pélias do pegal balônio.
São carmentórios de um carce metálio,
De lúrias peles em que pulsa obálio,
Em vertimbáceas do pental perônio.”
AMARELO-OURO
(*)
Waldir Freitas
- Júlio,
o quintal está desobstruído dos bagulhos, acumulados há
muito tempo, e completamente limpo, bom, assim, pra brincar
de bola de gude. Topas?
- Claro. Começarei agora mesmo a escavar o chão e
logo estará pronto o buraco que eu vou encher de bolas...
Vamos, faça o mesmo Carlos.
- Certo. Mas a terra aqui está muito dura, de modo
que vou furar mais à esquerda.
Olha, Júlio, um bracelete de metal brilhante!
Está com o fecho quebrado e parece tratar-se de uma
jóia...
O incomum do achado reúne os irmãos em torno da peça.
Eles traçam planos do que fazer com ela: entregá-la
à mãe, Cristina, ou vendê-la para colocar o produto, meio
a meio, no cofre de cada um.
- É o bracelete de Robertinha, presente que lhe
demos no último aniversário, o qual, presumo, perdeu
quando de suas peraltices no quintal.
Vou mandar consertá-lo para entregar à irmã de vocês.
Posto termo ao alvoroço, os meninos voltam ao
folguedo.
- Pronto, Carlos, o campo está preparado para o
nosso jogo. Os
dois buracos estão a dez metros do ponto de lançamento das
bolas.
A disputa seria em uma das seguintes opções: através
de dois lances, ter sucesso aquele que colocasse bolas
dentro ou mais próximo do buraco ou, de dez
lançadas, ganhar quem maior quantidade encaçapasse.
Júlio saiu vitorioso na modalidade escolhida, a
segunda.
À hora do almoço, momento de comunhão familiar,
aflora o comentário sobre o bracelete desenterrado. Paulo,
o primogênito, fala por último.
- Quem não se agacha para pegar qualquer objeto
dourado. Eu
mesmo já encontrei uma aliança, ouro 18, em frente ao
Quartel da Polícia Militar do Amazonas. Assim, não poderia
ser diferente a atitude do mano Carlos, que começou ali, no
quintal, a exploração da sua Serra Pelada, graceja.
- O
amarelo inspira riqueza, poder, beleza, ostentação e até
disfarce. Vejamos
o pôr-do-sol (que maravilha!), os palácios reais, as
mulheres de cabelos loiros, de gazas a morenas, e aquelas
que pintam todos os pêlos da cabeça – culpados e
inocentes – para esconder os fios brancos, mesmo por mera
vaidade. A cor também é vida, eis que da gema do ovo surge
um rebento!
- Como desvio no sentimento egocêntrico de quem
possui jóias, houve um instante de desprendimento do povo
brasileiro, quando o primeiro governo da revolução de 64
fez o apelo: “Ouro para o bem do Brasil”.
Não se tem conhecimento, porém, da quantidade
arrebanhada nem do destino a ela dado.
Essa foi a fala inicial de José Gregório, patriarca
da família, retomando o diálogo na mesa de refeições.
- Em verdade há muitas minas neste torrão natal: de
ouro, prata, diamante, rubi, esmeralda, entre outras, que
motivaram as famosas expedições dos
bandeirantes, ao
tempo da colonização
brasileira, tangidos
pelo desejo de descobrir minas e se tornarem ricos.
A eles devemos, entretanto, o alargamento de nossas
fronteiras e o povoamento dos sertões.
- Não se pode esquecer que naquele tempo, segundo
historiadores, os portugueses levaram do Brasil mais de mil
toneladas de ouro. Os alienígenas
o fizeram àquela época e nossos patrícios,
agora...
Finaliza José Gregório.
(*) Associado
da AABNB
LEMBRANÇA
DO MEU PAI ZECA
(*)
Marilene Machado Ferreira
Eu
ainda era pequenina e o meu pai, um gigante!
