JORNAL DA AABNB


JULHO/2007

Diretoria aprova nova Campanha de Premiação Especial! 

A Diretoria da AABNB aprovou neste mês de julho a realização da Campanha de Premiação dos associados, que chega à sua terceira edição. Criada em 2003, a promoção tem o objetivo de reverter para o próprio quadro social, em forma de premiação pecuniária, parte das contribuições dos seus sócios. Na primeira edição, em 2003, a campanha distribuiu mais de R$ 38 mil em prêmios aos 20 associados contemplados naquela oportunidade. Já a segunda edição, em 2005, contou com mais de R$ 61 mil para a premiação dos 100 sócios contemplados em sorteio realizado com base na extração da loteria federal.

O regulamento e a planilha de custos da atual campanha já estão sendo formatados, e deverão ser mantidas as condições básicas que nortearam a realização do concurso anterior. Todos ao associados serão contemplados pela promoção, recebendo, cada um, o cupom para o grande sorteio que será realizado no final do ano. No entanto, só terão direito ao recebimento dos prêmios, conforme prevê o regulamento, os associados - aposentados ou pensionistas, que estiverem rigorosamente em dia com suas contribuições, até a data de realização do sorteio. O grande sorteio será efetivado com base na extração da Loteria Federal, de 24 de novembro de 2007, e o prêmio maior poderá ser de R$ 25 mil. Na próxima edição, o jornal da AABNB trará outras informações e divulgará o regulamento da campanha.

Balanço Patrimonial obtém mais de 97 % de aprovação 

            O Corpo Social da AABNB realizou, democraticamente, em votação aberta, a avaliação do Balanço Patrimonial e da Demonstração de Resultados da Associação referentes ao exercício 2006, através de consulta realizada no dia 20 de junho de 2007. A prestação de contas e o demonstrativo dos resultados obtiveram 97,5 % de aprovação daqueles que compareceram aos locais de votação.

            Na oportunidade, tanto em Fortaleza quanto nas Representações, os associados também aprovaram o parecer do Conselho Fiscal e o Relatório da Diretoria, referentes às ações desenvolvidas pela Direção Geral no ano anterior. A Diretoria agradece a participação efetiva do Corpo Social e salienta que a decisão, através do voto, após a análise crítica desses dados, publicados em encarte especial na edição de maio do nosso jornal, demonstra a preocupação dos associados em zelar pelos interesses da AABNB.  


Capef  

Investimento em tecnologia deve melhorar atendimento 

A Capef informa que implantou no mês de junho o seu novo Sistema de Relacionamentos, com o objetivo de melhorar o atendimento dos seus participantes e assistidos. A Caixa alerta que, durante a fase de transição, os sistemas funcionarão simultaneamente, podendo ocasionar eventuais congestionamentos.

O investimento tem por objetivo aperfeiçoar a qualidade da prestação de serviços, em sintonia com os novos desafios que serão enfrentados num futuro próximo, especialmente quando do lançamento e operacionalização do Plano CV. A empresa adquiriu uma nova Solução de Relacionamento, capaz de integrar todas as atividades e áreas direta ou indiretamente ligadas ao atendimento prestado aos participantes e assistidos. Além da aquisição desse software, também foi desenvolvido, internamente, um novo sistema de atendimento (SIAT), que fornecerá as informações coletadas dos diversos sistemas de que faz uso a Central de Relacionamentos.


Coluna Nossa Gente 

A Diretoria da AABNB lembra aos senhores Representantes e demais associados que a Direção Geral está recebendo a indicação de nomes que possam ser focalizados pela Coluna Nossa Gente. Esse trabalho, como o leitor tem acompanhado, visa homenagear os colegas que ao longo da carreira desenvolvida no BNB, tenham amealhado um grande círculo de relacionamentos, conjugando sentimentos de respeito, amizade e admiração junto aos demais colegas.


Anapar criará plano de previdência

            O Conselho Deliberativo da Anapar aprovou a criação de um plano de previdência – Anaparprev – que será administrado pela Fundação PETROS de Seguridade Social. Para iniciar as adesões e para que o plano entre em funcionamento é necessária sua aprovação pela Diretoria e Conselho Deliberativo da Petros e, posteriormente, pela Secretaria da Previdência Complementar.

 A Anapar será instituidora do plano e, para fazer sua adesão, o participante, necessariamente, precisa estar associado à Anapar, conforme determina a legislação. O estatuto da entidade permite a filiação de participantes de planos de previdência fechados e abertos, bem como de seus familiares. A intenção da entidade é atender a uma demanda colocada pelos associados e oferecer a oportunidade de participantes e seus familiares de terem acesso a plano de previdência de qualidade e a custo acessível.

A diretoria da entidade negociará a criação de planos em outras entidades de previdência. Há outros fundos fechados interessados em administrar plano instituído pela Anapar.

                Benefício vitalício e de risco – Os planos instituídos por associações e órgãos de classe devem ser, obrigatoriamente, na modalidade de Contribuição Definida. É permitida a concessão de benefícios de risco (morte e invalidez), desde que contratados em companhia seguradora.

