JORNAL DA AABNB


JULHO/2006

CAMED e CAPEF

         A importância da representatividade participativa  

            Os aposentados e pensionistas do BNB contam com representantes eleitos (pelos participantes e beneficiários assistidos) tanto na Camed quanto na Capef. Na Camed, dois diretores eleitos integram a Diretoria Executiva e participam da tomada de decisões referentes aos assuntos que norteiam os interesses da Instituição e dos seus associados. Os diretores eleitos cumprem um mandato de quatro anos cada um, sem direito à reeleição. Assim, ao término da cada mandato, outros diretores são escolhidos, pelo voto direto, para compor a Diretoria Executiva, o que garante um caráter democrático e participativo junto à alta cúpula da Camed. Os atuais diretores – Luiz Carlos Bezerra Lima e Raimundo Nonato de F. Cavalcante – informam que, além de participar das decisões, também estão à disposição dos associados, na sede da Camed, para o atendimento de suas solicitações e reivindicações.

            A Capef, por sua vez, é formada por uma Diretoria Executiva, pelo Conselho Deliberativo e pelo Conselho Fiscal. Nos Conselhos Deliberativo e Fiscal, além dos conselheiros designados pelos Patrocinadores, são eleitos conselheiros, através do voto direto, pelos próprios participantes e beneficiários assistidos. O Conselho Deliberativo, um órgão de decisão e orientação superior, é composto de seis membros efetivos, sendo três escolhidos pelo voto direto. Já o Conselho Fiscal, órgão interno de controle e fiscalização, é constituído de quatro membros efetivos, onde dois integrantes também são escolhidos pelos participantes e beneficiários assistidos. Na Capef, os conselheiros eleitos cumprem um mandato de quatro anos e também participam ativamente das decisões tomadas pela Instituição. A representatividade conquistada é uma antiga luta da AABNB. O quadro atual, no entanto, segundo a Diretoria da Associação, ainda é insatisfatório. A AABNB entende que a Diretoria Executiva da Capef também deve contar com dois diretores eleitos, e que a Camed necessita de um Conselho Deliberativo.     

Funcionários do BNB aprovam PCR  

            Os funcionários do BNB no Ceará aprovaram por ampla maioria, em assembléia realizada no último dia 06/07, a proposta do Plano de Cargos e Remuneração (PCR). O novo PCR já começa a ser aplicado no final deste mês para os funcionários que se encontram em atividade. Com relação aos funcionários aposentados que tenham direito de remuneração em decorrência do Plano, a informação inicial é de que, logo na primeira semana de agosto, o setor de Recursos Humanos vai definir a forma de enquadramento e o sistema de pagamento desses funcionários. A data de vigência do PCR é retroativa a fevereiro de 2005. Os Sindicatos dos Bancários do Piauí, Campina Grande, Cariri (CE), Sobral (CE), Irecê, Vitória da Conquista, Paraíba, Maceió, Belo Horizonte, Norte de Minas e Brasília também aprovaram o Plano de Cargos e Remuneração.   

Consulta ao Corpo Social obtém 97 % de aprovação  

            A consulta realizada junto ao Corpo Social, no último dia 20 de junho, para apreciação do Balanço Patrimonial e da Demonstração de Resultados da AABNB, referentes ao exercício 2005, obteve 97 % de aprovação dos associados que compareceram às urnas e participaram desse momento de transparência e prestação de contas. Na oportunidade, tanto em Fortaleza quanto nas Representações, os associados também aprovaram o parecer do Conselho Fiscal e o Relatório da Diretoria com relação às ações desenvolvidas no ano anterior. A participação efetiva do corpo social tem o reconhecimento e o agradecimento da Diretoria, que procura comprovar, com absoluta transparência, a preocupação em zelar pelos interesses dos associados.

BNB completa 54 anos  

            Os 54 anos de fundação do BNB foram comemorados no período de 19 a 22 de julho, em Fortaleza, com uma extensa programação. Na oportunidade, foram realizados o Fórum BNB de Desenvolvimento e o XI Encontro Regional de Economia, em parceria com a Associação Nacional de Centros de Pós-graduação em Economia (Anpec). Durante os eventos houve a entrega do Prêmio BNB de Economia Regional, nas categorias profissional e universitária, e do Prêmio BNB de Talentos Universitários, além do lançamento de diversas publicações editadas pelo Banco e outras entidades ligadas ao desenvolvimento regional. Confira nesta edição o encarte especial sobre os 54 anos do BNB. 

Fundo de R$ 620 milhões vai financiar infra-estrutura no Brasil  

            O BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), o ABN Amro Real e algumas das mais importantes fundações de previdência do país se juntaram para a criação de um fundo de investimento que financiará o desenvolvimento da infra-estrutura no Brasil.Trata-se do InfraBrasil, um fundo fechado, constituído sobe a forma de FIP (Fundo de Investimento em Participações), e que será administrado pelo ABN Amro Real. Ele nasce com um patrimônio de R$ 620 milhões e pode chegar a R$ 1 bilhão nos próximos meses.

            O fundo vai financiar projetos de infra-estrutura do setor privado por meio de investimentos em ações e instrumentos de dívida de longo prazo em moeda local nas áreas de logística (rodovias, ferrovias, portos e aeroportos), telecomunicações, distribuição de gás, energia (geração, transmissão e distribuição), água e saneamento. Para a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), a criação do InfraBrasil demonstra a consciência que os fundos de previdência têm sobre a importância da necessidade de "viabilizar que a poupança privada existente no país se destine fundamentalmente, dentro das possibilidades, à questão da infra-estrutura do setor produtivo". O BID, idealizador do fundo, participa como credor, com um empréstimo de até US$ 75 milhões.

