JORNAL DA AABNB


NOVEMBRO/2007


Byron Queiroz é condenado 

Acusado de gestão fraudulenta e formação de quadrilha, o ex-presidente do BNB e mais quatro ex-diretores e um ex-superintendente foram condenados a penas de 11 a 13 anos de reclusão. A presente condenação é resultado do incansável trabalho realizado por esta AABNB, ao denunciar as irregularidades cometidas pelos dirigentes que comandaram o BNB no período de 1994/2002, no governo do PSDB, quando Byron Queiroz era tesoureiro do partido dos tucanos. A Direção da AABNB entende que, além do próprio BNB, a sociedade brasileira, especialmente o povo da região Nordeste, pode comemorar esta decisão. Afinal, vivemos uma nova realidade, que não suporta mais a impunidade dos criminosos do “colarinho branco”. Leia a seguir a íntegra da matéria publicada no jornal O Povo, de Fortaleza, em sua edição 21 de novembro de 2007, uma data para ser lembrada com sentimento de Justiça.   

A NOTÍCIA NA ÍNTEGRA 

“O juiz Federal Substitu to da 12ª vara da Justiça Federal, José Donato de Araújo Neto, condenou o ex-presidente do Banco do Nordeste, Byron Queiroz, quatro ex-diretores e um ex-superintendente por gestão fraudulenta e formação de quadrilha. A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público Federal, com base em informações da Associação dos Funcionários Aposentados do Banco do Nordeste, que apontavam a existência de fraudes nos registros contábeis do BNB. A ação envolvia, ainda, um ex-gerente da instituição, que foi absolvido.

O juiz concluiu, após análise dos autos, que foram "evidentes e gravíssimas" as irregularidades cometidas pelos denunciados na administração do BNB. Para ele, diversas fraudes foram promovidas durante a gestão dos denunciados para beneficiar os grandes devedores inadimplentes e encobrir a real situação patrimonial enfrentada pelo banco, caracterizando gestão fraudulenta e formação de quadrilha.

Ivo Ademar Lemos, gerente de Contabilidade do BNB na época, foi absolvido e terá os bens desbloqueados. Já os ex-diretores Ernani José Varela de Melo, Osmundo Evangelista Rebouças, Raimundo Nonato Carneiro Sobrinho, Marcelo Pelágio da Costa Bonfim e o ex-superintendente de Supervisão Regional Antônio Arnaldo de Menezes, foram condenados juntamente com Byron Queiroz.

Byron foi sentenciado a 13 anos de reclusão e multa no valor de 300 dias-multa, sendo cada dia-multa dez vezes o salário mínimo vigente ao tempo dos fatos. "Uma vez que o réu goza de boa situação econômica, ante aos sinais exteriores de riqueza representados pelos bens apreendidos". Os outros acusados também tiveram as penas estipuladas entre 10 e 11 anos de reclusão e de pelo menos multa no valor de 150 dias-multa, sendo cada dia-multa arbitrado à razão de oito vezes o salário mínimo vigente ao tempo dos fatos. Ainda cabe recurso da sentença.

Osmundo Evangelista disse ao
jornal O POVO ter conhecimento da condenação, mas preferiu não se pronunciar. "Isso aí está com os advogados. Eles estão acompanhando. Isso é assunto dos advogados com a Justiça", afirrmou. Já Ivo Ademar Lemos disse que iria se abster de falar sobre a decisão, na qual ele foi inocentado. "Quem tem que falar é o Byron. Ele que era o presidente", disse. O ex-presidente do BNB e os demais diretores não foram localizados.


IV Encontro de Dirigentes Eleitos da Anapar 

A Associação Nacional dos Participantes de Fundos de Pensão (Anapar) realizou no último dia 6 de novembro, em Belo Horizonte, o IV Encontro de Dirigentes Eleitos de Fundos de Pensão. Os temas do evento focalizaram o novo cenário macroeconômico e os atuais conceitos de crescimento sustentável. De acordo com a Anapar, esta conjuntura apresenta desafios e oportunidades para os gestores dos Fundos de Pensão, uma vez que impõe a necessidade de se repensar a aplicação dos recursos com vistas à obtenção de rentabilidade num cenário com baixas taxas de juros.