                A contribuição mensal ao plano Anaparprev será definida pelo participante a partir de um valor mínimo de R$ 50. No momento da aposentadoria, o participante optará por um benefício por tempo determinado (de 10 a 25 anos) ou por tempo indeterminado. Neste caso, o valor do benefício será calculado por equivalência atuarial no momento da aposentadoria, e será revisto anualmente, de acordo com o saldo de conta. Ao final, o benefício poderá ser revertido em pensão por morte. Desta maneira pode-se garantir um benefício vitalício, com reversão para pensão.

                O participante poderá contratar benefício de risco – aposentadoria por invalidez e pensão por morte de ativo. Para ter este direito, deverá fazer contribuições mensais a pecúlio administrado por seguradora, escolhendo o valor da importância segurada. Ocorrido o evento de invalidez ou morte, o valor do pecúlio contratado será revertido para o plano Anaparprev para a contratação do benefício de risco correspondente.

                A taxa de administração será de 6% das contribuições mensais, não existindo taxa de carregamento. Ou seja, toda a rentabilidade líquida das aplicações será revertida para a reserva do participante, antes e depois da aposentadoria.

                O plano será acompanhado por um Comitê Gestor, a ser constituído por membros indicados pela Petros e pela Anapar e por representantes eleitos pelos participantes.  (fonte: www.anapar.com.br)


Novos Associados 

A Diretoria da AABNB saúda os aposentados que ingressaram em nosso quadro social nos meses de maio, junho e julho. Aos novos colegas, nossas boas-vindas e a certeza de que as novas adesões representam não apenas o crescimento, mas o fortalecimento desta AABNB.  

Ademar Gonçalves Pereira..........Natal/RN

Ana Mª. de S. Marques................Salvador/BA

Auvanildes Araújo Feitosa...........Aracaju/SE

Célia Marta S. de Souza..............Salvador/BA

Cristovam Lins.............................Maceió/AL

Edmilson Garcia de Araújo..........Salvador/BA

Eliza Mª de Araújo A. Mota.......... F. de Santana/BA

Francisco da Silva Oliveira...........Fortaleza/CE

Heribaldo Oliveira Santos............Simão Dias/SE

Hugo Góis Freire.........................Aracaju/SE

Jackson Matos Vieira..................Aracaju/SE

João Bosco Pita Santos..............Tobias Barreto/SE

João Evangelista de S. Guerra....Salvador/BA

José Julio M. Tôrres.....................Fortaleza/CE

José Maria Costa.........................Simão Dias/SE

Judite Bonfim dos S. Patrício.......Salvador/BA

Lenalda Gomes de Oliveira..........Aracaju/SE

Luiz Serra Azul Jr.........................Salvador/BA

Luiza L. Timbó Martins.................Fortaleza/CE

Mª. Angélica Vieira Pinto..............Fortaleza/CE

Mª. das Graças B. Coutinho.........Aracaju/SE

Mª. das Graças G. Bezerra...........Fortaleza/CE

Mª. Marina Lima Freire..................Fortaleza/CE

Mª. Terezinha de S. Silva.............Aracaju/SE

Maria do Socorro Lima..................Floriano/PI

Maria Inês Carneiro......................Montes Claros/MG

Maria Neuda P. Vieira...................Fortaleza/CE

Marlene Paixão da S. Oliveira......Aracaju/SE

Murilo Bessa Milhome...................Fortaleza/CE

Vera Lúcia Borges........................Montes Claros/MG


Governo alerta: Fundos de Pensão

devem reduzir exposição a risco 

            Com a trajetória de queda dos juros, a Secretaria de Previdência Complementar, SPC, passou a recomendar aos Fundos de Pensão para que realizem com maior cautela suas aplicações, a fim de reduzir o grau de exposição a riscos. Nova determinação nesse sentido poderá vir em forma de resolução do Conselho de Gestão de Previdência Complementar – CGPC, órgão que atua na regulamentação do setor.

                A Previ, dos funcionários do Banco do Brasil, maior fundo de pensão do país, registrou no ano passado um superávit de R$ 15,9 bilhões. No mês anterior, o fundo informou que estuda o que fazer com os superávits que vem obtendo nos últimos anos. Uma das possibilidades é a devolução de contribuições aos participantes. Atualmente, 70% dos ativos dos fundos de pensão estão aplicados em renda fixa – títulos públicos. Com a redução da Selic (taxa básica de juros), as entidades começam a se preocupar em encontrar novos “produtos” para aplicar seus recursos e garantir a eles uma boa rentabilidade. A maioria dos fundos estabelece 6% ao ano mais a inflação como meta para retorno de suas aplicações. Diante da trajetória de queda de juros, as entidades podem se ver obrigadas a fazer investimentos mais arriscados para atingir essa meta e cumprir suas obrigações atuais e futuras com os participantes.