            A estruturação do InfraBasil contou também com a participação do Funcef (fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal), Petros (fundo de pensão da Petrobras e acionista da Telemar), Previ (fundo dos funcionários do BB) e Valia (fundo dos trabalhadores da Vale do Rio Doce). Além disso, o Banco do Brasil, Banesprev (fundo de pensão do Banespa), Banco Real e outros investidores também assumiram compromissos de investimento no primeiro fechamento do fundo.    (Folha Online)

Notícias da Anapar  

Fundos de pensão ampliam participação democrática  

            Em três dos mais importantes fundos de pensão brasileiros – Previ, Funcef e Real Grandeza – os participantes conquistaram o direito de escolher diretores executivos pelo voto direto. Nos dois primeiros casos, a gestão é paritária entre patrocinadoras e participantes, tanto nos Conselhos Deliberativo e Fiscal quanto na Diretoria Executiva. No Real Grandeza, o fundo de pensão dos funcionários de Furnas, são eleitos dois dos cinco diretores. 

            A conquista de maior representação nos órgãos de gestão é uma luta dos participantes e suas entidades de classe, que foi reconhecida parcialmente em 2001 pelas leis complementares 108 e 109, ao incorporar esta representação nos Conselhos. A continuidade desta luta tem levado algumas patrocinadoras a atender a reivindicação de aprofundar a democracia e incorporar, via negociação, a eleição direta de diretores executivos. Esta é uma conquista importante, pois os diretores executivos acompanham com maior profundidade o dia-a-dia das entidades e participam de todo o processo de tomada de decisões. Cumpre, aos diretores eleitos, um duplo papel – de gerir a entidade e de representar o interesse dos participantes. (fonte: Anapar)

Saúde...

Diabetes: insulina em pó deve chegar ao Brasil  

            A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a primeira insulina inalável, voltada para o tratamento de diabetes tipos 1 e 2. O produto havia sido autorizado nos EUA e Europa e deve chegar ao mercado brasileiro neste semestre. A insulina em pó (Exubera, da Pfizer) é de ação rápida e substitui as três injeções, em média, que os diabéticos, (especialmente do tipo 1) tomam antes das refeições. No entanto, eles devem manter o uso da injeção de insulina de longa duração. Aplicada, em geral, duas vezes por dia, ela é responsável pela produção de energia. Já a de curta duração processa a glicose ingerida nas refeições. Colocada num inalador, similar ao utilizado nas crises de bronquite, a insulina em pó é inalada pela boca. A substância é absorvida pelos pulmões e segue para a corrente sangüínia. Ainda não está definido o valor da nova insulina no Brasil. Na Europa, o tratamento custa cerca de 5 dólares por dia, dependendo da dosagem usada pelo paciente. (fonte: BBC Brasil) 

Sexo na maturidade  

Uma pesquisa do Projeto Sexualidade, do Hospital das Clínicas de São Paulo, revelou que 95% dos homens e mulheres na faixa dos 50 anos têm vida sexual ativa. Antigamente não era assim, mas essa é uma mudança própria da geração que viverá mais do que a dos pais e avós. “Todas as fases da vida vão se estender, e o sexo está incluído”, afirma o psiquiatra Moacir Costa. Antigamente, ser avô ou avó era ficar grisalho, flácido, largado e conformado com a falta de sexo – um quadro hoje quase impensável. “As pessoas se cuidam muito mais. Ficam jovens, atraentes e desejáveis por mais tempo. É claro que para isso é preciso ter acesso à informação”, avalia o psiquiatra Ronaldo Pamplona da Costa, da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana. Segundo   a Organização Mundial da Saúde, o sexo é um dos quatro pilares da qualidade de vida, ao lado do prazer no trabalho, da harmonia familiar e do lazer. Na idade madura, a atividade sexual, além de prazerosa, combate o estresse, eleva a auto-estima e...queima calorias. (fonte: Jornal Economus)

Por um Nordeste melhor  

O Ciclo de Debates Por um Nordeste Melhor, promovido pela AABNB e pela AFBNB, terá continuidade no dia 28 de julho, em Teresina, no segundo encontro referente ao tema “O Nordeste atual e os desafios da política regional”, que integra o II Seminário desse ciclo de debates. O terceiro encontro, ainda dentro dessa temática, será realizado no dia 04/08, em Aracaju. O segundo Seminário foi aberto no dia 30/06 na cidade de Recife. A capital pernambucana também vai sediar o III Seminário, quando se encerrará essa série de debates, com a discussão do tema “A importância da dimensão sócio-política para o desenvolvimento regional”, cuja realização está programada para o dia 04/08.      

A Economia e o Desenvolvimento do Nordeste nortearam a realização dessa série de seminários e encontros técnicos, criados com a finalidade de discutir temas ligados à realidade regional, e apontar propostas que favoreçam o crescimento da região. O foco comum dos três seminários é identificar alternativas que possam realizar as transformações econômicas e sociais necessárias à melhoria das condições de vida da população nordestina. Contando com a participação de pesquisadores e de professores renomados nacionalmente, o Ciclo de Debates Por um Nordeste Melhor foi inaugurado no dia 31/05, em Fortaleza, sob o tema “Os desafios para o desenvolvimento regional frente à integração mundial e nacional”. 

            A coordenação desse Ciclo de Debates é do economista e professor Nilson Holanda, ex-presidente do BNB. No encerramento das atividades será produzido um Relatório Final, com os principais tópicos, conclusões e projeções extraídas dos debates, para ser encaminhado a todos os candidatos à Presidência da República, onde será destacada a importância do desenvolvimento regional.