Foram apresentados dois grandes painéis: um módulo tratou da Sustentabilidade dos Planos de Benefício – Premissas Atuariais, Déficits e Utilização de Superávit; e a outra apresentação destacou questões voltadas à Rentabilidade e Aplicação de Recursos e à Gestão de Ativos no novo Cenário Econômico. A AABNB participou desse Encontro, representada por seu Presidente, José Edson Braga, e pelos Diretores Miguel Nóbrega Neto e Luiz Paulino da Silva.


28º Congresso Brasileiro dos Fundos de Pensão

discute o futuro da Previdência Complementar   

Na instalação do Congresso, o Secretário Executivo do Ministério da Previdência, Carlos Eduardo Gabas, e o Secretário de Previdência Complementar, Leonardo Paixão, anunciaram que o Projeto de Lei que institui a nova autarquia supervisora, nos moldes da extinta Previc, será brevemente enviado ao Congresso Nacional. A informação gerou uma expectativa positiva em relação à aprovação, pelos parlamentares, do Projeto de Lei que institui o órgão de Estado responsável pela nova estrutura de supervisão e fiscalização do sistema de fundos de pensão.

         “Capitalismo Social e Crescimento: o Futuro é Agora” foi o tema central do 28º Congresso Brasileiro dos Fundos de Pensão, realizado entre os dias 7 e 9 de novembro em Belo Horizonte, pela Associação Brasileira de Entidades Fechadas de Previdência Complementar – Abrapp. Com uma extensa programação, o evento contou com palestras, debates, seminários e sessões plenárias. Ao longo dos três dias, os representantes de fundos de pensão e especialistas nacionais e internacionais discutiram temas de grande relevância, atualidade e pertinência para o desenvolvimento do sistema fechado de previdência complementar no Brasil, que em 2007 completará 30 anos.

A Palestra intitulada “PAC - oportunidades e desafios para os fundos de pensão” foi proferida pelo Diretor financeiro da FUNCEF e pelo Reitor da Universidade de Santo Amaro, Demósthenes Marques e Ozires Silva, respectivamente. Outros quatro seminários fecharam o primeiro dia do encontro, com destaque para os temas “o papel do atuário” e “perspectivas da previdência complementar no serviço público”. O Secretário de Previdência Complementar do Ministério da Previdência Social, Leonardo A. Paixão, participou da sessão plenária coordenada pelo Presidente da Abrapp, com o tema “capitalismo social e o papel dos fundos de pensão na formação da economia brasileira”. O modelo de “Governança dos fundos de pensão” foi o tema do painel que teve o Presidente da Previ, Wagner Pinheiro de Oliveira, entre os palestrantes. José Reinaldo Magalhães, Diretor de Investimentos da Previ, integrou a equipe que abordou o tema “os investimentos dos fundos de pensão e a sustentabilidade empresarial”. O Presidente da Anapar, Jose Ricardo Sasseron e o Secretário Adjunto da SPC, Ricardo Pena, participaram do módulo que debateu “Os mecanismos de proteção para planos de fundos de pensão”.

         No encerramento do evento, o presidente da Abrapp destacou a expectativa de rápido crescimento das EFPCs, com a projeção de que os ativos totais dos fundos de pensão representem 50% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional até o ano de 2020.  A AABNB também participou desse evento, com a mesma equipe que esteve no encontro da Anapar.  


Saúde na 3ª idade 

Jogos de computador

exercitam o cérebro 

Com base em evidências científicas, alguns tipos de jogos eletrônicos são tidos como exercícios mentais e podem ser especialmente úteis para as pessoas mais velhas, que sofrem com o risco de perda de memória, demência e problemas visuais. Essa nova perspectiva incrementou o volume de programas de internet ou de computadores voltados à terceira idade.