                A SPC avalia que o mais prudente é que os fundos utilizem mecanismos que possam aperfeiçoar a política de investimentos, evitando uma exposição excessiva. Ou seja, reduzam suas metas de rentabilidade e reservem os recursos excedentes do superávit para honrar suas obrigações com o pagamento dos benefícios. O secretário de Previdência Complementar, Leonardo Paixão, informou que está nos planos da SPC regulamentar os dispositivos da legislação em relação à política de investimentos. A Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp) informou que ainda não tem uma posição definida sobre esse tema, mas já debate a questão internamente.  (fonte: Folha de São Paulo) 


Empréstimo fácil pode ser uma armadilha 

Reportagem da revista Carta Capital (edição nº 438), intitulada “A armadilha do crédito”, aborda a questão do superendividamento do consumidor brasileiro diante das facilidades para obtenção de empréstimos e financiamentos. A revista destaca que a oferta de empréstimos triplicou em seis anos, passando de 70 bilhões de reais,es de reais 0 bilh a  em fevereiro de 2001, para 200,6 bilhões de reais, em fevereiro deste ano. Se por um lado essa realidade é positiva para a economia, por outro, favorece o aumento da legião de consumidores superendividados, seduzidos pela publicidade do dinheiro fácil, assinala a reportagem. Neste cenário, o empréstimo consignado, com desconto no contracheque, oferecido aos aposentados e servidores públicos, já responde por 55 % do total do crédito pessoal.

Segundo informações do Banco Central, a taxa de juros para pessoas físicas nas agências bancárias foi, em média, de 51, 7 % ao ano, em fevereiro. Nesse ritmo, a dívida contraída dobra o seu valor nominal a cada dois anos, gerando um endividamento crítico, sobretudo se levarmos em conta a projeção de inflação, estimada em torno de 4,5% para 2007. A elasticidade do prazo de financiamento desvia a atenção do consumidor em relação ao custo total do empréstimo e acaba induzindo à aceitação de uma dívida que, inicialmente, se ajusta orçamento mensal do devedor. Isso pode ser o passo inicial para o ingresso na “roda-viva” do empréstimo fácil, oferecido sem burocracias, e que pode se tornar uma armadilha para o endividamento crônico.

Pesquisa realizada no sul do país, entre famílias (endividadas) que ganham até cinco salários-mínimos, detectou que 80 % dos que haviam contraído crédito eram tomadores passivos. Em 57 % dos casos, o consumidor não recebeu cópia do contrato e em apenas 37 % dos empréstimos o credor deixou claro o total a ser pago. Alguns órgãos de defesa do consumidor já estão ampliando suas ações de combate ao superendividamento e de conscientização do consumidor para evitar a armadilha do “dinheiro fácil”.  (fonte: revista CartaCapital)  


Notícias do Brasil 

A Polícia Federal e o combate à corrupção 

A revista Caros amigos, na edição do último mês de maio, trouxe uma reportagem especial a respeito do trabalho desenvolvido atualmente pela Polícia Federal. A matéria traça um panorama que ajuda a entender as principais alterações ocorridas na PF nos últimos anos, incluindo mudanças internas, como, por exemplo, a própria postura do policial federal; de ordem administrativa, com o incremento do aparato técnico e das condições de trabalho; e, principalmente, com o redirecionamento do trabalho de campo, que passou a priorizar as grandes investigações, com a prisão dos chamados “peixes grandes”, em operações especiais, que estampam as primeiras páginas dos jornais e abrem os principais telejornais do país. A reportagem também aborda as deficiências da corporação, a exemplo das dificuldades enfrentadas na realização do trabalho nas áreas de fronteiras.

Segundo a reportagem, já são mais de 119 mil operações de rotina, realizadas desde o início do governo Lula. O número de inquéritos policiais saltou de 1.027 casos, em 2002, para 18.641 inquéritos em 2005. A quantidade de pessoas libertadas do trabalho escravo subiu de 1.741, em 2002, para 3.993 no ano retrasado. Mas o que chama à atenção são as operações especiais, que saltaram de nove, em 2003, para 42, em 2004, 67 em 2005 e 178 no ano passado. São investigações que contam com uma quantidade grande de policiais em cada diligência, inclusive interestaduais, para desvendar crimes de toda a ordem, envolvendo cifras milionárias e com a participação de gente muito poderosa. (fonte: revista Caros amigos)


Mudanças no agendamento eletrônico do INSS 

O atual sistema de agendamento do INSS está em vigor desde o mês de junho de 2006 e abrange toda a rede de atendimento da Previdência Social. O segurado pode agendar o dia, hora e a Agência da Previdência Social na qual deseja ser atendido. No caso do convênio INSS-Capef-BNB, todos os processos de aposentadoria estavam sendo agendados normalmente desde a implantação do sistema, porém, os processos eram concedidos bem antes da data agendada pelo sistema. Por exemplo: no dia 01/05/2007, solicitamos, através do sistema de agendamento, o atendimento para um determinado processo, cuja data agendada ficou para 10/06/2007. Neste caso, seriam 41 dias de espera para ter o processo concedido.

Por força do Convênio, essa espera nunca acontecia, pois o INSS concedia nossos processos em, no máximo, uma semana após o dia solicitado, ou seja, havia um atendimento diferenciado para o nosso Convênio, o que reduzia bastante o tempo de espera para os  processos que não continham nenhum tipo de pendência. A partir de agora, entretanto, o sistema de agendamento eletrônico da Previdência Social passará a vigorar, também, rigorosamente, para os Convênios mantidos com o INSS. 