AABNB presta homenagem a seu sócio-fundador  

            No dia 30 de junho último faleceu, em Fortaleza, depois de um longo período de enfermidade, o sócio-fundador e primeiro presidente da AABNB, Otacílio Braga Barbosa.    Ele ingressou no BNB em 1955, aprovado no concurso para auxiliar de escriturário. Desenvolveu sua carreira com muita dedicação e profissionalismo, e se aposentou como técnico bancário, em 1983, sem nunca haver ocupado – gostava de salientar – qualquer cargo político dentro da Instituição. Sua grande satisfação profissional foi na função de Coordenador Geral de Projetos Especiais, quando assumiu a responsabilidade de dar andamento às obras do Edifício Raul Barbosa. Também exerceu as funções de auxiliar da direção geral e de chefe de departamento.

            A origem da AABNB, desde a sua concepção como entidade de classe, até a sua fundação, no dia 17 de maio de 1983, deve muito à iniciativa e determinação do seu sócio-fundador. Convicto da necessidade de criar um espaço que congregasse os aposentados e pensionistas, foi ele quem deu os primeiros passos para o surgimento da AABNB, ao estabelecer contato com o então presidente do Banco, Camilo Calazans. A primeira sede da Associação, localizada no sexto andar do edifício São Luiz, onde funcionava a diretoria do Banco, foi uma conquista de Otacílio Braga Barbosa. Neste endereço ele assumiu provisoriamente a presidência da AABNB e, já no ano seguinte, em 1984, com a diretoria sob seu comando, teve o mandato de sua gestão ampliado para mais quatro anos.

Associação adquire ações do BNB  

Uma decisão política da Diretoria da Associação levará a AABNB à condição de acionista do Banco do Nordeste do Brasil. Os diretores decidiram pelo investimento do montante de R$ 2.200,00 (dois mil e duzentos reais) na aquisição de um lote de 2.000.000 (dois milhões) de ações. É importante salientar que, na condição de proprietária de ações do BNB, a Associação poderá participar das assembléias de acionistas do Banco, obtendo inclusive o direito de voto nessas reuniões. A Diretoria da AABNB ressalta a importância dessa decisão para a defesa dos interesses da Associação e do próprio Banco.

Concurso de Monografias em Finanças Públicas  

A Secretaria do Tesouro Nacional, através da Escola de Administração Fazendária (Esaf), instituiu o XI Prêmio Tesouro Nacional 2006, referente ao Concurso de Monografias em Finanças Públicas. O Prêmio tem a finalidade de estimular a pesquisa nessa Área, e promover o reconhecimento dos trabalhos dotados de qualidade técnica, que possam ser aplicados na Administração Pública. As inscrições serão aceitas até o dia 9 de outubro de 2006 (data de postagem no correio), e podem concorrer trabalhos individuais, ou em grupo, de candidatos (graduação e pós-graduação) de qualquer nacionalidade e formação acadêmica. Também serão aceitas monografias de candidatos que estejam cursando o último ano da graduação.

Cada participante poderá apresentar apenas uma monografia sobre um dos cinco temas especificados no regulamento: 1) Ajuste Fiscal e Dívida Pública; 2) Tópicos Especiais de Finanças Públicas; 3) Tributação, Orçamentos e Sistemas de Informações sobre a Administração Financeira Pública; 4) Qualidade do Gasto Público; 5) Tema Especial: Lei de Responsabilidade Fiscal. A premiação é de R$ 5 mil para o 3º colocado; R$ 10 mil para o 2º; e R$ 20 mil para o 1º colocado, em cada tema. Outras Informações, pelo telefone (61) 3412 – 6286 ou pelo site www.esaf.fazenda.gov.br.

Seguridade social brasileira é superavitária  

          Pelo menos uma vez por ano, quando se faz o balanço da Previdência Social brasileira, ecoam vozes em defesa de novas reformas no sistema previdenciário, essencialmente para reduzir os direitos dos trabalhadores e segurados. O argumento central que insistentemente se levanta é o déficit crescente da Previdência Social, de R$ 38,2 bilhões em 2005 e que poderá chegar a R$ 43,2 bilhões em 2006. Este comparativo leva em conta, no entanto, somente a arrecadação sobre a folha de salários. Considerando-se somente contribuições de patrões, autônomos e empregados sobre a folha de salários, em 2005 o INSS arrecadou R$ 108,4 bilhões e pagou R$ 146,8 bilhões em benefícios previdenciários rurais e urbanos. Nesta contabilidade é esquecida, deliberadamente, parte significativa do balanço, que, no final, será superavitário.

          Superávit – De acordo com a Constituição Federal, o conceito de seguridade social envolve a Previdência Social, a assistência à saúde e a assistência social. E define uma série de tributos para custear estes três pilares: a contribuição sobre a folha de pagamento, a COFINS (Contribuição para financiar a Seguridade Social), a CPMF, a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), PIS/PASEP, além de outras contribuições de menor relevância e das previsões orçamentárias para os ministérios da Saúde, Previdência Social e Desenvolvimento Social. Segundo dados da ANFIP, a Associação Nacional dos Fiscais da Previdência, no ano de 2005, sob este critério, definido pela Constituição, a receita da seguridade social no orçamento da União totalizou R$ 278,1 bilhões.

          No lado das despesas, se somarmos os gastos com benefícios previdenciários rurais e urbanos, benefícios assistenciais como aposentadoria por idade, serviços de assistência à saúde, benefícios de transferência de renda como Bolsa Família, custeio do pessoal ativo do Ministério da Previdência Social e INSS, seguro-desemprego, dentre outros, o total em 2005 foi de R$ 221,2 bilhões. Ou seja, subtraindo todos os gastos com seguridade social no orçamento da União das receitas vinculadas a estes gastos, tivemos em 2005 um superávit de R$ 56,9 bilhões, de acordo com os números da ANFIP. Estes dados podem ser conferidos em estudo disponível do site da entidade (www.anfip.org.br) ou no site da Anapar (www.anapar.com.br).  (fonte: Anapar)

Serviço...  

