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JULHO/2007
Diretoria
aprova nova Campanha de Premiação Especial!
A
Diretoria da AABNB aprovou neste mês de julho a realização
da Campanha de Premiação dos associados, que chega à sua
terceira edição. Criada em 2003, a promoção tem o
objetivo de reverter para o próprio quadro social, em forma
de premiação pecuniária, parte das contribuições dos
seus sócios. Na primeira edição, em 2003, a campanha
distribuiu mais de R$ 38 mil em prêmios aos 20 associados
contemplados naquela oportunidade. Já a segunda edição,
em 2005, contou com mais de R$ 61 mil para a premiação dos
100 sócios contemplados em sorteio realizado com base na
extração da loteria federal.
O
regulamento e a planilha de custos da atual campanha já estão
sendo formatados, e deverão ser mantidas as condições básicas
que nortearam a realização do concurso anterior. Todos ao
associados serão contemplados pela promoção, recebendo,
cada um, o cupom para o grande sorteio que será realizado
no final do ano. No entanto, só terão direito ao
recebimento dos prêmios, conforme prevê o regulamento, os
associados - aposentados ou pensionistas, que estiverem
rigorosamente em dia com suas contribuições, até a data
de realização do sorteio. O grande sorteio será efetivado
com base na extração da Loteria Federal, de 24 de novembro
de 2007, e o prêmio maior poderá ser de R$ 25 mil. Na próxima
edição, o jornal da AABNB trará outras informações e
divulgará o regulamento da campanha.
Balanço
Patrimonial obtém mais de 97 % de aprovação
O Corpo Social da AABNB realizou, democraticamente, em votação
aberta, a avaliação do Balanço Patrimonial e da Demonstração de
Resultados da Associação referentes ao exercício 2006, através de
consulta realizada no dia 20 de junho de 2007. A prestação de contas
e o demonstrativo dos resultados obtiveram 97,5 % de aprovação
daqueles que compareceram aos locais de votação.
Na oportunidade, tanto em Fortaleza quanto nas Representações,
os associados também aprovaram o parecer do Conselho Fiscal e o Relatório
da Diretoria, referentes às ações desenvolvidas pela Direção
Geral no ano anterior. A Diretoria agradece a participação efetiva
do Corpo Social e salienta que a decisão, através do voto, após a
análise crítica desses dados, publicados em encarte especial na edição
de maio do nosso jornal, demonstra a preocupação dos associados em
zelar pelos interesses da AABNB.
Capef
Investimento
em tecnologia deve melhorar atendimento
A
Capef informa que implantou no mês de junho o seu novo
Sistema de Relacionamentos, com o objetivo de melhorar o
atendimento dos seus participantes e assistidos. A Caixa
alerta que, durante a fase de transição, os sistemas
funcionarão simultaneamente, podendo ocasionar eventuais
congestionamentos.
O investimento tem por objetivo
aperfeiçoar a qualidade da prestação de serviços, em
sintonia com os novos desafios que serão enfrentados num
futuro próximo, especialmente quando do lançamento e
operacionalização do Plano CV. A empresa adquiriu uma nova Solução
de Relacionamento, capaz de integrar todas as atividades e
áreas direta ou indiretamente ligadas ao atendimento
prestado aos participantes e assistidos. Além da aquisição
desse software, também foi desenvolvido,
internamente, um novo sistema de atendimento (SIAT),
que fornecerá as informações coletadas dos diversos
sistemas de que faz uso a Central de Relacionamentos.
Coluna
Nossa Gente
A
Diretoria da AABNB lembra aos senhores Representantes e demais
associados que a Direção Geral está recebendo a indicação de
nomes que possam ser focalizados pela Coluna Nossa Gente. Esse
trabalho, como o leitor tem acompanhado, visa homenagear os colegas
que ao longo da carreira desenvolvida no BNB, tenham amealhado um
grande círculo de relacionamentos, conjugando sentimentos de
respeito, amizade e admiração junto aos demais colegas.
Anapar
criará plano de previdência
O Conselho Deliberativo da Anapar aprovou a criação de um plano de
previdência – Anaparprev – que será administrado pela Fundação
PETROS de Seguridade Social. Para iniciar as adesões e para que o
plano entre em funcionamento é necessária sua aprovação pela
Diretoria e Conselho Deliberativo da Petros e, posteriormente, pela
Secretaria da Previdência Complementar.
A
Anapar será instituidora do plano e, para fazer sua adesão, o
participante, necessariamente, precisa estar associado à Anapar,
conforme determina a legislação. O estatuto da entidade permite a
filiação de participantes de planos de previdência fechados e
abertos, bem como de seus familiares. A intenção da entidade é
atender a uma demanda colocada pelos associados e oferecer a
oportunidade de participantes e seus familiares de terem acesso a
plano de previdência de qualidade e a custo acessível.
A
diretoria da entidade negociará a criação de planos em outras
entidades de previdência. Há outros fundos fechados interessados em
administrar plano instituído pela Anapar.
Benefício vitalício e de risco
– Os planos instituídos por associações e órgãos de classe
devem ser, obrigatoriamente, na modalidade de Contribuição Definida.
É permitida a concessão de benefícios de risco (morte e invalidez),
desde que contratados em companhia seguradora.