Era assim que eu o enxergava! A sua mão era
enorme, firme, pesada... Mas, quando ele a repousava sobre
a minha cabeça, na forma de carinho, não passava de uma
pluma.
A
sua voz forte, qual um trovão em tarde de tempestade, às
vezes, sem qualquer ato deliberado, fazia tremer os vidros
da cristaleira. Os seus passos dentro de casa eram de um
gigante! Um gigante empreendedor, de poucas letras, mas
com larga visão da vida e do mundo.
Ele,
invariavelmente, o meu herói! E eu, a sua pequena aliada!
Um dia, mamãe, adoeceu de cama. Enfraquecida pela moléstia,
não podia tocar os afazeres da cozinha. O meu pai não
hesitou. Tomou o avental, mesmo desajeitado, pilotou o fogão
a lenha.
É
verdade! Sem a devida intimidade com essas tarefas, alguns
pedaços de pratos e copos espalhavam-se pelo chão. Não
obstante a sua reduzida paciência, ele se continha e
sorria, no que eu o acompanhava. É certo que nessas horas
de dificuldade, ele achava graça! E, dessa forma, não
contrariava a minha mãe.
Em
uma das vezes, em nossos veraneios no Povoado Rita Cacete,
numa manhã de sol, fomos ao banho no Rio Comprido. A
correnteza estava forte e eu, ainda pequena, não conhecia
os perigos nem os espinhos da natureza. Joguei-me na água
e fui levada. Gritei! Meu pai, com a ligeireza de um
felino, pulou, e, mais que de repente, me salvou! A sua
primeira atitude, nada de castigo físico, nem repreensão.
- Minha filha, não deixe a sua mãe
saber!
Algumas
vezes, ele era o meu companheiro nas brincadeiras. A minha
predileta, o esconde-esconde. Para isso, o espaço
compreendia, a nossa casa - imensa para os padrões da época
- à qual se anexava uma vila de quartos de aluguel, bem
como as instalações de um moinho de fubá de milho, onde
ele, diuturnamente, enfrentava o embate da vida.
Ainda
a propósito do esconde-esconde, vezenquando
ele se escondia de tal forma, que eu não o
encontrava, embora conhecesse todos os cantos e recantos
do ambiente da brincadeira. Nessas ocasiões, eu, ainda
uma criança, fazia beicinho e abria o berreiro.
Resultado: imediatamente ele aparecia... e as minhas lágrimas
secavam. Era muito bom! Este recurso sempre dava certo e,
sem o saber, me rendia dividendos!
É
verdade! Há dois anos, a brincadeira quase a mesma! O
local do esconde-esconde, a sua fazenda no Povoado Rita
Cacete. Eu morava longe, distante... quase não chego a
tempo de vê-lo encaminhar-se para um esconderijo
especial, no Alto, bem perto de Jesus Cristo. Ainda hoje,
eu sinto a sua ausência, procuro-o seguidas vezes e
tantas outras, mas não o encontro.
Também
é verdade! Certos dias, recorro ao recurso do beicinho.
E, sem êxito, choro um choro mais contido. Imagino que
ele escuta, mas não aparece, continua escondido. Tenho
certeza, porém, que de lá, onde se encontra - imagino o
céu - ele há de me dar forças para suportar a dor que
ainda hoje me esmaga o coração!
(*)
Esposa do Associado Laurindo Ferreira
Casório
do Barulho
Sem
a vogal “E”
Ubatuba de Miranda
A
Maroca do Ripardo, moça já trintona, nutria um namoro com
o primo Anastácio, um tipo cabuloso, rococó. O amor dos
dois fora obra do acaso, numa noitada junina.
Andara
o rapaz, por um lustro, na Amazônia, mundão longínquo,
assombroso. Na volta, com o lucro da borracha, juntara um
tanto. Vinha orgulhoso, baludo, carranca dura, os bolsos
tinindo das notas.