Associados não indicam o beneficiário do pecúlio  

            Implantado em julho de 2003, o sistema de pecúlio da AABNB tem cumprido a sua função social ao prestar apoio financeiro aos associados nos momentos de grande fragilidade emocional, decorrente da perda de um ente querido. O benefício proporciona uma relativa tranqüilidade aos associados, pois se configura numa receita extra para cobrir parte das diversas despesas surgidas num momento de natural desconforto. Somente no ano passado, a carteira de pecúlios da AABNB pagou mais de R$ 102 mil reais. Nem sempre, no entanto, esses pagamentos são efetuados com a praticidade e facilidade que a Diretoria gostaria, pela simples razão da falta de indicação do beneficiário. 

            Apesar das diversas solicitações da Diretoria para que os associados regularizem essa situação, uma considerável parcela do Corpo Social ainda não indicou o beneficiário para recebimento do pecúlio, o que tem causado transtorno e demora no momento de processar o benefício. Por esta razão, a Diretoria encaminhou uma nova orientação aos associados, solicitou o apoio dos Representantes, e pediu a inserção dessa nota explicativa em nosso Jornal como medida de reforço para solucionar essa questão.   

ENCARTE CULTURAL

 

A ÉTICA DO BEM VIVER  

Waldir Sena (Aposentado do BNB)  

Estudando a ética de Epicuro, chega-se à conclusão de que a mesma seja, talvez, a que mais pode ser posta em prática pelo homem na busca de sua felicidade.

Uma pergunta que muito se faz dentro do estudo da Filosofia é o que é felicidade. 

A ética epicuréia quando se refere à felicidade, dá uma resposta muito simples, mas que dentro dela pode-se encontrar toda uma essência para se viver bem.  

Ele, Epicuro, argumenta que felicidade é apenas "a falta de dor e perturbação dentro de nós". Se a pessoa atentar para essa afirmação, verificará que essa argumentação é simplesmente a realidade que muitas vezes ocorre com uma pessoa. Os primeiros epicuristas, embora certamente não se opusessem ao prazer sensual, estavam mais preocupados em evitar a dor. Epicuro afirmou que o objetivo da vida é ser feliz. Não é um grande segredo que entregar-se aos prazeres corporais - como beber, comer, fazer sexo e ficar deitado no sofá - são formas de ser feliz. Na verdade, prazeres como esses passaram a ser associados ao epicurismo.(Jay Etevenson, 2002, p.96).  

Para garantir o atingimento da regra da vida moral, referido filósofo distinguiu os três tipos de prazeres, ou seja, os prazeres que não comportam em si dor e perturbação.  

1)     Prazeres naturais e necessários. Dentre esses prazeres ele coloca os prazeres ligados à conservação da vida. Por exemplo, comer quando se tem fome, beber quando se tem sede. Nesse tipo de prazer o natural é a comida e a necessidade é comer quando se tem fome. No segundo exemplo, o natural é o beber e a necessidade é a sede.

 

2)     Prazeres naturais e não necessários. Entre os prazeres desse segundo grupo estão as variações supérfluas dos prazeres naturais. Os exemplos que ele dá são: comer bem, beber bebidas refinadas, vestir-se com apuro. Aqui Epicuro mostra que para a pessoa comer bem não é necessário que essa comida seja lagosta ou caviar, que para beber, essa bebida tenha que ser importada, que para vestir-se bem a roupa deva ser de grife.

 

3)     Por fim, os prazeres não naturais e não necessários. Esses prazeres são aqueles ligados ao desejo de riqueza, poder e honras.

 

Ao analisar esses três tipos de prazeres, o indivíduo concluirá que os desejos e prazeres do primeiro grupo são os únicos que são sempre e habitualmente satisfeitos proporcionando, assim, para o indivíduo, a felicidade desejada.

 

Outro assunto abordado na ética de Epicuro é a morte.

 

E o que é a morte?

 

Na concepção da ética ora comentada, a morte é um mal apenas para quem alimenta falsas opiniões sobre a mesma. Como o homem é composto de alma e corpo, o que ocorre por ocasião da morte é apenas a dissolução desses compostos. Dá-se, aí, não a separação do corpo e da alma, mas a separação do tempo e a eternidade.

 

Ter pavor da morte, segundo Epicuro, é um absurdo, pois no fundo ela não é nada. Com ela apenas atinge-se a nadificação.

 

Já no âmbito da política seus prazeres são puras ilusões. Nela, os homens tentam conseguir poder, fama e riqueza, não passando, assim, de desejos e prazeres nem naturais nem necessários, sendo, portanto, vazios e enganosos os seus sonhos.

 

Observando esses preceitos, o indivíduo vai concluir que não é tão difícil se viver bem. 

 

A MULHER E A BONECA  

Era uma vez uma boneca muito bonita...

Um dia, num sopro de vida, a boneca tomou forma de gente e virou uma menina. Mais bonita ainda...

A menina, brincando, foi crescendo, crescendo, passou pela infância, chegou à adolescência e se tornou uma menina-moça. Muito mais bonita ainda...

O tempo foi passando, passando, mais tarde, atingindo a maturidade a menina-moça se transformou numa linda mulher. Muito, muito, mais bonita ainda...

Hoje, vendo a mulher que um dia já foi boneca, a gente fica sem saber, tamanha é a sua beleza, se a mulher é a boneca de ontem, ou, se a boneca é a mulher de hoje. 

