JORNAL DA AABNB


NOVEMBRO/2006

  


    Editorial

Em defesa da coletividade - II 

                 Sob  o “amigável”  título “A Promíscua Relação CAPEF/AABNB” o grupo de aposentados que continua em litígio com a CAPEF distribuiu nota sobre o Editorial “Em Defesa da Coletividade”, do Jornal da AABNB (edição de setembro de 2006).

Apesar da nota extensa e agressiva, as suas seis páginas sequer arranham as verdades contidas no Editorial da AABNB, que podem assim ser sintetizadas:

                 1. O Acordo foi delineado por um Grupo de Colegas do BNB, aposentados e ativos, que apresentavam, em seus perfis, as seguintes características: a) Competência; b) Conhecimento de legislação previdenciária e de finanças;  e c) Compromisso com os interesses coletivos e sociais. Os integrantes do Grupo, foram escolhidos e aprovados por Assembléias realizadas em Fortaleza e em todas as grandes cidades onde a AABNB mantém Representações. A AABNB coordenou os trabalhos e as negociações e ratifica, aqui, o excelente resultado obtido pelo Grupo de Trabalho. Nenhum dos  aposentados do pequeno grupo que hoje ainda mantém as ações judiciais participou do Grupo;

                2. A adesão ao Acordo foi pessoal e voluntária. Defendemos a tese de que os  aposentados do BNB têm caráter e não são crianças para argumentar, hoje, que o recebimento dos adiantamentos efetuados à época, por reivindicação da AABNB, e também por livre e individual requerimento para receber, bem como a adesão  ao Acordo, foi realizada sob coação. O ATO Este argumento se aplicaria se as negociações tivessem sido realizadas com as antigas administrações do BNB e da CAPEF. É mais uma injustiça utilizar esse argumento de coação contra a nova Administração que estava negociando, buscando soluções para as ilegalidades e arbitrariedades que haviam sido cometidas.

                3.  Quem fez o Acordo recebeu 100% (cento por cento) de tudo quanto havia ficado retido pela anterior administração da CAPEF, e tudo com a correção monetária da Justiça do Trabalho. Para não prejudicar o equilíbrio financeiro/atuarial da CAPEF, os valores atrasados foram negociados sem juros e multas, o que hoje é cobrado pelo pequeno grupo de aposentados antes referido. É interessante que, à época das negociações, o próprio advogado dos dissidentes apresentou petições aos Juízes do Trabalho defendendo o acordo sem a cobrança de multas e de juros, sob o argumento de que os aposentados não “queriam quebrar a CAPEF, que era a fonte de seus rendimentos mensais”. É o caso de perguntar: E hoje querem quebrar a CAPEF?? Também insistimos na idéia de que reivindicar um benefício com base na soma de todos os estatutos é querer o melhor dos mundos. Não há reservas fundadas para tal e, portanto, pode levar a CAPEF a um colapso.

               4.  Outra verdade não negada: Todo benefício tirado da CAPEF, fora do planejado, que for obtido por um pequeno grupo, será pago por todos os demais aposentados.

               No grupo dissidente, quase todos receberam adiantamento de CAPs  também negociado pela AABNB. Há um aposentado que assinou o Acordo e proibiu a CAPEF de divulgar a sua adesão. Há outro que disse que pretende receber tudo o que puder, não importando o que acontecerá com a CAPEF e com os demais aposentados ou com colegas da ativa que vierem a se aposentar. A AABNB continua em sua luta em defesa dos aposentados, inclusive contra a taxa de contribuição, apesar de sempre informar que, nas outras caixas, o benefício inicial é de cerca de 75% do último salário, o que resulta em contribuições maiores do que a cobrada pela CAPEF.

Pelo presente, conclui-se que a verdade precisa de poucas palavras e de apenas uma única página.                                           


 Camed em pauta

Seguro de vida 

            Com o intuito de prestar esclarecimentos aos seus associados, a diretoria da AAABNB solicitou, em diversas oportunidades, providências à direção da Camed, para que a empresa fornecesse os avisos de débito mensal, com informações sobre o seguro de vida administrado por aquela Caixa. Em quatro oportunidades a CAMED informou que os avisos já haviam sido expedidos, mas não havia registro de recebimento por nenhum aposentado, o que causava inquietação e indignação dos associados, que voltavam a se queixar junto à AABNB.                   

          Agora, a Camed informa que o problema já está solucionado. A AABNB espera que, desta vez, os aposentados possam confirmar a regularização, com o recebimento dos avisos. A diretoria da Associação também solicitou à Camed informações sobre os pagamentos de indenização de sinistros, ocorridos durante a vigência da apólice que era mantida com a Seguradora Santos, que teve a sua liquidação judicial decretada.


   

AABNB – Entrevista o presidente do Conselho Deliberativo da Capef 

Nesta edição, o presidente do Conselho Deliberativo da Capef, Robério Gress, analisa a situação da nossa Caixa de Previdência, a atuação do Conselho Deliberativo e fala sobre a possibilidade de transformação da Capef em empresa multipatrocinada.    

AABNB - O estatuto da Capef estabelece que o Conselho Deliberativo é o órgão de decisão e orientação superior para definição da sua política de administração. Nesse prisma, como o senhor avalia a atuação do Conselho Deliberativo?   

RG - Entendemos que o Conselho Deliberativo tem cumprindo a sua missão de órgão de decisão e de orientação superior de modo satisfatório, devido à participação direta do Conselho nos assuntos de mais relevantes da Entidade, principalmente, quanto ao plano de benefícios. Além disso, a auditoria interna tem atestado que a Diretoria-Executiva tem cumprido com zelo a sua obrigação de encaminhar ao citado Órgão Deliberativo todas as matérias concernentes à sua competência.   