Assim, informamos que a principal mudança está relacionada ao prazo de concessão dos benefícios, que serão ampliados de uma semana para, no mínimo, um mês. Esclarecemos que a data da vigência das aposentadorias e pensões requeridas valerá a partir da solicitação e não da data agendada para atendimento, o que garante a compensação do tempo de espera.


Coluna Nossa Gente! 

            O alagoano Amerino Alves de Carvalho iniciou sua carreira no BNB em novembro de 1954, na agência Maceió, onde ingressou na função de Contador. A responsabilidade do cargo inicial estava ancorada em sua experiência profissional e em sua qualificação técnica. Formado em Contabilidade, Amerino Alves já havia trabalhado em outras duas instituições bancárias: no Banco de Alagoas exercera a função de escriturário, e foi Chefe de Cobrança do Banco do Povo, de Pernambuco, na agência daquela Instituição em Maceió.  

            No BNB, também exerceu a função de Contador na agência de Aracaju. Depois, seguiu para Fortaleza, onde passou por um estágio de quatro meses, na sede do BNB, sedimentando a sua preparação para o nível gerencial. Como resultado, assumiu a Gerência da agência de Montes Claros, em Minas Gerais, onde permaneceu por três anos. Voltou, depois, para a agência Aracaju, na função de Gerente, ao realizar um intercâmbio com o colega daquela unidade, que foi para Montes Claros. Mais tarde, numa reunião de gerentes, em Fortaleza, recebeu o convite para ser Auditor. Exerceu esta função até à sua aposentadoria, em 1969. Depois da aposentadoria, ainda trabalhou durante 12 anos, no BNB Clube de Fortaleza, onde exerceu a função de Contador. A dedicação maior à família não o impede, atualmente, de reservar um tempo para realizar atividades em seu computador pessoal. Amerino Alves de Carvalho é Nossa Gente!                               

 

 Contador e Economista, Pedro Hudson de Paiva Silveira ingressou no BNB em dezembro de 1957, através do concurso que selecionava técnicos para o Etene, Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste, onde exerceu a função de técnico econômico durante um ano. Depois, foi transferido para o Departamento Rural, onde assumiu como técnico de desenvolvimento econômico, no Setor de Investigações Agrícolas. Também foi chefe adjunto neste setor, onde trabalhou durante quase 30 anos, até à obtenção da sua aposentadoria, em 1987. Residiu na cidade de Viçosa, em Minas Gerais, por dois anos, onde fez pós-graduação em Economia Rural.

Pedro Hudson conceitua o BNB como um divisor de águas do Nordeste, ao afirmar que o Banco “ajudou a mudar a mentalidade das elites econômicas e empresariais, estabelecendo um novo rumo para a região”. Homem de luta e de larga visão social foi também diretor da AFBNB e integrante do Conselho Fiscal da AABNB. Faz da leitura não apenas um hobby, mas o seu passaporte para entender melhor o mundo. É assim que ele mergulha nos compêndios sobre psicologia, sociologia, filosofia e economia. Responsável pela criação do Encarte Cultural no nosso jornal, é um dos componentes da equipe que publica esse caderno bimensal. Pedro Hudson de Paiva Silveira é Nossa Gente! 

 

 Formado em Contabilidade pela Escola Técnica de Comércio Pe. Champagnat, em Fortaleza, Fernando César de Carvalho ingressou no BNB em setembro de 1957, como assistente auxiliar, no Departamento de Pessoal. Depois, assumiu a função de Analista de Crédito, no Departamento Crédito Cooperativo. Desempenhou a mesma função no Departamento de Crédito Industrial e, posteriormente, no Departamento de Crédito Rural, onde permaneceu até à sua aposentadoria, em setembro de 1979. Em Recife, fez o curso de Contabilidade Cooperativista. Participou, como bolsista do BIRD, na cidade do México e representou o BNB no 1º Encontro de Cooperativistas, realizado no Rio de Janeiro, com o incentivo do Ministério da Agricultura.  

Antes do BNB, trabalhou no 1º Distrito do DNOCS, em Fortaleza; e foi Contador, do Quadro Permanente do Ministério da Fazenda, na Seção de Tributação do Imposto de Renda. Depois da aposentadoria, foi diretor do Conselho Regional de Contabilidade, da Associação Cearense de Imprensa e da Federação Cearense de Futebol. Além disso, foi gerente geral e diretor financeiro em outras empresas de porte. Atualmente, integra o Conselho Fiscal da AABNB, onde já desempenhou esta função em gestões anteriores. Fernando César de Carvalho é Nossa Gente! 


 ENCARTE CULTURAL

GESTO DE GRATIDÃO 

Edson Gurgel Coelho 

A gratidão é a virtude que nasce do amor. Ela é a lembrança das pessoas que nos ajudam e que nos estimam; e é ela que incentiva o nosso coração a retribuir, com dedicação, o que recebemos de bem na vida. 

Muitas vezes, a gratidão revela a sua maior beleza no sorriso de agradecimento de uma criança pobre e carente, que nem sempre pode brincar ou sonhar com as fantasias da infância, porque convive com as dores da fome e do abandono. 