                                       José Bonifácio Pereira  

                         Associado da AABNB

A UMA DEUSA  

(Atribuído ao poeta Luiz Lisboa do Maranhão)  

“ Tu és o quelso do pental ganírio

Saltando as rimpas do fermim calério,

Carpindo as taipas do furor salírio

Nos rúbios calos do pijom sidério.

 

És o bartólio do bocal empírio

Que ruge e passa no festim sitério,

Em ticoteios de partano estírio,

Rompendo as gâmbias do hortomogenério.

 

Teus lindos olhos que têm barlacantes

São camençúrias que carquejam lantes,

Nas duras pélias do pegal balônio.

 

São carmentórios de um carce metálio,

De lúrias peles em que pulsa obálio,

Em vertimbáceas do pental perônio.”

 

AMARELO-OURO

                                                                              (*) Waldir Freitas

 

      - Júlio, o quintal está desobstruído dos bagulhos, acumulados há muito tempo, e completamente limpo, bom, assim, pra brincar de bola de gude. Topas?

               - Claro. Começarei agora mesmo a escavar o chão e logo estará pronto o buraco que eu vou encher de bolas... Vamos, faça o mesmo Carlos.

               - Certo. Mas a terra aqui está muito dura, de modo que vou furar mais à esquerda.  Olha, Júlio, um bracelete de metal brilhante!  Está com o fecho quebrado e parece tratar-se de uma jóia...

               O incomum do achado reúne os irmãos em torno da peça.  Eles traçam planos do que fazer com ela: entregá-la à mãe, Cristina, ou vendê-la para colocar o produto, meio a meio, no cofre de cada um.

               - É o bracelete de Robertinha, presente que lhe demos no último aniversário, o qual, presumo, perdeu quando de suas peraltices no quintal.  Vou mandar consertá-lo para entregar à irmã de vocês.

               Posto termo ao alvoroço, os meninos voltam ao folguedo.

               - Pronto, Carlos, o campo está preparado para o nosso jogo.  Os dois buracos estão a dez metros do ponto de lançamento das bolas.

               A disputa seria em uma das seguintes opções: através de dois lances, ter sucesso aquele que colocasse bolas dentro ou mais próximo do buraco ou, de dez  lançadas, ganhar quem maior quantidade encaçapasse.  Júlio saiu vitorioso na modalidade escolhida, a segunda.

               À hora do almoço, momento de comunhão familiar, aflora o comentário sobre o bracelete desenterrado. Paulo, o primogênito, fala por último.

               - Quem não se agacha para pegar qualquer objeto dourado.  Eu mesmo já encontrei uma aliança, ouro 18, em frente ao Quartel da Polícia Militar do Amazonas. Assim, não poderia ser diferente a atitude do mano Carlos, que começou ali, no quintal, a exploração da sua Serra Pelada, graceja.

                - O amarelo inspira riqueza, poder, beleza, ostentação e até disfarce.  Vejamos o pôr-do-sol (que maravilha!), os palácios reais, as mulheres de cabelos loiros, de gazas a morenas, e aquelas que pintam todos os pêlos da cabeça – culpados e inocentes – para esconder os fios brancos, mesmo por mera vaidade. A cor também é vida, eis que da gema do ovo surge um rebento!

               - Como desvio no sentimento egocêntrico de quem possui jóias, houve um instante de desprendimento do povo brasileiro, quando o primeiro governo da revolução de 64 fez o apelo: “Ouro para o bem do Brasil”.  Não se tem conhecimento, porém, da quantidade arrebanhada nem do destino a ela dado. 

               Essa foi a fala inicial de José Gregório, patriarca da família, retomando o diálogo na mesa de refeições.

               - Em verdade há muitas minas neste torrão natal: de ouro, prata, diamante, rubi, esmeralda, entre outras, que motivaram as famosas expedições dos  bandeirantes, ao  tempo da  colonização  brasileira, tangidos  pelo desejo de descobrir minas e se tornarem ricos.  A eles devemos, entretanto, o alargamento de nossas fronteiras e o povoamento dos sertões.

      - Não se pode esquecer que naquele tempo, segundo historiadores, os portugueses levaram do Brasil mais de mil toneladas de ouro. Os alienígenas  o fizeram àquela época e nossos patrícios, agora...

         Finaliza José Gregório.

         (*) Associado da AABNB

 

LEMBRANÇA DO MEU PAI ZECA

(*) Marilene Machado Ferreira

Eu ainda era pequenina e o meu pai, um gigante! Era assim que eu o enxergava! A sua mão era enorme, firme, pesada... Mas, quando ele a repousava sobre a minha cabeça, na forma de carinho, não passava de uma pluma.

A sua voz forte, qual um trovão em tarde de tempestade, às vezes, sem qualquer ato deliberado, fazia tremer os vidros da cristaleira. Os seus passos dentro de casa eram de um gigante! Um gigante empreendedor, de poucas letras, mas com larga visão da vida e do mundo.

Ele, invariavelmente, o meu herói! E eu, a sua pequena aliada! Um dia, mamãe, adoeceu de cama. Enfraquecida pela moléstia, não podia tocar os afazeres da cozinha. O meu pai não hesitou. Tomou o avental, mesmo desajeitado, pilotou o fogão a lenha.

É verdade! Sem a devida intimidade com essas tarefas, alguns pedaços de pratos e copos espalhavam-se pelo chão. Não obstante a sua reduzida paciência, ele se continha e sorria, no que eu o acompanhava. É certo que nessas horas de dificuldade, ele achava graça! E, dessa forma, não contrariava a minha mãe.

Em uma das vezes, em nossos veraneios no Povoado Rita Cacete, numa manhã de sol, fomos ao banho no Rio Comprido. A correnteza estava forte e eu, ainda pequena, não conhecia os perigos nem os espinhos da natureza. Joguei-me na água e fui levada. Gritei! Meu pai, com a ligeireza de um felino, pulou, e, mais que de repente, me salvou! A sua primeira atitude, nada de castigo físico, nem repreensão.