A contribuição mensal ao plano Anaparprev será definida pelo
participante a partir de um valor mínimo de R$ 50. No momento da
aposentadoria, o participante optará por um benefício por tempo
determinado (de 10 a 25 anos) ou por tempo indeterminado. Neste caso,
o valor do benefício será calculado por equivalência atuarial no
momento da aposentadoria, e será revisto anualmente, de acordo com o
saldo de conta. Ao final, o benefício poderá ser revertido em pensão
por morte. Desta maneira pode-se garantir um benefício vitalício,
com reversão para pensão.
O participante poderá contratar benefício de risco –
aposentadoria por invalidez e pensão por morte de ativo. Para ter
este direito, deverá fazer contribuições mensais a pecúlio
administrado por seguradora, escolhendo o valor da importância
segurada. Ocorrido o evento de invalidez ou morte, o valor do pecúlio
contratado será revertido para o plano Anaparprev para a contratação
do benefício de risco correspondente.
A taxa de administração será de 6% das contribuições
mensais, não existindo taxa de carregamento. Ou seja, toda a
rentabilidade líquida das aplicações será revertida para a reserva
do participante, antes e depois da aposentadoria.
O plano será acompanhado por um Comitê Gestor, a ser constituído
por membros indicados pela Petros e pela Anapar e por representantes
eleitos pelos participantes. (fonte:
www.anapar.com.br)
Novos
Associados
A
Diretoria da AABNB saúda os aposentados que ingressaram em
nosso quadro social nos meses de maio, junho e julho. Aos
novos colegas, nossas boas-vindas e a certeza de que as
novas adesões representam não apenas o crescimento, mas o
fortalecimento desta AABNB.
Ademar
Gonçalves Pereira..........Natal/RN
Ana
Mª. de S. Marques................Salvador/BA
Auvanildes
Araújo Feitosa...........Aracaju/SE
Célia
Marta S. de Souza..............Salvador/BA
Cristovam
Lins.............................Maceió/AL
Edmilson
Garcia de Araújo..........Salvador/BA
Eliza
Mª de Araújo A. Mota.......... F. de Santana/BA
Francisco
da Silva Oliveira...........Fortaleza/CE
Heribaldo
Oliveira Santos............Simão Dias/SE
Hugo
Góis Freire.........................Aracaju/SE
Jackson
Matos Vieira..................Aracaju/SE
João
Bosco Pita Santos..............Tobias Barreto/SE
João
Evangelista de S. Guerra....Salvador/BA
José
Julio M. Tôrres.....................Fortaleza/CE
José
Maria Costa.........................Simão Dias/SE
Judite
Bonfim dos S. Patrício.......Salvador/BA
Lenalda
Gomes de Oliveira..........Aracaju/SE
Luiz
Serra Azul Jr.........................Salvador/BA
Luiza
L. Timbó Martins.................Fortaleza/CE
Mª.
Angélica Vieira Pinto..............Fortaleza/CE
Mª.
das Graças B. Coutinho.........Aracaju/SE
Mª.
das Graças G. Bezerra...........Fortaleza/CE
Mª.
Marina Lima Freire..................Fortaleza/CE
Mª.
Terezinha de S. Silva.............Aracaju/SE
Maria
do Socorro Lima..................Floriano/PI
Maria
Inês Carneiro......................Montes Claros/MG
Maria
Neuda P. Vieira...................Fortaleza/CE
Marlene
Paixão da S. Oliveira......Aracaju/SE
Murilo
Bessa Milhome...................Fortaleza/CE
Vera
Lúcia Borges........................Montes Claros/MG
Governo
alerta: Fundos de Pensão
devem
reduzir exposição a risco
Com a trajetória de queda dos juros, a Secretaria de
Previdência Complementar, SPC, passou a recomendar aos
Fundos de Pensão para que realizem com maior cautela suas
aplicações, a fim de reduzir o grau de exposição a
riscos. Nova determinação nesse sentido poderá vir em
forma de resolução do Conselho de Gestão de Previdência
Complementar – CGPC, órgão que atua na regulamentação
do setor.
A Previ, dos funcionários do Banco do Brasil, maior
fundo de pensão do país, registrou no ano passado um superávit
de R$ 15,9 bilhões. No mês anterior, o fundo informou que
estuda o que fazer com os superávits que vem obtendo nos últimos
anos. Uma das possibilidades é a devolução de contribuições
aos participantes. Atualmente, 70% dos ativos dos fundos de
pensão estão aplicados em renda fixa – títulos públicos.
Com a redução da Selic (taxa básica de juros), as
entidades começam a se preocupar em encontrar novos
“produtos” para aplicar seus recursos e garantir a eles
uma boa rentabilidade. A maioria dos fundos estabelece 6% ao
ano mais a inflação como meta para retorno de suas aplicações.
Diante da trajetória de queda de juros, as entidades podem
se ver obrigadas a fazer investimentos mais arriscados para
atingir essa meta e cumprir suas obrigações atuais e
futuras com os participantes.