Assim, é a vida do garoto Pedrinho, de 10 anos, que mora numa favela e que, manhã após manhã, quando o sol se levanta, ele vai para a rua e permanece próximo do semáforo, até o meio-dia. Quando um carro pára, ao sinal vermelho, ele estende a mão e pede ao motorista uma moeda. Quando recebe, beija-a; olha para o céu e depois, sorrindo, agradece. 

Era manhã de sábado, quando uma médica, de nome Estelita, que diariamente trafega naquela rua para ir ao trabalho, percebe que, naquele momento, Pedrinho estava muito aflito e com lágrimas saindo-lhe dos olhos.

Então, ela pergunta: 

- Garoto, por que hoje, você está tão triste? 

- “Tia”, é porque minha mãe está doente e não pode trabalhar, e, até agora, não consegui juntar dinheiro para comprar remédios para ela. 

- Senhora, por favor, me ajude! Minha mãe é tudo o que eu tenho na minha vida... 

A médica, comovida com as lágrimas da criança, chama: 

- Venha cá filho! Entre no carro e vamos a sua casa visitar a sua mãe! 

Em lá chegando, a doutora se sensibiliza ao ver aquela pobre mulher – de nome Maria – chorando com dores, deitada sobre uma toalha,  no chão de um barraco sem piso e sem reboco. De imediato, ela a leva para o seu hospital e dá-lhe toda a assistência. 

Dias depois, Maria, já recuperada e retornando para casa, encontra, no meio de uma rua, um lindo anel de brilhante. Chegando em casa, ela pede ao Pedrinho a caixinha do presente que ele havia ganho, na escola, por merecimento de suas boas notas. 

Depois, ela coloca o anel na caixinha e fala para o filho: 

- Querido, vamos dar este anel de presente à doutora, como gratidão por tudo o que ela me fez de bem para me curar, no hospital! 

- Sorrindo, Pedrinho abraça a mãe e responde: 

- Mamãe, é tão bonito a senhora dar esse anel para a doutora, porque ela merece muito mais! E, aqui em casa, não precisamos dele porque já temos dois brilhantes ainda mais lindos: - os seus olhos castanhos que estão sempre brilhando para nós! Eu vou também escrever um bilhete para ela e peço à senhora que assine embaixo e coloque-o dentro da caixinha. 

Assim, mais tarde, após a aula, Pedrinho se dirige à mãe e lê o bilhete que escreveu: 

“Doutora Estelita, encontrei este anel na rua, que veio para a senhora como um presente do Céu. E, nesta caixinha, eu e meus filhos sopramos muitos beijos para alegrar seu coração bondoso e agradecer por tudo que a senhora fez por mim, no hospital.

Que Deus sempre proteja a senhora, querida!

Maria”.  

         A mãe, muito satisfeita, assina o bilhete e guarda-o na caixinha; e, com o Pedrinho, ela vai ao hospital. No consultório da médica, entrega-lhe o presente e dá-lhe um afetuoso abraço. 

         A doutora emociona-se com esse amável gesto de gratidão e agradece, feliz. Na despedida, ela ainda pergunta: 

- Pedrinho, por que quando você recebe uma moeda, você a beija e, sorrindo, olha para o céu; faz o “sinal-da-cruz” e só depois agradece? 

- “Tia”, quando beijo a moeda, eu estou é beijando o dedo de Deus, que tocou naquela mão para me dar uma esmola; e faço o “sinal-da-cruz” para agradecer a Ele e pedir também proteção para o meu benfeitor. 

Surpresa com tamanha grandeza de espírito da criança e, sensibilizada com o gesto de gratidão de sua mãe, Estelita, no dia seguinte, vende o precioso anel, que recebeu de presente, e, com o dinheiro, compra uma boa casa e doa à Maria para ela deixar o barraco de taipa e ter, assim, melhores condições de criar e educar os seus três filhos pequenos.  


BLANCHARD GIRÃO – UM GRANDE AMIGO 

Amigos todos nós temos. Poderíamos talvez classificá-los sob graus variados de confiabilidade. Mas não é tarefa fácil, tal o comumente avultado número deles e as tão pequenas oportunidades de conhecê-los mais profundamente, ao longo da nossa convivência. 

Minha convivência com Blanchard remonta ao ano de 1941, quando ingressamos no LICEU do Ceará, mediante concorrido exame chamado, na época, de admissão. 

Durante os primeiros anos do currículo escolar, nossas relações eram, por assim dizer, pontuais, determinadas praticamente pelo convívio na mesma sala de aula. Explicava esse distanciamento o contraste entre meu temperamento sério, retraído e o dele geralmente alegre, extrovertido e comunicativo.   

Só quando deixamos o Liceu, no ano de 1944, comecei a descobrir melhor a extraordinária dimensão humana de sua personalidade. 

Esse período de nossa adolescência foi fortemente marcado pelo desenrolar da cruenta Segunda Guerra Mundial. Ao deixar o Liceu entrei na militância política e Blanchard na atividade jornalística.  

Na medida que conhecia seu pensamento expresso na imprensa e no rádio, passei a notar que tínhamos visões muito aproximadas sobre o mundo conflagrado e sobre as tremendas desigualdades sociais reinantes em nosso país. 