AABNB - Como está a Capef? Em linhas gerais, como o senhor avalia a atual situação da nossa Caixa de Previdência? 

RG - Ao fim do atual ciclo administrativo, avaliamos que os objetivos institucionais estabelecidos para esse período foram alcançados. O Dr. Roberto Smith, no início de 2003, comunicou à equipe de colaboradores relacionada à Capef que um dos principais objetivos de sua gestão seria o de restabelecer a normalidade das relações entre Banco, Capef e seus associados. Hoje, podemos atestar que esse propósito tornou-se uma realidade.   

Além disso, vale dizer que essa conquista somente tornou-se possível pelo esforço do Banco, dos Sindicatos e das Entidades Representativas com a Capef que, em conjunto, enfrentaram o desafio de formular uma proposta de acordo com o objetivo de equacionar o déficit atuarial histórico, através de um processo de negociação amplo e transparente, cujo resultado foi o Acordo Geral.  

Se, por um lado, é um grande desafio para o BNB cumprir as obrigações acordadas; em contrapartida, os associados demonstraram clara disposição para resolver o problema da Entidade ao concordarem com as condições formuladas no acordo, admitindo que o limite do possível teria sido alcançado. Dessa união de esforços, ressurgiu uma Capef fortalecida, avançando na direção da normalidade. 

AABNB - E como está a saúde financeira atuarial da Capef, considerando-se as projeções de médio e longo prazos? 

RG - O superávit, atualmente, apresentado pelo Plano BD, na ordem de R$ 200,4 milhões (posição de set/2006), representa a diferença entre o seu patrimônio e as suas obrigações previdenciárias. Portanto, a situação atuarial do Plano BD é satisfatória, sem paralelo em toda a história da entidade.  

Merece seja salientado que, além das oscilações de ganhos de mercado e de discrepâncias biométricas, outro fator poderá ocasionar eventual redução desse superávit, qual seja, o valor estimado de obrigação do plano relacionada com os participantes e beneficiários que não aderiram ao Acordo Geral e permanecem demandando judicialmente contra a Capef. Isso porque, a estimativa mais adequada dessa obrigação, a partir de cálculos atuariais, somente se tornará possível após o desfecho das demandas no Judiciário.     

AABNB - Como o senhor avalia o percentual que hoje é descontado dos participantes? 

RG - Sob a ótica de equacionamento do déficit atuarial, concluímos ser indispensável a cobrança mensal da contribuição sobre os benefícios, nos patamares firmados no Acordo Geral, já que desse desconto depende o equilíbrio do Plano BD. 

O problema que efetivamente existe, em relação ao citado desconto, é tributário. A legislação vigente sobre Imposto de Renda estabelece como limite máximo de dedução, para despesas com planos de previdência privada, o percentual de 12%. Ora, se o percentual de contribuição dos assistidos para o Plano BD é atualmente de 27%, devendo alcançar o patamar de 30% em 2009, naturalmente, a diferença entre esse percentual de contribuição aplicado ao valor bruto de benefício e o limite de dedutibilidade anteriormente mencionado representa, por conseguinte, um valor sobre o qual se pagará imposto de renda; sem que, de fato, o contribuinte tenha auferido renda. 

AABNB - Quais são os planos de benefícios oferecidos aos participantes? E como o senhor avalia o plano de contribuição variável, que deverá ser constituído para abrigar aqueles que ainda não contam com plano de previdência complementar do BNB? 

RG - Atualmente, a Capef administra apenas um plano de benefícios, o Plano BD. Trata-se de um plano de previdência da modalidade benefícios definidos, que abriga, hoje,  aproximadamente 2.500 participantes ativos, 3.500 participantes assistidos e 700 pensionistas. 

Um novo plano está em situação de aprovação e em breve será oferecido para aqueles que não contam com plano de previdência complementar patrocinado pelo BNB, bem como para aqueles que hoje participam do Plano BD. Portanto, será oferecido a todos os funcionários da ativa do BNB.  

Vale, ainda ressaltar, sobre o novo plano, que em razão da paridade cada um real aportado pelo funcionário de contribuição normal, o Banco irá contribuir com igual valor. Assim sendo, consideramos que o novo plano representará um ótimo benefício para aqueles que dele participem. 

Do ponto de vista técnico, destacamos que, além de respeitar a imposição legal, cujo dispositivo preceitua a necessidade de constituição do plano previdenciário patrocinado por sociedade de economia mista, na modalidade de contribuição definida, ou de contribuição variável, a escolha da arquitetura fora balizada pelo atendimento de requisitos de segurança em relação ao risco de eventuais déficits atuariais, bem como pela facilidade de gestão operacional.  

AABNB - Hoje é discutido o ingresso da Capef no mercado, o que transformaria a nossa Caixa de Previdência em empresa multipatrocinada. Na sua avaliação, quais seriam as conseqüências dessa medida?  

RG - Seguir na direção do multipatrocínio representa para a Capef uma oportunidade de obtenção de ganhos de escala. Contudo, para avançar nesse sentido, visualizamos, dentre outros desafios, a necessidade de a Capef superar o grande desgaste de imagem institucional sofrido no passado recente. 

A Capef adquiriu, ao longo de sua trajetória, competências necessárias a esse importante passo. É o caso de devolvermos essa indagação com outra: Por quais razões deixaríamos de administrar planos previdenciários para outros patrocinadores, participantes e beneficiários?    