A SPC avalia que o mais prudente é que os fundos
utilizem mecanismos que possam aperfeiçoar a política de
investimentos, evitando uma exposição excessiva. Ou seja,
reduzam suas metas de rentabilidade e reservem os recursos
excedentes do superávit para honrar suas obrigações com o
pagamento dos benefícios. O secretário de Previdência
Complementar, Leonardo Paixão, informou que está nos
planos da SPC regulamentar os dispositivos da legislação
em relação à política de investimentos. A Associação
Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência
Complementar (Abrapp) informou que ainda não tem uma posição
definida sobre esse tema, mas já debate a questão
internamente. (fonte: Folha de São Paulo)
Empréstimo
fácil pode ser uma armadilha
Reportagem
da revista Carta Capital (edição nº 438), intitulada “A
armadilha do crédito”, aborda a questão do
superendividamento do consumidor brasileiro diante das
facilidades para obtenção de empréstimos e
financiamentos. A revista destaca que a oferta de empréstimos
triplicou em seis anos, passando de 70 bilhões de reais,es
de reais 0 bilh a em
fevereiro de 2001, para 200,6 bilhões de reais, em
fevereiro deste ano. Se por um lado essa realidade é
positiva para a economia, por outro, favorece o aumento da
legião de consumidores superendividados, seduzidos pela
publicidade do dinheiro fácil, assinala a reportagem. Neste
cenário, o empréstimo consignado, com desconto no
contracheque, oferecido aos aposentados e servidores públicos,
já responde por 55 % do total do crédito pessoal.
Segundo
informações do Banco Central, a taxa de juros para pessoas
físicas nas agências bancárias foi, em média, de 51, 7 %
ao ano, em fevereiro. Nesse ritmo, a dívida contraída
dobra o seu valor nominal a cada dois anos, gerando um
endividamento crítico, sobretudo se levarmos em conta a
projeção de inflação, estimada em torno de 4,5% para
2007. A elasticidade do prazo de financiamento desvia a atenção
do consumidor em relação ao custo total do empréstimo e
acaba induzindo à aceitação de uma dívida que,
inicialmente, se ajusta orçamento mensal do devedor. Isso
pode ser o passo inicial para o ingresso na “roda-viva”
do empréstimo fácil, oferecido sem burocracias, e que pode
se tornar uma armadilha para o endividamento crônico.
Pesquisa
realizada no sul do país, entre famílias (endividadas) que
ganham até cinco salários-mínimos, detectou que 80 % dos
que haviam contraído crédito eram tomadores passivos. Em
57 % dos casos, o consumidor não recebeu cópia do contrato
e em apenas 37 % dos empréstimos o credor deixou claro o
total a ser pago. Alguns órgãos de defesa do consumidor já
estão ampliando suas ações de combate ao
superendividamento e de conscientização do consumidor para
evitar a armadilha do “dinheiro fácil”. (fonte:
revista CartaCapital)
Notícias
do Brasil
A
Polícia Federal e o combate à corrupção
A
revista Caros amigos, na
edição do último mês de maio, trouxe uma reportagem
especial a respeito do trabalho desenvolvido atualmente pela
Polícia Federal. A matéria traça um panorama que ajuda a
entender as principais alterações ocorridas na PF nos últimos
anos, incluindo mudanças internas, como, por exemplo, a própria
postura do policial federal; de ordem administrativa, com o
incremento do aparato técnico e das condições de
trabalho; e, principalmente, com o redirecionamento do
trabalho de campo, que passou a priorizar as grandes
investigações, com a prisão dos chamados “peixes
grandes”, em operações especiais, que estampam as
primeiras páginas dos jornais e abrem os principais
telejornais do país. A reportagem também aborda as deficiências
da corporação, a exemplo das dificuldades enfrentadas na
realização do trabalho nas áreas de fronteiras.
Segundo
a reportagem, já são mais de 119 mil
operações de rotina, realizadas desde o início do
governo Lula. O número de inquéritos policiais saltou de
1.027 casos, em 2002, para 18.641 inquéritos em 2005. A
quantidade de pessoas libertadas do trabalho escravo subiu
de 1.741, em 2002, para 3.993 no ano retrasado. Mas o que
chama à atenção são as operações especiais, que
saltaram de nove, em 2003, para 42, em 2004, 67 em 2005 e
178 no ano passado. São investigações que contam com uma
quantidade grande de policiais em cada diligência,
inclusive interestaduais, para desvendar crimes de toda a
ordem, envolvendo cifras milionárias e com a participação
de gente muito poderosa. (fonte: revista Caros
amigos)
Mudanças
no agendamento eletrônico do INSS
O
atual sistema de agendamento do INSS está em vigor desde o
mês de junho de 2006 e abrange toda a rede de atendimento
da Previdência Social. O segurado pode agendar o dia, hora
e a Agência da Previdência Social na qual deseja ser
atendido. No caso do convênio INSS-Capef-BNB, todos os
processos de aposentadoria estavam sendo agendados
normalmente desde a implantação do sistema, porém, os
processos eram concedidos bem antes da data agendada pelo
sistema. Por exemplo: no dia 01/05/2007, solicitamos, através
do sistema de agendamento, o atendimento para um determinado
processo, cuja data agendada ficou para 10/06/2007. Neste
caso, seriam 41 dias de espera para ter o processo
concedido.
Por
força do Convênio, essa espera nunca acontecia, pois o
INSS concedia nossos processos em, no máximo, uma semana após
o dia solicitado, ou seja, havia um atendimento diferenciado
para o nosso Convênio, o que reduzia bastante o tempo de
espera para os processos que não continham nenhum
tipo de pendência. A partir de agora, entretanto, o sistema
de agendamento eletrônico da Previdência Social passará a
vigorar, também, rigorosamente, para os Convênios mantidos
com o INSS.