O
casório um arranjo ocasional, ficara logo marcado para o
dia por todos aguardados daí a quatro luas.
A
população do “Angico” abalara toda, aguardando a data
marcada para a união dos primos, no vínculo matrimonial,
ato sisudo da vida. Os matos andavam num alvoroço. A
barraca dos convivas tumultuava com as músicas do grupo
vocal trazido do “Mucambo”, tocando sambas tropicais.
Vinham os convidados montando cavalos ariscos, fogosos no
galopar. Paravam à porta da barraca.
Sábado,
o sol brilhando nas alturas. Furdunço. Animação. Os líquidos,
os “tragos” tomando conta do juízo dos convivas
acostumados no consumo da água impugnada por todos os
passarinhos.
As
quatro horas o vigário Sigismundo, acompanhado do sacristão
Filismino, faz a união do paroara com a Maroca.
Assistindo
tanta folia, o aboiador Cacildo, do mourão do curral, ao
lusco-fusco, rosnou, afoito, filosofando: “Nunca vi casório
com barúio cujo final não vá acabar no choro baixo do
disconsolo”.
Praga
danada, praga suja, pois daí a oito dias o Anastácio
aplicava, por conta, a tunda inicial, a cipó do rio, na
Maroca do Ripardo.
-
Genitor do associado Nilo Tinoco
Miranda
-
Ex-membro do Conselho Fiscal do
Banco do Nordeste
-
Faleceu em 05.08.1976
-
Este trabalho foi publicado no
jornal O Povo de 21.03.1972
RIBAMAR - O INTELECTUAL E O HOMEM
Poeta,
contista e cronista, Ribamar era figura merecedora do maior
destaque dentre as muitas que constituem o rico patrimônio
intelectual e humano do BNB.
Mais
por sincero impulso afetivo do que por mera formalidade,
gostaria de enaltecer, com a profundidade e brilho devidos,
alguns aspectos não só do seu legado literário como, também,
de seu perfil humano.
Quanto
à primeira pretensão,
cumpri-Ia além do limite da mera opinião pessoal, embasada
no prazer de minha leitura pessoal da diversificada obra
dele, demandaria tempo e preparo que reconheço fora do meu
alcance. Desafio que, felizmente, vem sendo enfrentado pela
Diretoria da AABNB ora já empenhada em adiantadas providências
nesse sentido.
Resta-me,
portanto, restringir-me à segunda pretensão como se verá,
a seguir.
De
início, convém esclarecer que, dada minha relativamente
curta convivência com José de Ribamar Lopes, dela
procurarei ressaltar apenas algumas passagens que me
pareceram mais significativas.
Apesar
de, ao longo de vários anos, compartilharmos o mesmo local
de trabalho - edifício sede do Banco do Nordeste do Brasil
- só nos conhecíamos, como vulgarmente se diz, de vIsta.
Mal sabia eu que naquela figura simples e franzina, com quem
freqüentemente cruzava caminho, na vida profissional
cotidiana, habitava um notável talento literário,
consagrado em vários concursos Nacional, Estadual ou
Municipal.
Passamos
a nos conhecer mais intimamente há pouco mais de dois anos
- até sua recente e repentina morte - como integrantes de
um grupo de aposentados benebeanos, constituído com a
finalidade de realizar atividades literárias de natureza
diversificada, dentre elas a publicação de um Encarte
Cultural bimestral no Jornal da AABNB.
Esse
relacionamento parece-me ter sido uma gratificante
descoberta mútua de dois amantes do mundo literário, em
seus múltiplos aspectos, a ponto de a curta convivência
ali iniciada revestir a forma de uma dimensão atemporal.
Por
sua bagagem e maior vivência literárias, Ribamar
pontificava, sem vaidade, dentro do nosso grupo, como figura
proeminente. A sabedoria, o bom humor e a benevolência, com
que se relacionava com todos nós, eram a marca registrada
de sua participação nas reuniões.