No grande elenco de conseqüências que essa medida trará, destacamos a possibilidade das vagas para os órgãos estatutários serem preenchidas, ocasionalmente, por pessoas não vinculadas ao Banco. Acerca dessa hipótese, temos a considerar que não poderemos evitar a sua ocorrência, cabendo-nos, apenas, assegurar que a composição dos colegiados relacione-se, proporcionalmente, com o número de participantes vinculados a cada patrocinador ou instituidor, bem como o montante dos respectivos patrimônios.   

AABNB - As entidades representativas (AABNB, AFBNB e CNFBNB) dos funcionários e aposentados do BNB entregaram ao Conselho Deliberativo da Capef, no início de outubro,  um documento onde os participantes ativos e assistidos reivindicam, por intermédio de um abaixo-assinado, a presença de um componente eleito pelos próprios participantes na Diretoria Executiva da Capef. O Conselho Deliberativo já tem uma posição sobre esse tema? Caso ainda não tenha, qual é a estimativa de tempo para responder às entidades?   

RG - A composição atual da diretoria-executiva da Capef, com três membros indicados, foi ratificada no citado processo de formulação do Acordo Geral. A discussão acerca desse tema deverá ser levada, oportunamente, para avaliação do Conselho Deliberativo. Temos a expectativa de que ainda na gestão do Dr. Roberto Smith seja possível uma definição sobre essa reivindicação.


Novos associados 

Relacionamos a seguir, por localidade, os mais novos integrantes do quadro social desta AABNB, incluindo os associados do último mês de outubro/2006. A diretoria da Associação saúda a chegada dos novos companheiros, com a certeza de que o incremento do quadro social fortalece esta AABNB em sua luta pela manutenção dos direitos dos nossos colegas aposentados e pensionistas, e estimula a incessante busca de novas conquistas. 

Fortaleza/CE

Lucides Bessa Gomes

Mª de Jesus M. Alcantarino

Maria de Barros Leal

São Gonçalo/CE

Antonia Maciel de Souza

Quixeramobim/CE

Valdéria Saldanha P. Rodrigues

Itabuna/BA

Raimundo da Silva Cruz

Limoeiro do Norte/CE

Albenes Viana Chaves

Mª Socorro de Oliveira e Silva 

João Pessoa/PB

Terezinha R. Viana de Lima

Carmen Lucia de S. Benjamin

Luzinete Felizola Vieira 

Salvador/BA

Durval Souza Carvalhal

Deoclides C. Oliveira Junior

Getúlio Vargas de Menezes 

Recife/PE

Wanda Lucia de A Mendes

Josélia Mendes dos Santos

 

Aracaju/SE

Maria Noélia Nunes de Freitas

Gilvânia Batista Oliveira 

Catolé do Rocha/PB

Barnabé Teodomiro de Souza 

Natal/RN

Otacílio Luiz Chagas 

Maceió/AL

José Florentino Correa 

Montes Claros/MG

Gonçalo de Carvalho Lajetá


Cartas / Correio eletrônico 

Transcrevemos a seguir resposta da Associação às correspondências dos aposentados: 

I – Sobre as contribuições da Capef          

Sobre os comentários do prezado amigo e colaborador a respeito da taxa de contribuição em favor da CAPEF, concordamos, como sempre tem acontecido, que os patamares são muito altos. Esta AABNB tem cobrado do Banco e da CAPEF estudos para corrigir esse aspecto negativo. Um dos problemas é que todos os estudos atuariais da CAPEF foram realizados com esses percentuais e a sua redução de qualquer ponto percentual implica também em redução da contribuição do Banco, o que faria com que, de imediato, o superavit hoje apresentado se transformasse em déficit.  

             A AABNB também vem discutindo outras fórmulas de melhorar a renda mensal dos aposentados e pensionistas. Assim é que discutimos a matéria com um escritório advocatício tributarista e estamos  preparando ações judiciais para reduzir a tributação do imposto de renda. Brevemente traremos mais informações sobre o assunto.    

             As reclamações sobre a  nossa contribuição para a CAPEF sempre levam a comparações com outros fundos de pensão, principalmente com a PREVI do BB. É importante lembrar que, pelo regulamento da PREVI (veja no site da mesma), o benefício é calculado no momento da aposentadoria e resulta em um valor aproximado a 75% do último salário percebido na ativa. Portanto, com a taxa de contribuição sobre o benefício inicial, o valor do benefício  pode até ficar inferior ao da CAPEF, que considerava o último salário percebido. Sempre temos dito que, hoje, estamos pagando o preço de um plano de benefícios da CAPEF mal estruturado em seu início (com enormes benefícios e aporte de poucos recursos). Lembra quando “compramos” o tempo anterior ao ingresso no Banco e à criação da CAPEF, com taxas irrisórias? Não podemos esquecer, já que somos bancários/financistas de que o problema estouraria algum dia. Não defendemos ou nos acomodamos àqueles problemas, mas entendemos que não podem ser esquecidos.      

             A PREVI vem acumulando altos “superávits” nos últimos anos, resultantes de aplicações em renda variável (bolsa de valores) de considerável  parte do patrimônio, cerca de 55% (cinqüenta e cinco por cento), portanto com elevado risco. A política de investimentos da PREVI deu certo, mas o risco é muito grande. A política de investimentos da CAPEF, nos últimos anos, tem sido muito rigorosa para assegurar a saúde financeira do nosso fundo de pensão. Em renda variável a CAPEF mantém cerca de 10% (dez por cento).  