Embora cautelosos em relação aos benefícios apregoados pelos grandes fabricantes de jogos eletrônicos, pesquisadores afirmam que os estudos demonstram que as pessoas adeptas desses jogos mantêm habilidades visuais e mentais mais aguçadas, o que pode melhorar e contribuir à realização de tarefas diárias. Estes jogos incluem tarefas que têm a ver com memória, matemática e música. (fonte: Jornal O Povo, de Fortaleza)

Ecologia  

Cerca de 180 milhões de baterias de celular são descartadas todos os anos no Brasil. O mais grave é que apenas 1% delas segue para reciclagem, graças aos poucos consumidores que depositam as baterias usadas nos escassos postos de coleta apropriados. A informação é do diretor da ONG Antena Verde, Roberto Ziccardi. O problema de tudo isso ir parar no lixo é a contaminação do solo e do lençol freático por metais pesados. A composição química das baterias varia muito, mas a mais nociva é feita de níquel e cádmio (Ni-Cd). “São metais tóxicos, que têm efeito cumulativo e podem provocar câncer”, afirma a professora Denise Espinosa, do Departamento de Engenharia Metalurgia e de Materiais da USP. A boa notícia é que já existem restrições à produção e comercialização desse tipo (Ni-Cd) de bateria e a maior parte dos celulares hoje utiliza baterias não-tóxicas. Ainda assim, em defesa da saúde do planeta e dos seus habitantes, é importante que se aumente o índice de reciclagem desses materiais. (fonte: revista superinteressante)


Sessão especial comemora os 55 anos do BNB 

A Assembléia Legislativa da Bahia homenageou os 55 anos de atividades do BNB, em sessão especial realizada no dia 1º de novembro, no plenário daquela casa, em Salvador. O autor do requerimento foi o Deputado Álvaro Gomes, líder do PC do B na AL da Bahia. O Deputado Federal Daniel Almeida, do PC do B da Bahia, participou da solenidade, ao lado dos parlamentares estaduais, dos representantes do BNB e demais convidados. Entre os participantes estavam: o Deputado Estadual Gilberto Brito; Diretor de Negócios do BNB, Paulo Sérgio Rebouças Ferraro; Presidente da Federação dos microempresários da Bahia, Moacir Vidal; Deputado Estadual Álvaro Gomes; Superintendente do BNB na Bahia, Nilo Meira Filho; Aristeu de Almeida Barreto, funcionário aposentado do BNB; e Miguel Nóbrega Neto, representando a AABNB.

Nos vários pronunciamentos foi destacada e importância do BNB como órgão de desenvolvimento regional, principalmente como agente propulsor das micro-empresas e da geração de emprego e renda.  Além desses aspectos, Miguel Nóbrega lembrou a importância do desempenho de todos os funcionários do BNB, ativos e aposentados, para a consecução de seus objetivos, bem como a necessidade de as lideranças políticas e empresariais protegerem o Banco contra os riscos de sua extinção ou absorção por outros Bancos, como agora é veiculado pela imprensa.   


Novos Conselheiros eleitos da Capef

são empossados na sede da entidade

 Tomaram posse no dia 1º de novembro de 2007, na sede da Capef, em Fortaleza, os novos membros eleitos para os Conselhos Fiscal e Deliberativo da Entidade. A cerimônia contou com a presença  de Luiz Henrique Mascarenhas Corrêa Silva, Diretor Financeiro e de Câmbio do BNB, Robério Gress, Presidente do Conselho Deliberativo da Capef, Emílio Gazanna, Diretor de Administração de Recursos de Terceiros do BNB, José Frota de Medeiros, Presidente da AFBNB, José Edson Braga, Presidente da AABNB, João Robério Pereira de Messias, Presidente da CAMED, Fran Bezerra, Presidente da Capef, diretores, gestores e conselheiros da Entidade.

Para o Conselho Deliberativo foram eleitos: Ailton Carvalho dos Santos, Miguel Nóbrega Neto e Raimundo Lourival de Lima, como titulares; e como suplentes, Francisco das Chagas Soares, José Luiz Sobrinho e José Dantas Batista Filho.  Para o Conselho Fiscal foram eleitos como titulares: Tarcílio Batista de Mesquita e Tomaz de Aquino; e os suplentes,Manoel Porfírio Neves e Manoel Miguel dos Santos Filho.