- Minha filha, não deixe a sua mãe saber!

Algumas vezes, ele era o meu companheiro nas brincadeiras. A minha predileta, o esconde-esconde. Para isso, o espaço compreendia, a nossa casa - imensa para os padrões da época - à qual se anexava uma vila de quartos de aluguel, bem como as instalações de um moinho de fubá de milho, onde ele, diuturnamente, enfrentava o embate da vida.

Ainda a propósito do esconde-esconde, vezenquando ele se escondia de tal forma, que eu não o encontrava, embora conhecesse todos os cantos e recantos do ambiente da brincadeira. Nessas ocasiões, eu, ainda uma criança, fazia beicinho e abria o berreiro. Resultado: imediatamente ele aparecia... e as minhas lágrimas secavam. Era muito bom! Este recurso sempre dava certo e, sem o saber, me rendia dividendos!

É verdade! Há dois anos, a brincadeira quase a mesma! O local do esconde-esconde, a sua fazenda no Povoado Rita Cacete. Eu morava longe, distante... quase não chego a tempo de vê-lo encaminhar-se para um esconderijo especial, no Alto, bem perto de Jesus Cristo. Ainda hoje, eu sinto a sua ausência, procuro-o seguidas vezes e tantas outras, mas não o encontro.

Também é verdade! Certos dias, recorro ao recurso do beicinho. E, sem êxito, choro um choro mais contido. Imagino que ele escuta, mas não aparece, continua escondido. Tenho certeza, porém, que de lá, onde se encontra - imagino o céu - ele há de me dar forças para suportar a dor que ainda hoje me esmaga o coração!

(*) Esposa do Associado Laurindo Ferreira

 

Casório do Barulho  

Sem a vogal “E”  

Ubatuba de Miranda

 A Maroca do Ripardo, moça já trintona, nutria um namoro com o primo Anastácio, um tipo cabuloso, rococó. O amor dos dois fora obra do acaso, numa noitada junina.

Andara o rapaz, por um lustro, na Amazônia, mundão longínquo, assombroso. Na volta, com o lucro da borracha, juntara um tanto. Vinha orgulhoso, baludo, carranca dura, os bolsos tinindo das notas.  

O casório um arranjo ocasional, ficara logo marcado para o dia por todos aguardados daí a quatro luas.

A população do “Angico” abalara toda, aguardando a data marcada para a união dos primos, no vínculo matrimonial, ato sisudo da vida. Os matos andavam num alvoroço. A barraca dos convivas tumultuava com as músicas do grupo vocal trazido do “Mucambo”, tocando sambas tropicais. Vinham os convidados montando cavalos ariscos, fogosos no galopar. Paravam à porta da barraca.

Sábado, o sol brilhando nas alturas. Furdunço. Animação. Os líquidos, os “tragos” tomando conta do juízo dos convivas acostumados no consumo da água impugnada por todos os passarinhos.

As quatro horas o vigário Sigismundo, acompanhado do sacristão Filismino, faz a união do paroara com a Maroca.

Assistindo tanta folia, o aboiador Cacildo, do mourão do curral, ao lusco-fusco, rosnou, afoito, filosofando: “Nunca vi casório com barúio cujo final não vá acabar no choro baixo do disconsolo”.

Praga danada, praga suja, pois daí a oito dias o Anastácio aplicava, por conta, a tunda inicial, a cipó do rio, na Maroca do Ripardo.  

-          Genitor do associado Nilo Tinoco Miranda

-          Ex-membro do Conselho Fiscal do Banco do Nordeste

-          Faleceu em 05.08.1976

-          Este trabalho foi publicado no jornal O Povo de 21.03.1972

 

RIBAMAR - O INTELECTUAL E O HOMEM

 

 

Poeta, contista e cronista, Ribamar era figura merecedora do maior destaque dentre as muitas que constituem o rico patrimônio intelectual e humano do BNB.

Mais por sincero impulso afetivo do que por mera formalidade, gostaria de enaltecer, com a profundidade e brilho devidos, alguns aspectos não só do seu legado literário como, também, de seu perfil humano.

Quanto à primeira pretensão, cumpri-Ia além do limite da mera opinião pessoal, embasada no prazer de minha leitura pessoal da diversificada obra dele, demandaria tempo e preparo que reconheço fora do meu alcance. Desafio que, felizmente, vem sendo enfrentado pela Diretoria da AABNB ora já empenhada em adiantadas providências nesse sentido.

Resta-me, portanto, restringir-me à segunda pretensão como se verá, a seguir.

De início, convém esclarecer que, dada minha relativamente curta convivência com José de Ribamar Lopes, dela procurarei ressaltar apenas algumas passagens que me pareceram mais significativas.

Apesar de, ao longo de vários anos, compartilharmos o mesmo local de trabalho - edifício sede do Banco do Nordeste do Brasil - só nos conhecíamos, como vulgarmente se diz, de vIsta. Mal sabia eu que naquela figura simples e franzina, com quem freqüentemente cruzava caminho, na vida profissional cotidiana, habitava um notável talento literário, consagrado em vários concursos Nacional, Estadual ou Municipal.

Passamos a nos conhecer mais intimamente há pouco mais de dois anos - até sua recente e repentina morte - como integrantes de um grupo de aposentados benebeanos, constituído com a finalidade de realizar atividades literárias de natureza diversificada, dentre elas a publicação de um Encarte Cultural bimestral no Jornal da AABNB.      

Esse relacionamento parece-me ter sido uma gratificante descoberta mútua de dois amantes do mundo literário, em seus múltiplos aspectos, a ponto de a curta convivência ali iniciada revestir a forma de uma dimensão atemporal.