             Assim,  a PREVI chegou a ultrapassar os 25% (vinte e cinco por cento) de superávit (num patrimônio de R$ 88 bilhões) e repassou para seus beneficiários, reduzindo a contribuição. A CAPEF agora que atingiu algo em torno de 12% (doze por cento) de superávit (num patrimônio de R$ 1,6 bilhões). Esperamos solucionar o nosso problema das contribuições muito antes dos 25%, via acordos com o Banco ou via ações judiciais contra a União na questão do imposto de renda, ou via negociações com o governo federal, já acenadas nos contatos  que mantivemos com parlamentares.     

 II – Sobre o editorial “Em defesa da coletividade” 

           Referimo-nos ao e-mail de 25.10.06 contendo comentários a respeito do Editorial do Jornal da AABNB de setembro de 2006, temos a informar que respeitamos as opiniões de todos os colegas. Também sabemos conviver fraternal e respeitosamente com os que apresentam opiniões e atitudes divergentes e com aqueles com quem temos de estar em permanentes negociações, como são os casos da Capef, Camed e BNB (negociações que não existiam no tempo de Byron Queiroz). Queremos deixar claro que não mudamos de lado, continuamos na defesa intransigente dos direitos dos aposentados e pensionistas do BNB/Capef. A Capef e o BNB são que, diferentemente da era BQ, passaram para o lado da razão e do direito.

           Ressaltamos, também, que, se for feita uma análise desapaixonada dos fatos, capacidade que tem faltado a um pequeno grupo de aposentados, o Editorial expressa a defesa veemente dos direitos da coletividade vinculada à Capef e ao Banco, pois a visão individualista, que Byron tentou implantar, agora assumida por alguns aposentados, põe em risco a saúde da Capef, e quem vai pagar a conta daqueles que tentam arrancar mais recursos da nossa Caixa de Previdência serão todos os aposentados e pensionistas. Estamos defendendo a maioria, mesmo que cause revolta a alguns poucos.  


 Relação de falecidos da AABNB 

Registramos, com enorme pesar, os nomes dos colegas associados desta AABNB que faleceram nos últimos dois anos. A presente relação contempla os falecimentos ocorridos a partir de 10 de outubro de 2004 até 24 de outubro último, corrigindo uma dolorosa lacuna em nosso Jornal. Lembramos, entretanto, que a relação de todos os colegas que já faleceram também encontra-se atualizada e disponível no sítio da Associação (www.aabnb.com.br) na rede mundial de computadores - a internet. 

NOME DT. FAL.
ALDA PORTELA DE MIRANDA 01-jun-05
ALOISIO SANTOS 26-nov-05
ALZIRA CURSINO RORIZ 26-fev-05
ANA FLEURICE PORDEUS BORGES 15-jan-05
ANTONIO ALMEIDA DE SÁ 16-jun-06
ANTONIO DE PADUA CASSIANO 28/abr/06
ANTONIO GONÇALVES DA SILVA 07-abr-05
ANTONIO GUIDO ARRUDA RODRIGUES 09-set-05
ANTONIO JOSE MEDEIROS MOURA 05-abr-05
ARIOSVALDO MATIAS MUNIZ 30-jan-05
ARMANDO FERRO DE ALENCAR 22-jan-05
ATAIDE NOGUEIRA DE MELO 16-dez-05
BENEDITA MACHADO 20-jul-05
CARLOS ALBERTO RIBEIRO ASSIS 03-fev-06
CARLOS BATISTA MIRANDA 08-mai-05
CASSIMIRO LUCIO MONTEIRO CRUZ 27-abr-05
CLOVIS HERMANN DE OLIVEIRA E VALE 15-jun-06
CONSTANTINO ALMEIDA DE ALENCAR 27-fev-06
CUSTODIO ALBANO ALBUQUERQUE 17-nov-04
DINIZ DE ALENCAR ARAUJO 20-fev-06
DJALMA GOMES DA SILVA 28-jul-06
EDVALDO NASCIMENTO BRAZ 24-mar-05
ELIAS RODRIGUES LOURENÇO 5-ago-06
ERALDO MARQUES PREZADO 12-out-04
EVANDRO MENDES PONDE 15-set-06
EVERALDO NUNES MAIA 14-abr-05
FERNANDO FREIRE DE OLIVEIRA 20-out-06
FRANCISCO ABELARDO ALVES EVANGELISTA 04-set-05
FRANCISCO ANGELUS CARVALHO MELO 31-mai-06
FRANCISCO AUBISMAR COSTA SILVEIRA 29-mai-06
FRANCISCO CELESTINO DE MELO 18-ago-06
FRANCISCO LIRA VIEIRA 19-jan-06
FRANCISCO RODRIGUES FILHO 17-set-05
GENESIO DE SOUSA ROCHA 14-nov-05
GENI NUNES DE BARROS 06-dez-05
GERALDO GUEDES PINHEIRO 29-out-04
GILBERTO TELES 07-dez-05
HAROLDO CASTRO SILVA 23-fev-05
HARRISSON FERREIRA MACHADO 15-fev-05
HILDER BEZERRA GOIS 15-dez-04
HUMBERTO ABEL VILAR RIBEIRO 19-abr-06
JACY IGUATIMY DE SOUZA LIMA 21-nov-05
JOANIZA MARIA DE SOUZA 23-ago-05
JOAO DE OLIVEIRA ROLIM 14-jun-05
JOAO LUIS LINS DE CARVALHO 27-nov-05
JOAQUIM FIRMINO CARNEIRO 08-abr-06
JOSE AFRANIO VIDAL 19-ago-06
JOSE ALVES DOS SANTOS 03-mar-05
JOSE DE AGUIAR SANTA CRUZ 04-mar-05
JOSE DE ARIMATEA HOLANDA 09-jul-06
JOSE DE RIBAMAR LOPES 24-jan-06
JOSE DE SOUSA BEZERRA 6-out-06
JOSE EUCLIDES GRANDEZ DE ARAUJO 17-fev-05
JOSE IRA DUTRA 06-fev-06
JOSE MARQUES DANTAS 08-nov-04
JOSE NEWTON DE SANTANA 20-jul-05
JOSE RIZELDO PINHEIRO 25-jun-06
JOSE SOARES NUTO 18-mai-05
JOSE WILSON SILVA 10-out-04
JULIO SEVERINO DE FRANÇA 22-mar-05
KLEBER SAMPAIO ROLIM 29-jun-05
LOURIVAL DE ALMEIDA BRASILEIRO 24-jan-06
LUIZ JOSE DA SILVA 16-out-05
LUIZ MACIEL SILVA 11-nov-04
LUIZ TAVARES DE CASTRO 7-out-06
MARIA DO SOCORRO MILADY DE MELO 20-out-04
MARIA LEONIA VIANA DO AMARAL 11-ago-06
MARIA LIVRAMENTO R. SOARES 20-out-06
MARIA MAROCA MOURAO MAIA 20-abr-05
MARIA SOCORRO SISNANDO ARAUJO DE ALMEIDA 22-jul-05
MARIA TELINA BATISTA CAMPOS 05-set-05
MARIO BEZERRA DE BRITO 12-jan-06
MARLY VIEIRA DE CASTRO 20-ago-05
MURILO PARENTE DE MENEZES 14-mai-05
NARCISO OLIMPIO LEMOS 21-jul-06
NEWTON DE OLIVEIRA 04-mar-06
NICODEMOS RENOVATO DE OLIVEIRA 22-jul-05
OSMAR PINHEIRO 02-jun-06
OTACILIO BRAGA BARBOSA 30-jun-06
PAULINO NASCIMENTO LIMA 02-abr-06
PEDRO ALVES FILHO 02-jul-05
PEDRO NASCIMENTO DOS SANTOS 04-abr-05
RAIMUNDO MAURO XAVIER DE OLIVEIRA 17-jul-05
RANDOLPHO ROCHA CARVALHO 14-jun-05
RENATO TEIXEIRA DE CASTRO 15-set-06
SAMUEL MONTENEGRO DE QUEIROZ 06-jan-05
SILVIA MARIA TELES SALES 14/mai/06
VALDEMAR ALVES MAIA 01-set-05
WALTER ANDRADE DE OLIVEIRA 24-out-06