Diretoria Executiva e Conselho Fiscal

da Camed assumem novo mandato 

 

A solenidade de posse da Diretoria Executiva e do Conselho Fiscal da Camed foi realizada no dia 14 de novembro último, na sede da Entidade. O Diretor-Presidente João Robério Pereira de Messias e o Diretor de Promoção e Assistência à Saúde, José Barbosa de Farias, foram reconduzidos para um novo mandato. A nova Diretora Administrativa e Financeira é Lúcia de Fátima Barbosa da Silva. Na foto ao lado, os membros da Diretoria Executiva com o Presidente do BNB, Roberto Smith. Os integrantes do Conselho Fiscal são: Maria Lúcia Costa teles, Aila M. Ribeiro de Almeida, José Nilton Fernandes, Rita Josina Feitosa da Silva, Antônio de Pádua Galindo Primo e Edílson Rodrigues dos Santos.  

 


Coluna Nossa Gente!               

Cearense de Iguatu, João Alves de Melo inscreveu o seu nome na restrita galeria de funcionários que presidiram o BNB. Tudo começou em sua terra natal, em 1961, ao ser aprovado no concurso público para Escriturário Auxiliar. Nesse mesmo ano foi transferido para a agência de Campos Sales, onde exerceu, ao longo de 5 anos, as funções de Caixa, Chefe de Serviços e Gerente Substituto. Já em 1966 assumiu a função de Chefe de Seção, na agência de Juazeiro do Norte, onde permaneceu pouco mais de um ano. O ingresso no curso de Economia, da UFC, acelerou sua transferência para Fortaleza, onde exerceu inicialmente o cargo de Analista de Crédito, no Departamento de Crédito Geral.

No ano em que concluiu o curso de Economia (1969) foi convidado para integrar o Grupo de Trabalho encarregado de implantar a “Racionalização do Trabalho” no Banco. Era uma época de mudanças e se acelerava o processo de informatização com o desenvolvimento do ORPRO – Organização de Processamento de Dados. João Alves de Melo entende que a fase mais criativa do BNB ocorreu entre 1969 e 1971, e acrescenta que “nesse período foram implantados os sistemas de caixa executivo, fila única, tele-saldo e caixa-livre”. Permaneceu no ORPRO até 1984, exerceu diversas funções e foi Chefe de Divisão.

Em 1985 assumiu a Chefia de Gabinete da Presidência, onde permaneceu por três anos. Depois, exerceu a função de Diretor de Crédito e Infra-estrutura, por mais de dois anos, até a obtenção da sua aposentadoria. Renunciou ao cargo de Diretor no governo Collor, mas voltou ao Banco em 1992, para assumir a presidência da Instituição, até 1995. Também exerceu destacadas funções na Prefeitura de Fortaleza, nas pastas das Secretarias de Administração; Trabalho e Ação Social; Planejamento e Orçamento e foi Secretário Executivo Regional. Desenvolveu atividades acadêmicas na UFC e na UECE, ao lecionar na graduação e pós-graduação. Prosseguiu estudos em nível de Mestrado e Doutorado e ampliou suas pesquisas sobre Administração Pública Participativa.

Atual Presidente do Instituto de Estudos, Pesquisas e Projetos (IEPRO) da UECE, ele diz que “o BNB é uma Universidade do Desenvolvimento do Nordeste”, pelos investimentos que proporciona à Região e pela qualificação dos seus recursos humanos. João Alves de Melo é Nossa Gente!

 

 

Natural do município do Crato, no Ceará, Francisco Celestino de Melo começou a trabalhar ainda menino, aos 12 anos, como Contínuo. Ao ingressar no BNB em janeiro de 1955, como Auxiliar Praticante, já trazia na bagagem uma experiência de sete anos de trabalho. Naquele mesmo ano, prestou concurso para Escriturário e assumiu a função de Encarregado de Serviço, no Departamento de Pessoal, onde estruturou e desenvolveu toda a sua carreira no Banco. Depois de passar quatro anos como Encarregado, passou a Chefe do Setor de Análise e, mais tarde, Chefe do Setor de Seleção e Treinamento, ao longo de oito anos. Integrou as Comissões Selecionadoras de candidatos a bolsistas e ao Curso de Crédito Rural. Exerceu a função de Chefe-Substituto, no Departamento de Pessoal, em várias oportunidades, e assumiu o cargo de Chefe da Divisão de Treinamento, a partir de 1967.