Por sua bagagem e maior vivência literárias, Ribamar pontificava, sem vaidade, dentro do nosso grupo, como figura proeminente. A sabedoria, o bom humor e a benevolência, com que se relacionava com todos nós, eram a marca registrada de sua participação nas reuniões.

Uma das últimas visões de sua figura, captada pela minha retina - ocorrida na solenidade de posse da última diretoria da AFBNB, no BNB Clube, na ocasião em que era tocado o hino nacional - proporcionou-me a oportunidade de descobrir um insuspeitado e dignificante traço de sua personalidade. A posição física contrita, uma das mãos discretamente espalmada no peito, a expressão facial compenetrada, perpassaram-me a idéia de que, tal como com o idioma português, ele também cultivava patriótico zelo com aquele símbolo nacional.

Certa feita, pedi-lhe que me ensinasse a fazer poesia. Um bondoso sorriso aflorou-Ihe nos lábios, como resposta, da qual deduzi a seguinte mensagem:

- " Pedro, produzir poesia, ou qualquer obra artística, é para quem pode e não para quem quer".

Nesse momento em que, com essa modesta redação, procuro reverenciar sua memória, constato a sabedoria do seu ensinamento. As palavras que acima escrevi não são as calorosas e coloridas que gostaria de registrar. Apesar de frias e descoloridas, são as melhores que pude arrancar de meu pobre arsenal semântico e sentimental.  

Pedro Hudson de Paiva Silveira

Associado da AABNB

 

 NOVO TEMPO


Quando o amor me refizer de novo
E a vontade de amar tiver no clima
Liberta-me da amarra e do estorvo
E serei uma trova respirando rima

E serei uma rima respirando trova
Quando o egoísmo não tiver espaços
E já morrendo se enterrar na cova
Que foi cavada nesses longos passos

Quanto outro tempo enxugar o pranto
Que deixei no outro espelho ao canto
Imune eu fico pra fazer meus versos

Serei eu mesmo o dono desta estrada
Sem hora certa de partida e chegada
A refazer meus sonhos tão dispersos  

 

João Alencar Sobrinho

Associado da AABNB

A edição de julho/2006 do Jornal da AABNB traz um “encarte especial” onde reproduz quatro artigos publicados no Jornal O Povo, de Fortaleza, no dia 18/07, alusivos aos 54 anos de fundação do Banco do Nordeste do Brasil. Assinados pelo presidente do BNB, Roberto Smith; pelo Ministro da Integração Nacional, Pedro Brito; pelo professor-doutor José Sydrião de Alencar Junior, superintendente do Etene; e pelo presidente da AABNB, José Edson Braga, os artigos fazem uma reflexão sobre a importância do BNB para o desenvolvimento do Nordeste. A fundação do Banco, sua trajetória, a atual administração e a projeção de um novo tempo para a Região foram contempladas na página temática publicada no O Povo, pela passagem dos 54 anos do BNB.


O BNB e o desenvolvimento nordestino

Decorridos mais de cinco decênios, percebe-se, hoje, quão feliz e acertada foi a idéia de sua criação. Na verdade, o Nordeste brasileiro é um antes do BNB e outro depois dele

José Edson Braga

18/07/2006 03:21

O Banco do Nordeste do Brasil S/A está completando 54 anos de feliz e profícua existência e ação para o desenvolvimento do Nordeste brasileiro e do País.
Criado aos 19 de julho de 1952, através da Lei nº 1649 e fruto da Mensagem nº 363 do Governo do Presidente Getúlio Vargas, o BNB foi concebido numa época em que, pelo menos para o cenário brasileiro, o conceito de desenvolvimento econômico e o financiamento do Mercado de Capitais ainda eram um tanto insipientes.

Estruturado como uma Sociedade Anônima com a finalidade de congregar as poupanças locais, sobretudo as governamentais, e com a função de financiar os investimentos destinados a iniciar uma nova era econômica para a Região, o BNB tornou-se uma Instituição singular na estrutura administrativa do País.

Sob o impacto natural das polêmicas provocadas pelo secular problema da seca no Nordeste, e com o propósito suprapartidário de dar início a uma nova fase na luta pelo desenvolvimento do Nordeste, baseada na experiência passada e dentro da moderna técnica do planejamento regional, o BNB imprimiu ao estudo e à solução do problema nordestino uma definida diretriz econômico-social.

Daí o seu crescimento e a sua consolidação como uma das experiências de maior sucesso dentre os bancos de desenvolvimento regional de toda a América Latina, hoje copiada, inclusive, em outros Continentes , apesar de periódicas e infundadas tentativas neoliberalistas de esvaziamento e mesmo destruição, contra as quais tanto as verdadeiras lideranças da Região como seus funcionários ativos e aposentados têm tanto lutado.

Que fatores contribuíram para esse sucesso? No nosso entender e, dentre outros, quatro são fundamentais: primeiro, o modelo original como foi concebido; segundo, a maneira pela qual a Instituição foi administrada, sobretudo, nos anos críticos de sua formação e consolidação; terceiro, o esforço realizado na conscientização de sua importância e capacitação dos seus recursos humanos, cujo reflexo se observa na constante presença de seus técnicos nos mais diversos cargos públicos municipais, estaduais e federais; quarto, os mais variados e importantes estudos sócio-econômicos sobre a Região realizados pelo Etene ao longo do tempo, que têm proporcionado investimentos adequados e a correção de rumo na aplicação dos recursos que lhe têm sido destinados.