Uma
das últimas visões de sua figura, captada pela minha
retina - ocorrida na solenidade de posse da última
diretoria da AFBNB, no BNB Clube, na ocasião em que era
tocado o hino nacional - proporcionou-me a oportunidade de
descobrir um insuspeitado e dignificante traço de sua
personalidade. A posição física contrita, uma das mãos
discretamente espalmada no peito, a expressão facial
compenetrada, perpassaram-me a idéia de que, tal como com o
idioma português, ele também cultivava patriótico zelo
com aquele símbolo nacional.
Certa
feita, pedi-lhe que me ensinasse a fazer poesia. Um bondoso
sorriso aflorou-Ihe nos lábios, como resposta, da qual
deduzi a seguinte mensagem:
-
" Pedro, produzir poesia, ou qualquer obra artística,
é para quem pode e não para quem quer".
Nesse
momento em que, com essa modesta redação, procuro
reverenciar sua memória, constato a sabedoria do seu
ensinamento. As palavras que acima escrevi não são as
calorosas e coloridas que gostaria de registrar. Apesar de
frias e descoloridas, são as melhores que pude arrancar de
meu pobre arsenal semântico e sentimental.
Pedro
Hudson de Paiva Silveira
Associado
da AABNB
NOVO
TEMPO
Quando o amor me refizer de novo
E a vontade de amar tiver no clima
Liberta-me da amarra e do estorvo
E serei uma trova respirando rima
E serei uma rima respirando trova
Quando o egoísmo não tiver espaços
E já morrendo se enterrar na cova
Que foi cavada nesses longos passos
Quanto outro tempo enxugar o pranto
Que deixei no outro espelho ao canto
Imune eu fico pra fazer meus versos
Serei eu mesmo o dono desta estrada
Sem hora certa de partida e chegada
A refazer meus sonhos tão dispersos
João
Alencar Sobrinho
Associado
da AABNB
A
edição de julho/2006 do Jornal da AABNB traz um “encarte
especial” onde reproduz quatro artigos publicados no
Jornal O Povo, de Fortaleza, no dia 18/07, alusivos
aos 54 anos de fundação do Banco do Nordeste do Brasil.
Assinados pelo presidente do BNB, Roberto Smith; pelo
Ministro da Integração Nacional, Pedro Brito; pelo
professor-doutor José Sydrião de Alencar Junior,
superintendente do Etene; e pelo presidente da AABNB, José
Edson Braga, os artigos fazem uma reflexão sobre a importância
do BNB para o desenvolvimento do Nordeste. A fundação do
Banco, sua trajetória, a atual administração e a projeção
de um novo tempo para a Região foram contempladas na página
temática publicada no O Povo, pela passagem dos 54 anos do BNB.
O
BNB e o desenvolvimento nordestino
Decorridos
mais de cinco decênios, percebe-se, hoje, quão feliz e
acertada foi a idéia de sua criação. Na verdade, o
Nordeste brasileiro é um antes do BNB e outro depois dele
José Edson Braga
18/07/2006 03:21
O Banco do Nordeste do Brasil S/A está completando 54 anos
de feliz e profícua existência e ação para o
desenvolvimento do Nordeste brasileiro e do País.
Criado aos 19 de julho de 1952, através da Lei nº 1649 e
fruto da Mensagem nº 363 do Governo do Presidente Getúlio
Vargas, o BNB foi concebido numa época em que, pelo menos
para o cenário brasileiro, o conceito de desenvolvimento
econômico e o financiamento do Mercado de Capitais ainda
eram um tanto insipientes.
Estruturado como uma Sociedade Anônima com a finalidade de
congregar as poupanças locais, sobretudo as governamentais,
e com a função de financiar os investimentos destinados a
iniciar uma nova era econômica para a Região, o BNB
tornou-se uma Instituição singular na estrutura
administrativa do País.