Bacharel em Ciências Econômicas, pela UFC, e também reconhecido como Técnico em Administração, exerceu atividades didáticas durante 32 anos, como professor da Universidade Estadual do Ceará – UECE. As atividades docentes foram desenvolvidas em plena harmonia com o seu trabalho no BNB, uma vez que as teorias abordadas em sala de aula estavam ancoradas em experiências praticadas no Banco. Também foi Professor do CHB – Curso de Habilitação Bancária, durante quatro anos, contribuindo para a formação de vários quadros da Instituição. A sua carreira no BNB também assinala a atividade de membro da Comissão Examinadora dos concursos para Técnico Agrícola e para Engenheiro Agrônomo. Cedido pelo Banco, atuou como Professor Titular do Centro de Estudos Sociais Aplicados da UECE, nas disciplinas Chefia Administrativa e Administração de Pessoal. Em 1979, assumiu a função de Chefe Adjunto do Departamento de Pessoal, se aposentando em março de 1981. Em razão da sua experiência na área de RH, classifica o Banco como “uma verdadeira escola”. Depois de 26 anos de banco e 32 de magistério, aproveita o máximo do tempo, atualmente, para dedicar-se à família. Francisco Celestino de Melo é Nossa Gente!    


 ENCARTE CULTURAL

Um Violão entre as grades

inspira poeta popular

 

Na Paraíba, alguns elementos que faziam uma serenata foram presos. Embora liberados no dia seguinte, o violão ficou detido.

Tomando conhecimento do acontecido, o famoso poeta Ronaldo Cunha Lima enviou petição ao Juiz da Comarca, em versos, solicitando a liberação do Instrumento musical.

 

 

Senhor Juiz

Roberto Pessoa de Sousa 

 

O instrumento do “crime” que se arrola

Nesse processo de contravenção

Não é faca, revólver ou pistola,

Simplesmente, Doutor, é um violão.

 

Um violão, Doutor, que em verdade

Não feriu nem matou um cidadão

Feriu, sim, mas a sensibilidade

De quem o ouviu vibrar na solidão.

 

O violão é sempre uma ternura,

Instrumento de amor e de saudade.

O crime a ele nunca se mistura

Entre ambos inexiste afinidade.

 

O violão é próprio dos cantores

Dos menestréis de alma enternecida

Que cantam mágoas que povoam a vida

E sufocam as suas próprias dores.

 

O violão é música e é canção

É sentimento, é vida, é alegria,

É pureza e é néctar que extasia.

É adorno espiritual do coração.

 

Seu viver, como o nosso, é transitório

Mas seu destino, não, perpetua.

Ele nasceu para cantar na rua

E não para ser arquivo de Cartório.

 

Ele, Doutor, que suave lenitivo

Para a alma da noite em solidão,

Não se adapta, jamais, em um arquivo

Sem gemer sua prima e seu bordão.

 

Mande entregá-lo, pelo amor da noite

Que se sente vazia em suas horas,

Para que volte a sentir o terno açoite

De suas cordas finas e sonoras.

 

Liberte o violão, Doutor Juiz,

Em nome da Justiça e do Direito.

É crime, porventura, o infeliz

Cantar as mágoas que lhe enchem o peito?

 

Será crime, afinal, será pecado,

Será delito de tão vis horrores,

Perambular na rua um desgraçado

Derramando nas praças suas dores?

 

Mande, pois, libertá-lo da agonia

(a consciência assim nos insinua)

Não sufoque o cantar que vem da rua,

Que vem da noite pra saudar o dia.

 

É o apelo que aqui lhe dirigimos

Na certeza do seu acolhimento

Juntada desta aos autos nós pedimos

E pedimos, enfim, deferimento.

 

O Juiz Roberto Pessoa de Sousa, por sua vez, despachou utilizando a mesma linguagem do poeta Ronaldo Cunha Lima: o verso popular.

Publicado no Diário do Nordeste de 27.05.1993

 

Recebo a petição escrita em verso

E, despachando-a sem autuação,

Verbero o ato vil, rude e perverso,

Que prende, no Cartório, um violão.

 

Emudecer a prima e o bordão,

Nos confins de um arquivo, em sombra imerso,

É desumana e vil destruição

De tudo o que há de belo no universo.

 

Que seja Sol, ainda que a desoras,

E volte à rua, em vida transviada,

Num esbanjar de lágrimas sonoras.

 

Se grato for, acaso, ao que lhe fiz,

Noite de luz, plena madrugada,

Venha tocar à porta do juiz.