crônica

o cronista, bem sabemos, é um observador do comportamento humano e das coisas do cotidiano. Situações que, muitas vezes, passam despercebidas para a maioria, alimentam a verve criativa do cronista. A crônica que reproduzimos a seguir retrata o envelhecimento, a chegada à “meia idade”, como define o próprio autor.  O cronista destaca que não devemos, jamais, envelhecer da alma, para que não nos tornemos uns velhotes ranzinzas, daqueles que ficam de mal com a vida.  “SeJAMOS JOVIAIS, SOBRETUDO, E QUE A CADA ENCONTRO NOSSO SE RESTAURE EM NOSSOS ENCANECIDOS CORAÇÕES A BOA E SADIA MOLECAGEM DE SEMPRE”, SALIENTA AIRTON MONTE, NUMA LIÇÃO DE VIDA QUE DESPERTA MUITA REFLEXÃO, ESPECIALMENTE PORQUE AS PESSOAS, HOJE, VALORIZAM SOBREMANEIRA O TER, EM DETRIMENTO À CONJUGAÇÃO DO VERBO SER.

Geração Peterpan

          Venho me dando conta, um tanto espantado, que todos os meus amigos parecem haver descoberto o elixir da eterna juventude. E constato, consternado, que somente eu envelheço, somente a mim o tempo acomete e aflige com as inevitáveis mudanças anuais de idade. Longe de mim querer cometer injustiças indesculpáveis contra gente de meu mais fraternal afeto, mas o Dimas Macedo não sai dos 50 anos há pelo menos uma década. O poeta Carlos Augusto Viana estacionou nos 51 e não abre mão de tão satisfatória e confortável idade.

          O livreiro Sérgio Braga já comemorou os seus 52 verões pelo menos uma dezena de vezes, e o Erle Rodrigues nem falar. O cronista João Soares Neto faz questão absoluta de manter uma canina fidelidade às 60 primaveras, que jura comprovar em cartório e com firma reconhecida. José Teles, poeta e anestesista, botou o tempo pra dormir na imóvel estação dos 62. Quer dizer, todos descobriram um mágico processo de envelhecer lentamente como se pertencessem à unanimidade dos nascidos em anos bissextos. Para eles, o calendário tornou-se apenas uma mera figura de retórica.

          De qualquer modo, sejam benvindos, amigos meus, à meia idade e que o dobrar o cabo da boa esperança lhes seja tão leve quanto o foi pra mim. Só lhes peço um favor de amigo: jamais envelheçam da alma, jamais se tornem um bando de velhotes ranzinzas, de mal com a vida. Sejamos joviais, sobretudo, e que a cada encontro nosso se restaure em nossos encanecidos corações a boa e sadia molecagem de sempre. Entanto, na nossa idade, é preciso tomar certos cuidados, principalmente com o mau humor, a perda da alegria e da esperança, porque é disso que os velhos morrem.