Assim,
informamos que a principal mudança está relacionada ao
prazo de concessão dos benefícios, que serão ampliados de
uma semana para, no mínimo, um mês. Esclarecemos que a
data da vigência das aposentadorias e pensões requeridas
valerá a partir da solicitação e não da data agendada
para atendimento, o que garante a compensação do tempo de
espera.
Coluna
Nossa Gente!
O alagoano Amerino Alves de Carvalho iniciou sua
carreira no BNB em novembro de 1954, na agência Maceió,
onde ingressou na função de Contador. A responsabilidade
do cargo inicial estava ancorada em sua experiência
profissional e em sua qualificação técnica. Formado em
Contabilidade, Amerino Alves já havia trabalhado em outras
duas instituições bancárias: no Banco de Alagoas exercera
a função de escriturário, e foi Chefe de Cobrança do
Banco do Povo, de Pernambuco, na agência daquela Instituição
em Maceió.
No BNB, também exerceu a função de Contador na agência
de Aracaju. Depois, seguiu para Fortaleza, onde passou por
um estágio de quatro meses, na sede do BNB, sedimentando a
sua preparação para o nível gerencial. Como resultado,
assumiu a Gerência da agência de Montes Claros, em Minas
Gerais, onde permaneceu por três anos. Voltou, depois, para
a agência Aracaju, na função de Gerente, ao realizar um
intercâmbio com o colega daquela unidade, que foi para
Montes Claros. Mais tarde, numa reunião de gerentes, em
Fortaleza, recebeu o convite para ser Auditor. Exerceu esta
função até à sua aposentadoria, em 1969. Depois da
aposentadoria, ainda trabalhou durante 12 anos, no BNB Clube
de Fortaleza, onde exerceu a função de Contador. A dedicação
maior à família não o impede, atualmente, de reservar um
tempo para realizar atividades em seu computador pessoal.
Amerino Alves de Carvalho é Nossa Gente!
Contador
e Economista, Pedro Hudson de Paiva Silveira ingressou no
BNB em dezembro de 1957, através do concurso que
selecionava técnicos para o Etene, Escritório Técnico de
Estudos Econômicos do Nordeste, onde exerceu a função de
técnico econômico durante um ano. Depois, foi transferido
para o Departamento Rural, onde assumiu como técnico de
desenvolvimento econômico, no Setor de Investigações Agrícolas.
Também foi chefe adjunto neste setor, onde trabalhou
durante quase 30 anos, até à obtenção da sua
aposentadoria, em 1987. Residiu na cidade de Viçosa, em
Minas Gerais, por dois anos, onde fez pós-graduação em
Economia Rural.
Pedro
Hudson conceitua o BNB como um divisor de águas do
Nordeste, ao afirmar que o Banco “ajudou a mudar a
mentalidade das elites econômicas e empresariais,
estabelecendo um novo rumo para a região”. Homem de luta
e de larga visão social foi também diretor da AFBNB e
integrante do Conselho Fiscal da AABNB. Faz da leitura não
apenas um hobby, mas o seu passaporte para entender melhor o
mundo. É assim que ele mergulha nos compêndios sobre
psicologia, sociologia, filosofia e economia. Responsável
pela criação do Encarte Cultural no nosso jornal, é um
dos componentes da equipe que publica esse caderno bimensal.
Pedro Hudson de Paiva Silveira é Nossa Gente!
Formado
em Contabilidade pela Escola Técnica de Comércio Pe.
Champagnat, em Fortaleza, Fernando César de Carvalho
ingressou no BNB em setembro de 1957, como assistente
auxiliar, no Departamento de Pessoal. Depois, assumiu a função
de Analista de Crédito, no Departamento Crédito
Cooperativo. Desempenhou a mesma função no Departamento de
Crédito Industrial e, posteriormente, no Departamento de Crédito
Rural, onde permaneceu até à sua aposentadoria, em
setembro de 1979. Em Recife, fez o curso de Contabilidade
Cooperativista. Participou, como bolsista do BIRD, na cidade
do México e representou o BNB no 1º Encontro de
Cooperativistas, realizado no Rio de Janeiro, com o
incentivo do Ministério da Agricultura.
Antes
do BNB, trabalhou no 1º Distrito do DNOCS, em Fortaleza; e
foi Contador, do Quadro Permanente do Ministério da
Fazenda, na Seção de Tributação do Imposto de Renda.
Depois da aposentadoria, foi diretor do Conselho Regional de
Contabilidade, da Associação Cearense de Imprensa e da
Federação Cearense de Futebol. Além disso, foi gerente
geral e diretor financeiro em outras empresas de porte.
Atualmente, integra o Conselho Fiscal da AABNB, onde já
desempenhou esta função em gestões anteriores. Fernando César
de Carvalho é Nossa Gente!
ENCARTE
CULTURAL
GESTO
DE GRATIDÃO
Edson
Gurgel Coelho
A
gratidão é a virtude que nasce do amor. Ela é a lembrança
das pessoas que nos ajudam e que nos estimam; e é ela que
incentiva o nosso coração a retribuir, com dedicação, o
que recebemos de bem na vida.
Muitas
vezes, a gratidão revela a sua maior beleza no sorriso de
agradecimento de uma criança pobre e carente, que nem
sempre pode brincar ou sonhar com as fantasias da infância,
porque convive com as dores da fome e do abandono.