 

Obs:   Colaboração do colecionador de versos e contos populares,

Diniz de Alencar Araújo.*

Publicado no Diário do Nordeste de 27.05.1993 

* Diniz foi Diretor Financeiro da AABNB   

 


                         CRIANÇA – O ANJO DA VIDA E DO AMOR 

 

A criança, ao nascer, traz consigo um lindo presente de Deus - a inocência. Assim, desde o início da infância, ela, com olhos brilhantes, com a beleza do sorriso e a delicadeza de seus gestos, proporciona à família a alegria do amor.

Em seus primeiros anos de vida, a criança busca o conhecimento da natureza, admirando o universo da criação divina, como:

- as plantas se inclinando ao vento e, nelas, os pássaros cantando;

- as borboletas, com asas ligeiras, deleitando-se com o perfume

                 das roseiras coloridas; e     

- os raios do sol dourando as nuvens, as montanhas e também as ondas do mar- beijando as areias da praia...

À noite, com o céu já bordado de estrelas, ela adormece, embalada com o carinho e aconchego dos pais; e, após seus sonhos dourados, ela acorda para, em um novo dia de alegria, tornar a família feliz.

Há também muitas crianças carentes, vagando pelas ruas, pedindo esmolas para a sobrevivência da família e, como no exemplo das rosas que florescem nos espinhos, elas procuram também, na amargura de seus sofrimentos, colher a flor da esperança de viver dias melhores.

A comemoração do - "DIA DA CRIANÇA" - sensibiliza a nossa consciência para cumprir a Doutrina Cristã de sempre ajudar os irmãos, principalmente as crianças carentes, doando-Ihes pão e livro para a sua sobrevivência e formação social; lembrando-nos de que elas são frutos da esperança para o futuro de nossa vida... e que todo ser humano, segundo o Divino Pai, nasceu para amar e ser amado: 

 

PARABÉNS, CRIANÇA! - O ANJO DA VIDA E DO AMOR - A IMAGEM MAIS PERFEITA DO QUERIDO DEUS-MENINO !  

Edson Gurgel Coelho 


MEU EU ESCONDIDO  

Quantas coisas escrevi...

Quantas coisas rasguei...

Pedacinhos de papel,

Pedaços de mim mesma...

Rasgados, amarrotados, jogados fora,

Assim como às vezes me sinto.

Deixo então escapar tudo que me vai n´alma:

Essa sensação de esquecimento...

De solidão, esse desespero sem fim.

Escrevendo, tenho a ilusão de ser outra pessoa,

Porque deixo parte de mim no papel que escrevo.

E eu mesma me encarrego de destruí-lo,

E assim estou destruindo um pouco de mim

Do meu verdadeiro EU que poucos conhecem.

E vou assim me destruindo, aos poucos...

Até o dia em que nada mais restar.

E nesse dia, quero morrer de verdade,

Porque meu espírito já estará morto...  

Maria Auxiliadora N. S. X. Moraes


NUNCA DESISTA DE SER FELIZ... 

 

“Existem pedras;

Não desista de andar...

Existem barreiras;

Não desista de passar...

Existem os nós;

É preciso desatar...

Existe o desânimo;

É a pior coisa que há...

A estrada é longa;

Não desista de chegar...

Existe o cansaço;

É preciso caminhar...

Existe a derrota;

Você nasceu para ganhar...

Existe o amor;

É fundamental amar... 

O único momento que temos para construir um mundo melhor, mais justo, mais humano e mais feliz, é o momento presente!” 

Deus nos abençoe...

A gota não cava a pedra pela força, mas por quedas freqüentes.

 

Autor desconhecido

A pedi do de Waldir Freitas

 

 


Gemidos da Terra

 

I 

De todos os ornamentos é detentora,

Nossa terra, por Deus abençoada,

No presente uma peça sofredora,

Chorando as dores da morte anunciada,

 

II 

Gemendo ante a flecha envenenada,

Sentindo na sua face inspiradora,

Vai contando pancada por pancada,

As machadadas da mão destruidora.

 

III 

Invadidas as camadas que protegem,

Se alastram venenos que convergem,

Na matança humana, desprotegida,

 

IV 

Neste ritmo se acaba fauna e flora,

E as belezas dos campos vão embora,

A terra, finalmente, tombará sem vida. 