          Cuidado com o vento encanado, senão lá vem resfriado, boca torta, reumatismo. Nada de querer bancar o pai dos próprios netos, perpetrando a terrível apropriação indébita do pátrio poder. Cabe atentar para o significativo fato de que é nessa idade que as mulheres costumam querer comandar nosso existir nos obrigando a ir ao médico, dormir cedo, seguir dietas. Portanto, amigos meus, a hora é chegada de sermos rebeldes, transgressores da ditadura doméstica. Sejamos, enfim, aqueles de quem se diz que envelhecem com dignidade, pompa e circunstância
. (coluna airton monte/jornalOpovo/Fortaleza) 


ENCARTE CULTURAL

A MESA DO VELHO AVÔ 

Um frágil e velho homem foi viver com seu filho, nora, e o seu neto mais velho de quatro anos. As mãos do velho homem tremiam, e a vista era embaralhada, e o seu passo era hesitante. A família comeu junto à mesa. Mas as mãos trêmulas do Avô ancião e sua visão falhando, tornou difícil o ato de comer. Ervilhas rolaram da colher dele sobre o chão. Quando ele pegou seu copo, o leite derramou na toalha da mesa.  

A bagunça irritou fortemente seu filho e nora: “Nós temos que fazer algo sobre o Vovô”, disse o filho: “Já tivemos bastante do seu leite derramado, ouvindo-o comer ruidosamente, e muita de sua comida no chão”. Assim o marido e esposa prepararam uma mesa pequena no canto da sala. Lá, Vovô comia sozinho enquanto o resto da família desfrutava do jantar.  

Desde que o Avô tinha quebrado um ou dois pratos, a comida dele foi servida em uma tigela de madeira. Quando a família olhava de relance na direção do Vovô, às vezes percebia nele uma lágrima em seu olho por estar só.  

Ainda assim, as únicas palavras que o casal tinha para ele eram advertências acentuadas quando ele derrubava um garfo ou derramava comida. 

O neto mais velho de quatro anos assistiu tudo em silêncio. Uma noite antes da ceia, o pai notou que seu filho estava brincando no chão com sucatas de madeira. Ele perguntou docemente para a criança: “O que você está fazendo?“ Da mesma maneira dócil, o menino respondeu: “Oh, eu estou fabricando uma pequena tigela para Você e Mamãe comerem sua comida quando eu crescer”. O neto sorriu e voltou a trabalhar.  

As palavras do menino golpearam os pais que ficaram mudos. Então lágrimas começaram a fluir em seus rostos. Entretanto nenhuma palavra foi falada, ambos souberam o que devia ser feito. Aquela noite o marido pegou a mão do Vovô e com suavidade o conduziu para a mesa familiar. Para o resto de seus dias de vida ele comeu sempre com a família.  

E por alguma razão, nem marido nem esposa pareciam se preocupar mais quando um garfo era derrubado, ou leite derramado, ou que a toalha da mesa tinha sujado. 

As crianças são notavelmente perceptivas. Os olhos delas sempre observam, suas orelhas sempre escutam, e suas mentes sempre processam as mensagens que elas absorvem. Se elas nos vêem pacientemente providenciar uma atmosfera feliz em nossa casa, para nossos familiares, elas imitarão aquela atitude para o resto de suas vidas.  

O pai sábio percebe isso diariamente, que o alicerce está sendo construído para o futuro da criança. Sejamos sábios construtores de bons exemplos de comportamento de vida em nossas funções.  

Lembre-se também do Mandamento que Deus nos deixou: “Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá”  (Êxodo 20:12) 

                                                                                                     A pedido do Associado Jeander Batista de Lucena

 


ALEGORIAS DO NATAL

(O Natal dos Pobres)  

Natal!

Azáfama!

Cartões entulhando os guichês do Correio:

-        amabilidades amáveis,

        cumprimentos frívolos,

votos de Paz e Próspero Ano Novo.

Nenhuma emoção no impresso de luxo.

 

Comércio explorando,

Vendendo o menino-jesus:

“Natal de amor,

 Natal de paz.

 Natal de tranqüilidade:

 - compre tudo isto em CIMAIPINTO”.

 

Perus compondo banquetes,

cestas e vinhos,

árvores coloridas,

luzes multicores,

pisca-piscas cintilantes!!!

 

Festa,

alegria e riso

- sapatinhos nas janelas

  esperando os presentes de um papai noel de ricos.

 

Do outro lado deste ouropel fantástico,

estômagos vazios,

pés sem sapatos para receber presentes,

pais sem emprego;

natal de desespero e de esperança mórbida,

para quem a estrela não guiou pastores,

 

e os reis magos não levaram ofertas,

e o menino – que não é jesus – chorou de fome

e de desilusão por não ter seu brinquedo.

 

E como se não bastasse,

a sociedade,

numa afronta à dignidade humilhada,

criou o “Natal dos Pobres”. 

João Bosco da Silva

Associado da AABNB

 


CONSTRUINDO PONTES 

Dois homens moravam num terreno deixado pelo pai, e um riacho dividia a propriedade meio a meio. Ao final de todas as tardes, um deles atravessava o riacho e ia se juntar ao irmão, e lá passavam horas e horas conversando, recordando passagens interessantes e momentos bons da vida. Eis que, numa dessas conversas, discordaram e brigaram. A briga virou raiva, a raiva virou intriga, a intriga virou repulsa, a repulsa virou desejo de morte. Um deles, não suportando mais ver a cara do outro na margem oposta do riacho, comprou muita madeira, com a qual mandaria fazer uma cerca, que os separaria definitivamente.

Certo dia, viu caminhando em sua direção um homem estranho, que chegou e lhe pediu emprego.

-         Que sabe fazer? Perguntou o dono da casa.

-         Faço qualquer serviço com madeira.