Sob o impacto natural das polêmicas provocadas pelo secular
problema da seca no Nordeste, e com o propósito suprapartidário
de dar início a uma nova fase na luta pelo desenvolvimento
do Nordeste, baseada na experiência passada e dentro da
moderna técnica do planejamento regional, o BNB imprimiu ao
estudo e à solução do problema nordestino uma definida
diretriz econômico-social.
Daí o seu crescimento e a sua consolidação como uma das
experiências de maior sucesso dentre os bancos de
desenvolvimento regional de toda a América Latina, hoje
copiada, inclusive,
em outros Continentes
, apesar de periódicas e infundadas tentativas
neoliberalistas de esvaziamento e mesmo destruição, contra
as quais tanto as verdadeiras lideranças da Região como
seus funcionários ativos e aposentados têm tanto lutado.
Que fatores contribuíram para esse sucesso? No nosso
entender e, dentre outros, quatro são fundamentais:
primeiro, o modelo original como foi concebido; segundo, a
maneira pela qual a Instituição foi administrada,
sobretudo, nos anos críticos de sua formação e consolidação;
terceiro, o esforço realizado na conscientização de sua
importância e capacitação dos seus recursos humanos, cujo
reflexo se observa na constante presença de seus técnicos
nos mais diversos cargos públicos municipais, estaduais e
federais; quarto, os mais variados e importantes estudos sócio-econômicos
sobre a Região realizados pelo Etene ao longo do tempo, que
têm proporcionado investimentos adequados e a correção de
rumo na aplicação dos recursos que lhe têm sido
destinados.
Decorridos mais de cinco decênios, percebe-se, hoje, quão
feliz e acertada foi a idéia de sua criação. Na verdade,
o Nordeste brasileiro é um antes do BNB e outro depois
dele. O negativismo de ontem e os sentimentos de
inferioridade, que dominavam o nordestino diante de seus
problemas seculares, foram substituídos por uma atitude de
confiança no poder da ação humana, sempre alicerçada na
fé divina. E o BNB tem sido, salvo raríssima e infeliz
exceção draconiana da era tucana em que sua privatização
esteve sendo preparada e sua ação reprimida, um dos
principais responsáveis pelo atual desenvolvimento do
Nordeste brasileiro, cujos resultados só não se apresentam
mais eficazes ainda, face o esvaziamento de que,
inescrupulosamente, tem sido vítima desde a era Collor, e
de uma maneira mais intensa nos tempos de FHC e de seus
capachos.
Tanto assim que, no Governo Lula, e sob o comando do
paulista-cearense Dr. Roberto Smith, o BNB reencontrou o seu
caminho de tantos anos, cujos frutos, de já tão notórios,
não podem nem devem ser interrompidos, sob pena de perigoso
retrocesso para o seu povo, para o Nordeste e para o País.
JOSÉ
EDSON
BRAGA é presidente da AABNB- Associação dos Aposentados e
Pensionistas do BNB.
Uma
boa lembrança
O
Banco do Nordeste, que a minha geração ajudou a
consolidar, é um instrumento valioso para a implementação
da Política Nacional de Desenvolvimento Regional
Pedro Brito
18/07/2006 03:21
Sou um dos modestos remanescentes de uma geração de
profissionais formada pelo Curso de Aprendizagem Bancária
do Banco do Nordeste. Idealizado na década de 50 por Raul
Barbosa, um dos maiores presidentes que o BNB teve ao longo
dos seus 54 anos de intensa vida agora completados, esse
curso abrigava jovens de até 15 anos de idade que
aprendiam, na prática, as múltiplas tarefas da atividade
bancária. Foi nele que moldei o meu caráter e descobri
minha vocação; é por causa dele este curto testemunho.
A mais recente história econômica, social e cultural desta
região tem tudo a ver com a história do Banco do Nordeste.