Decorridos mais de cinco decênios, percebe-se, hoje, quão feliz e acertada foi a idéia de sua criação. Na verdade, o Nordeste brasileiro é um antes do BNB e outro depois dele. O negativismo de ontem e os sentimentos de inferioridade, que dominavam o nordestino diante de seus problemas seculares, foram substituídos por uma atitude de confiança no poder da ação humana, sempre alicerçada na fé divina. E o BNB tem sido, salvo raríssima e infeliz exceção draconiana da era tucana em que sua privatização esteve sendo preparada e sua ação reprimida, um dos principais responsáveis pelo atual desenvolvimento do Nordeste brasileiro, cujos resultados só não se apresentam mais eficazes ainda, face o esvaziamento de que, inescrupulosamente, tem sido vítima desde a era Collor, e de uma maneira mais intensa nos tempos de FHC e de seus capachos.

Tanto assim que, no Governo Lula, e sob o comando do paulista-cearense Dr. Roberto Smith, o BNB reencontrou o seu caminho de tantos anos, cujos frutos, de já tão notórios, não podem nem devem ser interrompidos, sob pena de perigoso retrocesso para o seu povo, para o Nordeste e para o País.

JOSÉ EDSON BRAGA é presidente da AABNB- Associação dos Aposentados e Pensionistas do BNB.  

Uma boa lembrança

O Banco do Nordeste, que a minha geração ajudou a consolidar, é um instrumento valioso para a implementação da Política Nacional de Desenvolvimento Regional

Pedro Brito

18/07/2006 03:21


Sou um dos modestos remanescentes de uma geração de profissionais formada pelo Curso de Aprendizagem Bancária do Banco do Nordeste. Idealizado na década de 50 por Raul Barbosa, um dos maiores presidentes que o BNB teve ao longo dos seus 54 anos de intensa vida agora completados, esse curso abrigava jovens de até 15 anos de idade que aprendiam, na prática, as múltiplas tarefas da atividade bancária. Foi nele que moldei o meu caráter e descobri minha vocação; é por causa dele este curto testemunho.

A mais recente história econômica, social e cultural desta região tem tudo a ver com a história do Banco do Nordeste. Foi o BNB que produziu o Etene, de cujos estudos e publicações muito se valeram Celso Furtado e sua equipe para a criação da Sudene. Foi o BNB que, no começo dos anos 60, emprestou seus técnicos para que os governadores dos estados do Nordeste pudessem, pela primeira vez, agregar à gestão pública o planejamento estratégico. Foram os técnicos do Banco do Nordeste os responsáveis pelos primeiros planos de desenvolvimento e pela criação das primeiras agências estaduais nordestinas de fomento.

O Ceará é um exemplo pronto e acabado do que afirmo: foram os técnicos do BNB que imaginaram a Codec, o Bandece e a Sudec, embriões do processo de industrialização que o Estado experimenta desde o primeiro governo de Virgílio Távora, de 1963 a 1967. Dessa época até aqui, têm sido os meus colegas do BNB os mais eficientes secretários de finanças das capitais e dos estados nordestinos. E a iniciativa privada regional, que tem olhos e sentidos aguçados para localizar e atrair grandes talentos, já lista entre seus principais executivos de hoje especialistas em desenvolvimento econômico ou em gestão financeira egressos dos quadros do BNB. É a eles, especialmente, que me dirijo neste espaço.

O Banco do Nordeste, que a minha geração ajudou a consolidar, é um instrumento valioso para a implementação da Política Nacional de Desenvolvimento Regional. Sob o comando firme do professor Roberto Smith, o BNB retomou sua função de incrementador do desenvolvimento nordestino. As aplicações do FNE, ferramenta constitucional para alavancar micro, pequenos, médios e grandes empreendimentos da iniciativa particular, vêm batendo sucessivos recordes, gerando mais emprego e mais renda.

Ao Banco do Nordeste, pois, não apenas o meu preito, mas a gratidão de todos os nordestinos, principalmente os mais pobres.

PEDRO BRITO é ministro da Integração Nacional 

História e compromisso

O BNB tem tido uma parcela de responsabilidade na melhoria na distribuição de renda regional, e na diminuição do contingente populacional situado abaixo da linha de pobreza

Roberto Smith

18/07/2006 03:21


"Quando o passado deixa de clarear o futuro, o espírito tateia no escuro"
Tocqueville


O BNB é um produto da história, com missão bem definida e que tem buscado a luz do seu passado para clarear os caminhos do desenvolvimento regional. Como agora mesmo, na passagem dos seus 54 anos.

O BNB surgiu, em 1952, com o Bndes e o CNPq, na edificação do Estado nacional do 2º governo Vargas (1951-1954), sob os influxos do planejamento e da Conferência de Bretton Woods, que, dos escombros da 2ª Guerra, com novas instituições, como o Banco Mundial, preparava a reconstrução de um mundo abalado. Era um banco especial, "precipuamente incumbido de planejar e executar um autêntico programa assistencial adstrito às peculiaridades do meio", que disporia de um escritório técnico de estudos e planejamento econômico, que viria a ser o Etene. O BNB começa a operar em 1954. A fonte principal de recursos do BNB, o Fundo das Secas, acanhada diante dos desafios do Nordeste, é extinta em 1967. Já a partir de 1964, o Banco para operar depende dos depósitos do 34/18 da Sudene. Apesar dessas limitações, nos seus primórdios introduziu na Região a idéia e a prática do planejamento e da modernidade administrativa. Formou quadros tanto para si quanto para os setores público e privado. Realizou os primeiros estudos econômicos básicos da Região, que deram suporte importante na criação da Sudene.

No início, a Sudene vive a sua fase de ouro, com forte apoio do governo federal. Nesse processo, segundo Celso Furtado: "O Banco do Nordeste ajudou muito. Ele nasceu antes da Sudene, tinha um quadro de pessoal bom e foi decisivo na primeira fase. E ele sempre foi preservado da politicagem