-         Ótimo! Quero que faça uma longa cerca ao largo desse riacho com a madeira que aí está, mas vou fazer uma viagem de alguns dias. Quando chegar, a cerca já deverá estar pronta e então far-lhe-ei o pagamento. Tudo acertado, o homem empreendeu viagem.

Após criterioso exame, o carpinteiro constatou que a madeira era grossa e boa demais, e que seria um desperdício utilizá-la para fazer cerca. Assim, construiu uma linda ponte sobre o riacho, no lugar exato onde se dava a travessia.

O dono retornou e ficou possesso, querendo até mesmo matar o carpinteiro.

O habitante da margem oposta, vendo o irmão chegar e tendo interpretado a construção da ponte como um sinal de amizade, caminhou por sobre a mesma, abraçou fortemente o irmão e fizeram as pazes.

Não encontrando de forma alguma o homem que fizera a ponte, sem por isso cobrar um só centavo, tiveram ambos, o entendimento de que o estranho era Deus, e que se havia apressado em ir embora face à necessidade de construir novas pontes, pois, sabia Ele: precisamos bem mais de pontes QUE UNEM do que cercas QUE SEPARAM...                

                                          Autor desconhecido

A pedido do associado Luiz Mendes Filho 


A Vingança 

 Você considera a vingança como um ato de coragem ou de covardia? Algumas pessoas acreditam que a vingança é uma demonstração de grande coragem. Afinal de contas não se pode tolerar uma afronta sem se rebaixar. Pensam que a tolerância e a indulgência seriam prova de fraqueza ou de covardia. Todavia, temos de convir que o ato de vingar-se jamais constitui prova de coragem. Geralmente, quando buscamos revidar uma ofensa o fazemos movidos por medo do agressor ou da opinião pública. Não importa que a nossa consciência nos acuse de covardia ou indignidade, o que nos interessa é que a sociedade não nos julgue assim. O mesmo não ocorre com relação ao ato de perdoar. O perdão, sim, exige do ofendido muita coragem e dignidade. Enquanto a vingança é uma ladeira fácil de descer, o perdão é uma ladeira difícil de subir. Algumas pessoas costumam enfrentar corajosamente os mais graves perigos, mas sentem-se impotentes para tolerar uma pequena ofensa. Escalam, com ousadia, altas montanhas, saltam de pára-quedas desafiando as alturas, enfrentam animais ferozes, aceitam os desafios do trânsito, navegam em mar revolto com bravura, mas não conseguem suportar um mínimo golpe da injustiça. Dão grande prova de coragem em alguns pontos, mas não relevam a investida da ingratidão, da calúnia, do cinismo, da falsidade, da infidelidade. Realmente fortes são aqueles que conseguem conter-se diante de uma agressão. A verdadeira fortaleza está nas almas que não se descontrolam, quando são ofendidas. Que não se impacientam, quando são incomodadas. Que não se perturbam, quando são incompreendidas. Que não se queixam, quando são prejudicadas. Verdadeira coragem é aquela de que o Cristo nos deu o exemplo: Ele sofreu a ingratidão daqueles a quem havia ajudado, enfrentou o cinismo dos agressores, foi ultrajado, caluniado, cuspiram-Lhe no rosto e O crucificaram, e Ele tomou uma única atitude - a do perdão. Por várias vezes, em sua passagem pela terra, o Homem de Nazaré teve motivos de sobra para revidar ofensas, mas sempre optou pela dignidade de calar-­se. Diante das agressões recebidas, o Meigo Rabi da Galiléia passava lições grandiosas, como aconteceu com o soldado que O esbofeteou quando estava de mãos amarradas. Sem perder a serenidade habitual, o Cristo olhou-o nos olhos e lhe perguntou: “se eu errei, aponte meu erro, mas se não errei, por que me bate?” Essa é a atitude de uma alma verdadeiramente grande. Se Jesus tivesse parado em meio à caminhada do Gólgota, largado a cruz injusta do suplício, para se voltar contra Seus agressores e exercer sobre eles o direito de vingança, certamente não teria passado à posteridade como Modelo de perfeição e de amor.  

* * *

"Somos semelhantes a animais quando matamos. Somos semelhantes a homens quando julgamos. Somos semelhantes a Deus quando perdoamos."

Autor Desconhecido


O NATAL 

Hoje é tão difícil para mim falar sobre o Natal. Não era para ser assim, pois o que sempre ouvimos, é que o Natal é uma época de pregar o amor entre as pessoas. É quando as famílias se reúnem, trocam presentes, abraços, beijinhos... 

O que percebo, no entanto, é que cada vez mais as pessoas estão se distanciando, até mesmo dos seus familiares. Quando, algumas famílias ainda teimam em tentar reunir seus parentes e amigos, o que se nota é uma grande dose de falsidade. A maioria se comporta como se estivesse ali quase que por uma obrigação em marcar presença, mas o pensamento está em escapulir na primeira chance. O que querem, na verdade, é participar das festas nos clubes, curtir as barraquinhas no meio da rua e outras coisinhas mais... Ninguém liga mais para a reunião familiar que antigamente fazia tanto sucesso. Ninguém quer saber das novenas, das missas. Acham maçantes os sermões dos padres. Não dão a mínima para o verdadeiro sentido do Natal que é a comemoração do nascimento de Jesus Cristo, nosso Salvador, o filho de Deus que deu sua vida para que pudéssemos ter o perdão dos nossos pecados. Ninguém liga mais para isso. Acham que não tem nada a ver. Muitos nem crêem mais nos ensinamentos da Bíblia. Dizem até que Jesus foi simplesmente um visionário, um rebelde e que por isso passou por todas aquelas provações. Com isso, vai se perdendo totalmente a fé. Vão se  enraizando nas mentes, principalmente nos mais jovens, idéias confusas. Vão se transformando em adultos confusos, sem fé, sem esperança, sem Deus, sem nada. Daí tantas misérias acontecendo. Tantos revoltados com as desigualdades que sempre existiram no mundo e achando que agindo com violência conseguem tudo que querem... E agem. Vão por cima de tudo e de todos. Não importa quem vai cair, nem como vai cair. Eles só pensam neles mesmos. Tratam seus semelhantes pior que os animais. Lançam sua raiva em cima de quem teve mais sorte, ou talvez, mais fé e por isso mesmo progrediu. Mas, para essa gente sem Deus, nada importa. Estão cegos pelo poder, pela riqueza de maneira fácil. Não querem trabalhar... Simplesmente querem tudo já pronto. Tenho muita pena dessas pessoas. Não creio que sejam felizes, vivendo assim, às custas de provocar a desgraça dos outros. 