Assim,
é a vida do garoto Pedrinho, de 10 anos, que mora numa
favela e que, manhã após manhã, quando o sol se levanta,
ele vai para a rua e permanece próximo do semáforo, até o
meio-dia. Quando um carro pára, ao sinal vermelho, ele
estende a mão e pede ao motorista uma moeda. Quando recebe,
beija-a; olha para o céu e depois, sorrindo, agradece.
Era
manhã de sábado, quando uma médica, de nome Estelita, que
diariamente trafega naquela rua para ir ao trabalho, percebe
que, naquele momento, Pedrinho estava muito aflito e com lágrimas
saindo-lhe dos olhos.
Então,
ela pergunta:
-
Garoto, por que hoje, você está tão triste?
-
“Tia”, é porque minha mãe está doente e não pode
trabalhar, e, até agora, não consegui juntar dinheiro para
comprar remédios para ela.
-
Senhora, por favor, me ajude! Minha mãe é tudo o que eu
tenho na minha vida...
A
médica, comovida com as lágrimas da criança, chama:
-
Venha cá filho! Entre no carro e vamos a sua casa visitar a
sua mãe!
Em
lá chegando, a doutora se sensibiliza ao ver aquela pobre
mulher – de nome Maria – chorando com dores, deitada
sobre uma toalha, no chão de um barraco sem piso e sem reboco. De imediato,
ela a leva para o seu hospital e dá-lhe toda a assistência.
Dias
depois, Maria, já recuperada e retornando para casa,
encontra, no meio de uma rua, um lindo anel de brilhante.
Chegando em casa, ela pede ao Pedrinho a caixinha do
presente que ele havia ganho, na escola, por merecimento de
suas boas notas.
Depois,
ela coloca o anel na caixinha e fala para o filho:
-
Querido, vamos dar este anel de presente à doutora, como
gratidão por tudo o que ela me fez de bem para me curar, no
hospital!
-
Sorrindo, Pedrinho abraça a mãe e responde:
-
Mamãe, é tão bonito a senhora dar esse anel para a
doutora, porque ela merece muito mais! E, aqui em casa, não
precisamos dele porque já temos dois brilhantes ainda mais
lindos: - os seus olhos castanhos que estão sempre
brilhando para nós! Eu vou também escrever um bilhete para
ela e peço à senhora que assine embaixo e coloque-o dentro
da caixinha.
Assim,
mais tarde, após a aula, Pedrinho se dirige à mãe e lê o
bilhete que escreveu:
“Doutora
Estelita, encontrei este anel na rua, que veio para a
senhora como um presente do Céu. E, nesta caixinha, eu e
meus filhos sopramos muitos beijos para alegrar seu coração
bondoso e agradecer por tudo que a senhora fez por mim, no
hospital.
Que
Deus sempre proteja a senhora, querida!
Maria”.
A mãe, muito
satisfeita, assina o bilhete e guarda-o na caixinha; e, com
o Pedrinho, ela vai ao hospital. No consultório da médica,
entrega-lhe o presente e dá-lhe um afetuoso abraço.
A doutora emociona-se
com esse amável gesto de gratidão e agradece, feliz. Na
despedida, ela ainda pergunta:
-
Pedrinho, por que quando você recebe uma moeda, você a
beija e, sorrindo, olha para o céu; faz o
“sinal-da-cruz” e só depois agradece?
-
“Tia”, quando beijo a moeda, eu estou é beijando o dedo
de Deus, que tocou naquela mão para me dar uma esmola; e faço
o “sinal-da-cruz” para agradecer a Ele e pedir também
proteção para o meu benfeitor.
Surpresa
com tamanha grandeza de espírito da criança e,
sensibilizada com o gesto de gratidão de sua mãe,
Estelita, no dia seguinte, vende o precioso anel, que
recebeu de presente, e, com o dinheiro, compra uma boa casa
e doa à Maria para ela deixar o barraco de taipa e ter,
assim, melhores condições de criar e educar os seus três
filhos pequenos.
BLANCHARD
GIRÃO – UM GRANDE AMIGO
Amigos
todos nós temos. Poderíamos talvez classificá-los sob
graus variados de confiabilidade. Mas não é tarefa fácil,
tal o comumente avultado número deles e as tão pequenas
oportunidades de conhecê-los mais profundamente, ao longo
da nossa convivência.
Minha
convivência com Blanchard remonta ao ano de 1941, quando
ingressamos no LICEU do Ceará, mediante concorrido exame
chamado, na época, de admissão.
Durante
os primeiros anos do currículo escolar, nossas relações
eram, por assim dizer, pontuais, determinadas praticamente
pelo convívio na mesma sala de aula. Explicava esse
distanciamento o contraste entre meu temperamento sério,
retraído e o dele geralmente alegre, extrovertido e
comunicativo.
Só
quando deixamos o Liceu, no ano de 1944, comecei a descobrir
melhor a extraordinária dimensão humana de sua
personalidade.
Esse
período de nossa adolescência foi fortemente marcado pelo
desenrolar da cruenta Segunda Guerra Mundial. Ao deixar o
Liceu entrei na militância política e Blanchard na
atividade jornalística.
Na
medida que conhecia seu pensamento expresso na imprensa e no
rádio, passei a notar que tínhamos visões muito
aproximadas sobre o mundo conflagrado e sobre as tremendas
desigualdades sociais reinantes em nosso país.