Quando nos encontrávamos podia sentir a profundidade com que ele analisava os problemas políticos e sociais de nosso tempo e de nossa sociedade. 

Num rasgo de generosidade, abriu as páginas do seu livro O LICEU E O BONDE, para transcrever, na íntegra, modesto depoimento de minha autoria, honraria dispensada, também, a outros colegas de nossa turma. 

Com grande satisfação constatei que amplos setores de nossa sociedade local partilhavam de minha opinião  sobre o Blanchard, como comprova o mandato de Deputado Estadual que lhe conferiram, cassado infelizmente pelo golpe militar de 1964. 

Mas os grandes sofrimentos, a ele infligidos pelos chamados anos de chumbo da ditadura, não lhe abateram o espírito combativo. Pelo contrário, fizeram-lhe amadurecer ainda mais  a inteligência privilegiada e o notável talento jornalístico, dotando-o de armas mais poderosas, usadas até os últimos momentos de sua vida iluminada, na luta contra a injustiça e as desigualdades sociais. 

Foi da amizade sincera dessa grande figura humana que o destino ou Deus me conferiu o privilégio de privar, ao longo de mais de sessenta anos, que espero se perpetue  em outras possíveis dimensões existenciais! 

Pedro Hudson de Paiva Silveira

Fortaleza, 03.04.2007 


MINHA CRÔNICA N° 999 

Laurindo Ferreira 

Mesmo com relativa experiência no cipoal da produção de textos burocráticos, não, nunca, jamais, em tempo algum ocorrera-me a idéia de escrever crônicas, contos e   assemelhados.  Na verdade, somente a partir da metade  dos anos noventa, do século passado, essa atividade  começou a  invadir devagarzinho as minhas terapias ocupacionais. Fato verificado após um artigo, de minha autoria, ter sido selecionado pela editoria de um matutino de Fortaleza, para publicação numa edição especial de aniversário.   

Orgulhoso com o resultado, uma nova investida, e novo sucesso. Em seguida, mais uma e outras mais.  A partir daí, eis que me descubro incluído no mundo literário, reinventando realidades ou criando ficções, pinçadas do imaginário cotidiano. E, hoje, sim senhor, quem diria! Pense, onde já me encontro!  Exato, à beira de um milhar de crônicas. 

Neste momento em que anuncio o número desta crônica como a de nº 999, reconheço que estou me expondo a perguntas de leitores, como, por exemplo, se todas elas têm sido enumeradas com o devido rigor. Se isso vier a acontecer, a resposta afirmativa será oferecida, sem rodeios, a quem interessar possa.     

Mas, se essa pessoa ou outra qualquer, ainda me interrogar desejando saber onde fica inserido o tal número de ordem dos textos, responderei, simplesmente, encontrar-se em arquivo paralelo, com o título em negrito, seguindo-se uma combinação de letras, exibidas entre aspas, a partir, claro, de uma palavra-chave.  Por exemplo, esta crônica receberá o código “nnn”, que quer dizer o número consecutivo  999, já acima anunciado. 

Pois bem! Na vertente das premonições, ao visualizar o número seqüencial deste texto, já experimento o peso do encargo da crônica  1.000, numeral tido e havido pela nossa mídia esportiva, como mítico e cabalístico, tais as dificuldades do pebolista  Romário em marcar o seu milésimo gol. Na realidade, ele ainda não o fez até o momento da elaboração deste texto, mas tem dirigido as mais diferentes promessas aos deuses do futebol. 

À semelhança do martírio vivenciado pelo desportista, só em pensar na minha milésima  crônica, já me vejo diante de um feito extraordinário e dulcíssimo, porém amargo. Por exemplo, quando chegar esse momento, imagino-me com os dedos retesados e adormecidos, mente dominada pelas dúvidas e múltiplas incertezas na montagem dos períodos e parágrafos.  De igual modo, sinto, prévia e antecipadamente, faltarem-me as idéias - estas fujonas - a se ocultarem na penumbra do meu intelecto, ou, talvez, a se esconderem em inexplicável bloqueio mental. 

Decerto, ao pensar nesse dia - que em breve virá - já me enxergo embotado no raciocínio, com reduzida disposição rumo à descoberta de um mote para tão desejado texto.   

Admito-me, inclusive, à frente do micro, sem nada de novo na imaginação. Nesse momento, pela dificuldade  de superação desse obstáculo, antevejo apenas a brancura da tela do meu monitor mental, com este escriba, ali, circunspecto, olhar vago, sem lhe aflorar na mente, sequer, a lembrança de um aforismo, ou de uma metáfora poética, porque, nessa hora, suponho esteja enguiçado o motor de arranque da minha inspiração. 

Enfim, abstraídos os dissabores do entristecido Romário - quem sabe, merecidos - aqui e agora, com antecedência, imploro e apelo ao protetor das artes literárias para não me deixar falhar a criatividade, na hora de me lançar a caminho da minha crônica n° 1.000! 


JOSÉ DE RIBAMAR LOPES 

Luiz Mendes Filho 

            Poeta inspirado, talento vibrante, voz envolvente e sorriso maroto, alegria do Grupo Literário da AABNB, partiu em solo de clarinete, galgando cada degrau da escada celeste, deixando a todos nós uma profunda saudade enluarada.