Mas, o Natal está chegando mais uma vez. Tentemos nós que ainda acreditamos na solidariedade, na união familiar; vamos pois, fazer a nossa parte. Porque o Natal é momento de reflexão, é momento de doação, é momento de demonstrar nosso amor ao próximo. 

Sei que algumas coisas já não conseguiremos resgatar. Tentemos fazer um bom Natal com o que nos resta. Vamos todos nos reunir como antigamente, mesmo sentido falta de alguns entes queridos que se foram e que eram talvez a mola-mestra para promover esses encontros. Mesmo assim a vida não parou. Nós que ficamos temos de continuar a tradição. Se os tempos hoje são difíceis e já não temos a fartura de antigamente, mesmo assim, façamos com aquilo de que dispomos. O importante é comemorar com a família reunida e dentro do verdadeiro sentido do Natal. 

Para todas as famílias brasileiras, ou melhor, para todas as famílias do mundo inteiro eu almejo um Natal de muita paz, muito amor, muita solidariedade. Esse para mim é o verdadeiro sentido do Natal. É renascimento no amor de Cristo! 

Maria Auxiliadora N.S.X. Moraes

Aposentada do BNB – Floresta-PE


PEDREIRAS DA VIDA 

Nossa vida é uma flor em botão

No jardim construído por Deus

Cada passo é uma estação

Reservada para os filhos seus;

 

Na escada da vida que temos,

Se subimos com dificuldades;

Muitas vezes cansados descemos,

Porém cheios de felicidades...

 

Não levamos a cruz de madeira;

Como fez o nosso Salvador;

Encontramos espinhos e poeira;

Amparados nas relvas do amor

 

Nesta luta cheia de segredos;

Nos momentos em que fraquejamos,

Falta tato nas mãos e nos dedos

Nem sequer nossa cruz carregamos

 

Somos fracos e debilitados?

Na subida e também na descida?

Somos frágeis com nossos pecados!

Que chamamos pedreiras da vida.

 

Neste mundo de infinito suave,

Somos grãos de areia, somente!

E só Cristo é o dono da chave,

Que abre e fecha o coração da gente,

 

Ao subir ou descer nossa escada,

Aprendemos que o amor é maior

Há um ser grandioso na estrada,

Nos mostrando o que há de melhor,

 

Sejamos pois, caminheiros da luz,

Da paz e do amor que faz bem;

Nosso espírito pertence a Jesus,

Por todos os séculos, dos séculos. “Amém”

 

Francisco Canindé Fernandes

Aposentado do BNB


DISPUTA DESIGUAL

(Uma crônica sem verbo) 

Antevéspera da comemoração do nascimento de Jesus! Via pública. Uma tarde de sol de início de verão num cruzamento de grande movimento da Fortaleza bela. Beleza, aliás, triste e desfigurada pela ocorrência de desventuroso acontecimento. 

No semáforo, criancinhas e adultos com as suas mão estendidas em busca de ajuda para a ceia da noite do dia seguinte. De repente, e mais que de repente, o cantar do freio de um veículo motorizado! Um grito de dor! E todos os olhares em direção à origem do som da freada brusca. 

Muita dor também na face e na alma dos expectadores... E o corpinho de um menino anônimo – não mais que dez anos- sobre o asfalto da pista de rolamento. Sangue na testa, na boca e no nariz. Escoriações no tronco, nos braços, enfim, em todas as partes possíveis. 

Naquele momento, muito alvoroço, correria e nada de uma diligência mais efetiva. Igualmente visível, a aflição de um senhor forte, de meia idade: lágrimas nos olhos, voz trêmula e repetidos apelos ao menino Jesus, em favor do menor. Provavelmente, um menino de rua, sem residência conhecida. Hoje aqui, amanhã ali, no outro dia acolá. 

Naquele cruzamento, uma brutal e acirrada concorrência entre carros e pedestres. No mesmo ponto, desigual e, às vezes, desleal, a disputa por cada pedaço de chão entre os carrões e as criancinhas pedintes. Quase sempre, com desfechos funestos para a parte mais fraca. 

Verdade! Para os circunstantes, nenhuma culpa à desapontada motorista do “corolla”. Até que enfim, ao longe, ainda bem ao longe, o silvo da sirene da ambulância com o socorro. Alívio para a motorista e os transeuntes?! Talvez! O hospital mais próximo, distante dez quilômetros. 

Dia seguinte, a esperança de uma boa notícia... Na realidade, nada disso... Efetivamente, tudo ao contrário. Por isso, lágrimas e mais lágrimas nos rostinhos “inocentes” dos coleguinhas de “profissão” do meu pequeno person