Quando
nos encontrávamos podia sentir a profundidade com que ele
analisava os problemas políticos e sociais de nosso tempo e
de nossa sociedade.
Num
rasgo de generosidade, abriu as páginas do seu livro O
LICEU E O BONDE, para transcrever, na íntegra, modesto
depoimento de minha autoria, honraria dispensada, também, a
outros colegas de nossa turma.
Com
grande satisfação constatei que amplos setores de nossa
sociedade local partilhavam de minha opinião sobre o Blanchard, como comprova o mandato de Deputado
Estadual que lhe conferiram, cassado infelizmente pelo golpe
militar de 1964.
Mas
os grandes sofrimentos, a ele infligidos pelos chamados anos
de chumbo da ditadura, não lhe abateram o espírito
combativo. Pelo contrário, fizeram-lhe amadurecer ainda
mais a inteligência privilegiada e o notável talento jornalístico,
dotando-o de armas mais poderosas, usadas até os últimos
momentos de sua vida iluminada, na luta contra a injustiça
e as desigualdades sociais.
Foi
da amizade sincera dessa grande figura humana que o destino
ou Deus me conferiu o privilégio de privar, ao longo de
mais de sessenta anos, que espero se perpetue
em outras possíveis dimensões existenciais!
Pedro
Hudson de Paiva Silveira
Fortaleza,
03.04.2007
MINHA
CRÔNICA N° 999
Laurindo
Ferreira
Mesmo
com relativa experiência no cipoal da produção de textos
burocráticos, não, nunca, jamais, em tempo algum
ocorrera-me a idéia de escrever crônicas, contos e
assemelhados. Na
verdade, somente a partir da metade
dos anos noventa, do século passado, essa atividade
começou a invadir
devagarzinho as minhas terapias ocupacionais. Fato
verificado após um artigo, de minha autoria, ter sido
selecionado pela editoria de um matutino de Fortaleza, para
publicação numa edição especial de aniversário.
Orgulhoso
com o resultado, uma nova investida, e novo sucesso. Em
seguida, mais uma e outras mais.
A partir daí, eis que me descubro incluído no mundo
literário, reinventando realidades ou criando ficções,
pinçadas do imaginário cotidiano. E, hoje, sim senhor,
quem diria! Pense, onde já me encontro!
Exato, à beira de um milhar de crônicas.
Neste
momento em que anuncio o número desta crônica como a de nº
999, reconheço que estou me expondo a perguntas de
leitores, como, por exemplo, se todas elas têm sido
enumeradas com o devido rigor. Se isso vier a acontecer, a
resposta afirmativa será oferecida, sem rodeios, a quem
interessar possa.
Mas,
se essa pessoa ou outra qualquer, ainda me interrogar
desejando saber onde fica inserido o tal número de ordem
dos textos, responderei, simplesmente, encontrar-se em
arquivo paralelo, com o título em negrito, seguindo-se uma
combinação de letras, exibidas entre aspas, a partir,
claro, de uma palavra-chave.
Por exemplo, esta crônica receberá o código
“nnn”, que quer dizer o número consecutivo
999, já acima anunciado.
Pois
bem! Na vertente das premonições, ao visualizar o número
seqüencial deste texto, já experimento o peso do encargo
da crônica 1.000,
numeral tido e havido pela nossa mídia esportiva, como mítico
e cabalístico, tais as dificuldades do pebolista
Romário em marcar o seu milésimo gol. Na realidade,
ele ainda não o fez até o momento da elaboração deste
texto, mas tem dirigido as mais diferentes promessas aos
deuses do futebol.
À
semelhança do martírio vivenciado pelo desportista, só em
pensar na minha milésima
crônica, já me vejo diante de um feito extraordinário
e dulcíssimo, porém amargo. Por exemplo, quando chegar
esse momento, imagino-me com os dedos retesados e
adormecidos, mente dominada pelas dúvidas e múltiplas
incertezas na montagem dos períodos e parágrafos.
De igual modo, sinto, prévia e antecipadamente,
faltarem-me as idéias - estas fujonas - a se ocultarem na
penumbra do meu intelecto, ou, talvez, a se esconderem em
inexplicável bloqueio mental.
Decerto,
ao pensar nesse dia - que em breve virá - já me enxergo
embotado no raciocínio, com reduzida disposição rumo à
descoberta de um mote para tão desejado texto.
Admito-me,
inclusive, à frente do micro, sem nada de novo na imaginação.
Nesse momento, pela dificuldade de superação desse obstáculo, antevejo apenas a brancura
da tela do meu monitor mental, com este escriba, ali,
circunspecto, olhar vago, sem lhe aflorar na mente, sequer,
a lembrança de um aforismo, ou de uma metáfora poética,
porque, nessa hora, suponho esteja enguiçado o motor de
arranque da minha inspiração.
Enfim,
abstraídos os dissabores do entristecido Romário - quem
sabe, merecidos - aqui e agora, com antecedência, imploro e
apelo ao protetor das artes literárias para não me deixar
falhar a criatividade, na hora de me lançar a caminho da
minha crônica n° 1.000!
JOSÉ
DE RIBAMAR LOPES
Luiz
Mendes Filho
Poeta inspirado, talento vibrante, voz envolvente e
sorriso maroto, alegria do Grupo Literário da AABNB, partiu
em solo de clarinete, galgando cada degrau da escada
celeste, deixando a todos nós uma profunda saudade
enluarada.