Foi o BNB que produziu o Etene, de cujos estudos e publicações
muito se valeram Celso Furtado e sua equipe para a criação
da Sudene. Foi o BNB que, no começo dos anos 60, emprestou
seus técnicos para que os governadores dos estados do
Nordeste pudessem, pela primeira vez, agregar à gestão pública
o planejamento estratégico. Foram os técnicos do Banco do
Nordeste os responsáveis pelos primeiros planos de
desenvolvimento e pela criação das primeiras agências
estaduais nordestinas de fomento.
O Ceará é um exemplo pronto e acabado do que afirmo: foram
os técnicos do BNB que imaginaram a Codec, o Bandece e a
Sudec, embriões do processo de industrialização que o
Estado experimenta desde o primeiro governo de Virgílio Távora,
de
1963 a
1967. Dessa época até aqui, têm sido os meus colegas do
BNB os mais eficientes secretários de finanças das
capitais e dos estados nordestinos. E a iniciativa privada
regional, que tem olhos e sentidos aguçados para localizar
e atrair grandes talentos, já lista entre seus principais
executivos de hoje especialistas em desenvolvimento econômico
ou em gestão financeira egressos dos quadros do BNB. É a
eles, especialmente, que me dirijo neste espaço.
O Banco do Nordeste, que a minha geração ajudou a
consolidar, é um instrumento valioso para a implementação
da Política Nacional de Desenvolvimento Regional. Sob o
comando firme do professor Roberto Smith, o BNB retomou sua
função de incrementador do desenvolvimento nordestino. As
aplicações do FNE, ferramenta constitucional para
alavancar micro, pequenos, médios e grandes empreendimentos
da iniciativa particular, vêm batendo sucessivos recordes,
gerando mais emprego e mais renda.
Ao Banco do Nordeste, pois, não apenas o meu preito, mas a
gratidão de todos os nordestinos, principalmente os mais
pobres.
PEDRO BRITO é ministro da Integração Nacional
História
e compromisso
O
BNB tem tido uma parcela de responsabilidade na melhoria na
distribuição de renda regional, e na diminuição do
contingente populacional situado abaixo da linha de pobreza
Roberto Smith
18/07/2006 03:21
"Quando o passado deixa de clarear o futuro, o espírito
tateia no escuro"
Tocqueville
O BNB é um produto da história, com missão bem definida e
que tem buscado a luz do seu passado para clarear os
caminhos do desenvolvimento regional. Como agora mesmo, na
passagem dos seus 54 anos.
O BNB surgiu, em 1952, com o Bndes e o CNPq, na edificação
do Estado nacional do 2º governo Vargas (1951-1954), sob os
influxos do planejamento e da Conferência de Bretton Woods,
que, dos escombros da 2ª Guerra, com novas instituições,
como o Banco Mundial, preparava a reconstrução de um mundo
abalado. Era um banco especial, "precipuamente
incumbido de planejar e executar um autêntico programa
assistencial adstrito às peculiaridades do meio", que
disporia de um escritório técnico de estudos e
planejamento econômico, que viria a ser o Etene. O BNB começa
a operar em
1954. A
fonte principal de recursos do BNB, o Fundo das Secas,
acanhada diante dos desafios do Nordeste, é extinta em
1967. Já a partir de 1964, o Banco para operar depende dos
depósitos do 34/18 da Sudene. Apesar dessas limitações,
nos seus primórdios introduziu na Região a idéia e a prática
do planejamento e da modernidade administrativa. Formou
quadros tanto para si quanto para os setores público e
privado. Realizou os primeiros estudos econômicos básicos
da Região, que deram suporte importante na criação da
Sudene.
No início, a Sudene vive a sua fase de ouro, com forte
apoio do governo federal. Nesse processo, segundo Celso
Furtado: "O Banco do Nordeste ajudou muito. Ele nasceu
antes da Sudene, tinha um quadro de pessoal bom e foi
decisivo na primeira fase. E ele sempre foi preservado da
politicagem