            Seguiu sem avisar, enlutando os corações de tantos amigos, cite-se Waldir, Syllas, Pedro Hudson, Zé Alberto e Laurindo, de cujas amizades privava e com quem dividia suas confidências de escritor.

            O Banco do Nordeste, em reconhecimento aos seus méritos pessoais, fez publicar seu livro-poema “SAUDADE ENLUARADA” que, como bem afirma Nícolas de Almeida – outro grande amigo – é apenas um mínimo, face à consideração e respeito de amigos e admiradores, por esse ícone da arte e da poesia nordestinas.

            Ausentou-se o amigo, mas ficou em seu livro o legado de oito sonetos inéditos e vários poemas de rara beleza, ora povoando a mente de seus leitores, ora embalando as águas do seu Mearim, sobre cujo dorso vão rolando seus sonhos de embarcadiço.

            Solo de Clarinete é um de seus poemas inéditos e se compõe, principalmente, de três dísticos em decassílabo, com lugar previamente determinado, dos quais destacamos: “O MEARIM DA MINHA MENINICE”, “O MEARIM DA MINHA JUVENTUDE” e “O MEARIM DE TANTAS RELEMBRAÇAS”, seguidos de versos com estrofação variada, sempre em redondilha maior, recurso usado pelo autor para promover a cadência e a melodia do poema. Coisa de quem tem talento.

            O MEARIM DA MINHA MENINICE – Aqui o poeta descreve um rio de águas cristalinas, puras como a sua alma de criança, alegre, doce, ondulante, como uma valsa de Strauss. É o menino conjugando o futuro do presente.

            O MEARIM DA MINHA JUVENTUDE – Este, o Mearim dos seus ímpetos de jovem, traços donjuanescos, narinas mulherengas, só inspirando o cheiro das mulheres. Agora o seu Mearim é rio de muitos apelos, rio de tantos acenos, sempre mostrando o caminho, sem nunca sair dali. É o Riba no presente do indicativo.

            O MEARIM DE TANTAS RELEMBRANÇAS – “O rio que me embalou os sonhos de adolescente, que me arrastou no remanso, na correnteza da vida”, é hoje um rio sem pressa, “em sua sabedoria, a deslizar calmamente na paisagem de Pedreiras”.

            Eis o poeta saudoso, com recordanças no peito, relutante em conjugar o seu pretérito perfeito.

            Aceitamos o seu distanciamento físico, mas, em nossas recordações, o Ribamar Lopes se parece muito com um daqueles carneiros do morro da igreja, ornado de veste alabastrina, quieto e silencioso, sem comer, sem beber, sem balir e sem se desgarrar. Da gente. 


INTERREGNO 

João Batista Coelho(*

 

                            Buscando no limiar da imensidão

                  Véu protetor para os males da vida,

                            Estamos vencendo uma luta aguerrida

                            Que matou mais de cem do coração!

 

                              Encontramos na velhice o verdadeiro

                                    Elo da sabedoria universal,

Onde na imensidão gravitacional

Reside o Onipotente tão ordeiro.

 

Está chegando o momento da partida,

Em busca de solução bem contundente,

Pra vencer os tormentos desta  lida.

 

Ora todos podem olhar para os seus

Acreditando que na vida presente

Podemos contar com a ajuda de Deus. 

 

(*) Associado e Diretor da AABNB,

                                     falecido em 15.08.2002

 


 METADE DE MIM  

João Alencar Sobrinho  

Que a vida tamanha que trago comigo

Por motivos bisonhos não me deixe parar

E o medo não me impeça de ser teu amigo

Porque metade de mim é um grito de amar

 

Que a vida tamanha reflita num largo sorriso

Da infância que tive e ainda posso lembrar

E a arte de viver em paz me aquiete contigo

Porque a outra metade é saudade, preciso sonhar

 

Que a vida tamanha me traga somente alegria

Por entre o silêncio preciso escutar a tua magia

E transformar em paz o amor que me dá todo dia

 

Que a vida tamanha me traga tamanho apreço

Porque metade de mim é o amor que ofereço

E a outra metade é tua metade que me fortaleço 


CONSTRUÇÃO 

Mairton Menezes 

 

Máquinas estridentes

Deixam o solo em convulsão

Sulcando a terra, rasgando o barro

É o eco do progresso...

Surgem do chão profundo

Pepitas de concreto e aços pontiagudos

Amálgama do futuro...

Suor escravo do presente

Ergue-se lento no febril espaço

Embalado por mãos famintas

Eis enfim o gigante petrificado...

Não importa a fragilidade dos obreiros

Nem o suor e as lágrimas que rolaram

...E as vidas ceifadas nos canteiros?

O que importa é a beleza arquitetônica

O artífice perdeu-se no anonimato. 


A PENÚLTIMA MENTIRA DO CORONEL

José Alberto de Souza 

“A mentira é um vício apenas quando faz mal;

quando faz bem é uma grande virtude.”

(Anatole France - escritor francês)

 

PARTE I 

Uma das poucas diversões para as pessoas mais maduras daquela cidadezinha era a reunião que faziam nas tardes de sábado (véspera da feira dominical de negócios), no calçadão da mercearia localizada num dos cantos da praça da igreja.