Seguiu sem avisar, enlutando os corações de tantos
amigos, cite-se Waldir, Syllas, Pedro Hudson, Zé Alberto e
Laurindo, de cujas amizades privava e com quem dividia suas
confidências de escritor.
O
Banco do Nordeste, em reconhecimento aos seus méritos
pessoais, fez publicar seu livro-poema “SAUDADE
ENLUARADA” que, como bem afirma Nícolas de Almeida –
outro grande amigo – é apenas um mínimo, face à
consideração e respeito de amigos e admiradores, por esse
ícone da arte e da poesia nordestinas.
Ausentou-se
o amigo, mas ficou em seu livro o legado de oito sonetos inéditos
e vários poemas de rara beleza, ora povoando a mente de
seus leitores, ora embalando as águas do seu Mearim, sobre
cujo dorso vão rolando seus sonhos de embarcadiço.
Solo
de Clarinete é um de seus poemas inéditos e se compõe,
principalmente, de três dísticos em decassílabo, com
lugar previamente determinado, dos quais destacamos: “O
MEARIM DA MINHA MENINICE”, “O MEARIM DA MINHA
JUVENTUDE” e “O MEARIM DE TANTAS RELEMBRAÇAS”,
seguidos de versos com estrofação variada, sempre em
redondilha maior, recurso usado pelo autor para promover a
cadência e a melodia do poema. Coisa de quem tem talento.
O
MEARIM DA MINHA MENINICE – Aqui o poeta descreve um rio de
águas cristalinas, puras como a sua alma de criança,
alegre, doce, ondulante, como uma valsa de Strauss. É o
menino conjugando o futuro do presente.
O
MEARIM DA MINHA JUVENTUDE – Este, o Mearim dos seus ímpetos
de jovem, traços donjuanescos, narinas mulherengas, só
inspirando o cheiro das mulheres. Agora o seu Mearim é rio
de muitos apelos, rio de tantos acenos, sempre mostrando o
caminho, sem nunca sair dali. É o Riba no presente do
indicativo.
O
MEARIM DE TANTAS RELEMBRANÇAS – “O rio que me embalou
os sonhos de adolescente, que me arrastou no remanso, na
correnteza da vida”, é hoje um rio sem pressa, “em sua
sabedoria, a deslizar calmamente na paisagem de
Pedreiras”.
Eis
o poeta saudoso, com recordanças no peito, relutante em
conjugar o seu pretérito perfeito.
Aceitamos
o seu distanciamento físico, mas, em nossas recordações,
o Ribamar Lopes se parece muito com um daqueles carneiros do
morro da igreja, ornado de veste alabastrina, quieto e
silencioso, sem comer, sem beber, sem balir e sem se
desgarrar. Da gente.
INTERREGNO
João Batista Coelho(*)
Buscando no limiar da imensidão
Véu protetor para os males da vida,
Estamos vencendo uma
luta aguerrida
Que matou mais de cem
do coração!
Encontramos
na velhice o verdadeiro
Elo da sabedoria universal,
Onde
na imensidão gravitacional
Reside
o Onipotente tão ordeiro.
Está
chegando o momento da partida,
Em
busca de solução bem contundente,
Pra
vencer os tormentos desta
lida.
Ora
todos podem olhar para os seus
Acreditando
que na vida presente
Podemos
contar com a ajuda de Deus.
(*)
Associado e Diretor da AABNB,
falecido em 15.08.2002
METADE
DE MIM
João
Alencar Sobrinho
Que
a vida tamanha que trago comigo
Por
motivos bisonhos não me deixe parar
E
o medo não me impeça de ser teu amigo
Porque
metade de mim é um grito de amar
Que
a vida tamanha reflita num largo sorriso
Da
infância que tive e ainda posso lembrar
E
a arte de viver em paz me aquiete contigo
Porque
a outra metade é saudade, preciso sonhar
Que
a vida tamanha me traga somente alegria
Por
entre o silêncio preciso escutar a tua magia
E
transformar em paz o amor que me dá todo dia
Que
a vida tamanha me traga tamanho apreço
Porque
metade de mim é o amor que ofereço
E
a outra metade é tua metade que me fortaleço
CONSTRUÇÃO
Mairton Menezes
Máquinas estridentes
Deixam o solo em convulsão
Sulcando a terra, rasgando o barro
É o eco do progresso...
Surgem do chão profundo
Pepitas de concreto e aços pontiagudos
Amálgama do futuro...
Suor escravo do
presente
Ergue-se lento no febril espaço
Embalado por mãos famintas
Eis enfim o gigante petrificado...
Não importa a fragilidade dos obreiros
Nem o suor e as lágrimas que rolaram
...E as vidas ceifadas nos canteiros?
O que importa é a beleza arquitetônica
O artífice perdeu-se no anonimato.
A
PENÚLTIMA
MENTIRA DO CORONEL
José Alberto de Souza
“A
mentira é um vício apenas quando faz mal;
quando faz
bem é uma grande virtude.”
(Anatole
France - escritor francês)
PARTE
I
Uma
das poucas diversões para as pessoas mais maduras daquela
cidadezinha era a reunião que faziam nas tardes de sábado
(véspera da feira dominical de negócios), no calçadão da
mercearia localizada num dos cantos da praça da igreja.
Às
vezes pouca gente comparecia, mas na maioria mais de trinta
pessoas lá se comprimiam e muitas contavam seus casos
extravagantes. Caçadores, pescadores, camponeses, matutos -
e até forasteiros - davam seu testemunho de estranhos
acontecimentos, usando sua linguagem peculiar e sua
teatralidade natural. Os mais ingênuos acreditavam em tais
estórias; a grande maioria, porém, julgava serem petas e
potocas dos mais variados matizes.
Há
mais de dois meses o coronel Epaminondas, homem abastado do
lugar, em terras e dinheiro vivo como apregoavam, não
comparecia àquele tradicional encontro, gerando uma grande
expectativa pelo seu retorno. Soube-se que ele se deslocara
à Capital (distante cerca de cem léguas) para receitar-se
e rever seus chefes políticos.
A
boa notícia era que ele estaria presente no próximo sábado,
prevendo-se um grande comparecimento à pracinha da igreja. É que
o homem era um exímio contador de estórias espalhafatosas,
mas ninguém, ninguém mesmo, tinha o topete, a ousadia, de
rir ou tentar ridicularizar o coronel, sob pena de sofrer
represálias, que se diziam imprevisíveis. Jamais, em vários
anos de convivência, alguém tivera a coragem de contestar
o que ele dizia, fosse por meio de perguntas inconvenientes,
fosse por risos de deboche altissonantes. Ele se considerava
o expositor da verdade indiscutível, embora suas estórias
contivessem passagens hilariantes e bem distantes da
realidade.
O
fim de semana estava sendo ansiosamente aguardado por amigos
e inimigos do coronel, pois todos esperavam pelo menos uma
mentira à altura da tradição, de modo que nos dias
seguintes as pessoas tivessem o que repassar e ridicularizar
em casa, nos bares e nas rodas de papo da pracinha. A
expectativa era grande, muito grande mesmo.
Finalmente
o sábado chegou e com ele a esperança de reverem o coronel
contando lorotas com o tom de seriedade que lhe era peculiar
nestas ocasiões. Logo no início da tarde, os bares e
mercearias da pracinha começaram a receber futuros
participantes do tradicional encontro de mentirosos e
farsantes, especialmente porque queriam gozar das deliciosas
e mirabolantes estórias do coronel Epaminondas.
Lá
pelas quatro horas da tarde já iniciaram a falar os
primeiros loroteiros.
Um
deles contou que, numa de suas caçadas no Serrote Negro, ao
ser atacado por uma onça pintada, revestiu-se de extrema
coragem e, num lance de muita destreza, pegou a bicha pelo
rabo, deu uma rodada no ar com a monstra e jogou-a a uns
cinqüenta metros de distância. Quando foi procurá-la,
cuidadosamente, encontrou-a enfiada pelo pescoço numa
estaca pontuda da cerca, morta. Aí foi fácil retirar o
precioso couro da pobrezinha...
A
risada foi geral. Ninguém se conteve. Houve quem indagasse
se o sonho fora cedo da noite ou só de madrugada. O
narrador não gostou e fez uma cara feia para o
interlocutor, mas os ânimos logo se acalmaram com a
interferência de outro participante.
Nem
mal o caçador encerrou sua estória, já outro emendou com
a dele: certa vez viajara para a praia com a família e qual
não foi sua surpresa ao visitar, dentre as atrações do
lugar, uma extensa plantação de coqueiros. Maravilhado com
a grandiosidade do coqueiral, mais ainda lhe surpreendeu a
residência do proprietário, que dispunha de uma piscina de
água de coco, pois a safra de cocos fora surpreendente e o
dono não encontrara outra solução senão aquela. E ele
verificara a veracidade, metendo a mão na piscina e
provando a água que a mantinha cheia...
A
risadeira, mais uma vez, foi geral. Alguém até comentou
com malícia se ele vira, ou não, o monte de cascas dos
cocos resultante de tanta água...
Um
terceiro homem, pessoa bastante respeitada no lugarejo,
interveio para contar que certa vez vinha numa caminhonete
(ainda nos tempos da piçarra), e, ao olhar para o chão,
havia visto uma agulha de costurar. E um amigo dele, mais
que depressa, encompridou a conversa:
—
Compadre, não foi aquela que eu também vi e lhe disse que
estava sem fundo para colocar a linha?!
Os
risos surgiram de imediato, porque era uma mentira encima da
outra, de modo que um não podia desmentir o outro.
Acalmada
a situação, um quarto homem, surgindo do anonimato,
porquanto poucos o conheciam, apropriou-se do espaço de
tempo para falar. Aproximou-se dos que estavam na primeira
fila da roda de gente e apresentou sua estória:
—
Lá pras bandas do sertão de Quixeramobim, não faz muito
tempo, um fazendeiro dono de léguas e léguas de terras,
ficou apavorado com o excesso de chuvas daquele ano; se seu
açude arrombasse, muitas plantações, casas e alguma
cidade no caminho do sangradouro seriam tragadas pelas águas.
Aí não teve outra alternativa: pegou umas três toneladas
de queijos ainda armazenados de anos anteriores, já começando
a endurecer, juntou com pedras e reforçou a parede do açude
resolvendo o problema. Eu vi com estes meus olhos que a
terra há de comer!
Continua
no próximo Encarte
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