Às vezes pouca gente comparecia, mas na maioria mais de trinta pessoas lá se comprimiam e muitas contavam seus casos extravagantes. Caçadores, pescadores, camponeses, matutos - e até forasteiros - davam seu testemunho de estranhos acontecimentos, usando sua linguagem peculiar e sua teatralidade natural. Os mais ingênuos acreditavam em tais estórias; a grande maioria, porém, julgava serem petas e potocas dos mais variados matizes.

Há mais de dois meses o coronel Epaminondas, homem abastado do lugar, em terras e dinheiro vivo como apregoavam, não comparecia àquele tradicional encontro, gerando uma grande expectativa pelo seu retorno. Soube-se que ele se deslocara à Capital (distante cerca de cem léguas) para receitar-se e rever seus chefes políticos.

A boa notícia era que ele estaria presente no próximo sábado, prevendo-se um grande comparecimento à pracinha da igreja. É que o homem era um exímio contador de estórias espalhafatosas, mas ninguém, ninguém mesmo, tinha o topete, a ousadia, de rir ou tentar ridicularizar o coronel, sob pena de sofrer represálias, que se diziam imprevisíveis. Jamais, em vários anos de convivência, alguém tivera a coragem de contestar o que ele dizia, fosse por meio de perguntas inconvenientes, fosse por risos de deboche altissonantes. Ele se considerava o expositor da verdade indiscutível, embora suas estórias contivessem passagens hilariantes e bem distantes da realidade.

O fim de semana estava sendo ansiosamente aguardado por amigos e inimigos do coronel, pois todos esperavam pelo menos uma mentira à altura da tradição, de modo que nos dias seguintes as pessoas tivessem o que repassar e ridicularizar em casa, nos bares e nas rodas de papo da pracinha. A expectativa era grande, muito grande mesmo.

Finalmente o sábado chegou e com ele a esperança de reverem o coronel contando lorotas com o tom de seriedade que lhe era peculiar nestas ocasiões. Logo no início da tarde, os bares e mercearias da pracinha começaram a receber futuros participantes do tradicional encontro de mentirosos e farsantes, especialmente porque queriam gozar das deliciosas e mirabolantes estórias do coronel Epaminondas.

Lá pelas quatro horas da tarde já iniciaram a falar os primeiros loroteiros.

Um deles contou que, numa de suas caçadas no Serrote Negro, ao ser atacado por uma onça pintada, revestiu-se de extrema coragem e, num lance de muita destreza, pegou a bicha pelo rabo, deu uma rodada no ar com a monstra e jogou-a a uns cinqüenta metros de distância. Quando foi procurá-la, cuidadosamente, encontrou-a enfiada pelo pescoço numa estaca pontuda da cerca, morta. Aí foi fácil retirar o precioso couro da pobrezinha... 

A risada foi geral. Ninguém se conteve. Houve quem indagasse se o sonho fora cedo da noite ou só de madrugada. O narrador não gostou e fez uma cara feia para o interlocutor, mas os ânimos logo se acalmaram com a interferência de outro participante.

Nem mal o caçador encerrou sua estória, já outro emendou com a dele: certa vez viajara para a praia com a família e qual não foi sua surpresa ao visitar, dentre as atrações do lugar, uma extensa plantação de coqueiros. Maravilhado com a grandiosidade do coqueiral, mais ainda lhe surpreendeu a residência do proprietário, que dispunha de uma piscina de água de coco, pois a safra de cocos fora surpreendente e o dono não encontrara outra solução senão aquela. E ele verificara a veracidade, metendo a mão na piscina e provando a água que a mantinha cheia...

A risadeira, mais uma vez, foi geral. Alguém até comentou com malícia se ele vira, ou não, o monte de cascas dos cocos resultante de tanta água...

Um terceiro homem, pessoa bastante respeitada no lugarejo, interveio para contar que certa vez vinha numa caminhonete (ainda nos tempos da piçarra), e, ao olhar para o chão, havia visto uma agulha de costurar. E um amigo dele, mais que depressa, encompridou a conversa:

— Compadre, não foi aquela que eu também vi e lhe disse que estava sem fundo para colocar a linha?!

Os risos surgiram de imediato, porque era uma mentira encima da outra, de modo que um não podia desmentir o outro.

Acalmada a situação, um quarto homem, surgindo do anonimato, porquanto poucos o conheciam, apropriou-se do espaço de tempo para falar. Aproximou-se dos que estavam na primeira fila da roda de gente e apresentou sua estória:

— Lá pras bandas do sertão de Quixeramobim, não faz muito tempo, um fazendeiro dono de léguas e léguas de terras, ficou apavorado com o excesso de chuvas daquele ano; se seu açude arrombasse, muitas plantações, casas e alguma cidade no caminho do sangradouro seriam tragadas pelas águas. Aí não teve outra alternativa: pegou umas três toneladas de queijos ainda armazenados de anos anteriores, já começando a endurecer, juntou com pedras e reforçou a parede do açude resolvendo o problema. Eu vi com estes meus olhos que a terra há de comer! 

Continua no próximo Encarte


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