 

Francisco Canindé Fernandes

Associado da AABNB


CELEIRO 

 

Cabeça encanecida guarda sempre

sofrimentos e também alegrias

 

rosto enrugado tenta guardar

experiências várias vividas;

 

olhos sem brilho ousam esconder

cenas tristes e eventos magníficos;

 

lábios murchos podem armazenar

palavras não ditas e beijos apaixonados;

 

mãos trêmulas gostam de ensinar

como proteger e fazer o bem.

 

Possa a juventude sempre ganhar

observando e aprendendo as lições

 

de vida que, nos celeiros

dos velhos, irão encontrar. 

 

Maria Helena Rebouças  


LEI  DA  COMPENSAÇÃO 

Arnóbio C. Almeida 

 

Leigo em matéria de religião, com saudades lembro os profundos ensinamentos que me foram ministrados na infância. 

Ressaltam, entre outros, aquelas páginas do Velho Testamento em que o Pai se manifestava aos olhos dos homens. Nítidas me ficaram as visões daquelas gravuras amarelecidas pelo tempo, em que o austero velhinho, surgindo entre as nuvens, recrimina Eva da sua desobediência, amaldiçôa Caim pelo fratricídio que cometera, ordena a Moisés que liberte o seu povo do poderio de Faraó, e assim por diante. 

Percorramos quatro mil anos, desde a criação e penetremos na Era Cristã. 

Uma Virgem de Nazaré, desposada por um Santo Varão, é escolhida por Deus para sublime missão de Mãe do Salvador. Baixa da Celestial  Mansão o mensageiro Gabriel, que anuncia a vinda do Messias, profecia que tirava o sono dos maiorais da época. Estremeciam à idéia de um rei poderosíssimo, no apogeu da magnificência, sentado em trono de ouro e envolto em finíssima púrpura, empunhando o cetro que iria reger o destino dos potentados! E, por que o aparecimento do filho do humilde carpinteiro José, atado de poídas faixas, abrigado sob o teto de um estábulo e tendo por berço uma tosca e abandonada manjedoura, agita o coração da humanidade, vibrando o do plebeu, ante a perspectiva de uma gloriosa Redenção e enlutando o do nobre, a espera de ameaça que ele próprio não pôde definir? 

Resumindo o que se anunciou em quatro mil anos, foi realizado em um curto período de trinta e três anos; perseguição e logro de Herodes, o Evangelho sobre a Terra, Paixão, Morte, Ressurreição, Ascensão, etc. 

Mas, não ficou até aí. Prossegue a perseguição dos adeptos, de que resultou a conversão do grande apóstolo São Paulo, que no afã de exterminar os cristãos, o intrépido Paulo de Tarso, ferido por um raio, é arrojado por terra enquanto uma voz brada do céu: “Saulo! Saulo”! Por que me persegues? 

Fatos tais trazidos de eras remotas e estudados à guisa de lenda, se repetem cotidianamente no duro labor de nossa existência e muitas vezes tenho perguntado: “Por que me persegues”? 

Não me preocupei em fazer um acurado exame à minha conduta, pois sou convicto de que é a Lei da Compensação, que rege tudo o que foi criado por Deus, e se hoje sou vítima, já fui o algoz de ontem e o meu algoz de hoje, será a vítima de amanhã, e assim sucessivamente, até a consumação dos séculos. 

Espera pois a tua vez, perseguidor gratuito e veremos então se terás valor para ingerir o amargo líquido da taça de tuas negras ações! 

Lê e medita! 

Publicado na Gazeta de Notícias em 06.06.1959 


SAUDADE 

Crônica de José Alberto de Souza 

 

Há quem diga que a palavra saudade só existe em português. Será mesmo?! 

Como a resposta definitiva demandaria uma pesquisa bastante longa e exaustiva, prefiro apenas citar o idioma inglês em que se diz: 

“I missed you” (Senti falta de você) para expressar o sentimento de falta, ausência, afastamento de alguém. Simples, não é? – mas não tem a força da nossa saudade. 

Para que o assunto não se torne complexo e filosófico, melhor é vermos como os escritores, poetas ou não, ou pessoas comuns, falam e qualificam essa tão usada palavra. 

Lembro-me de uma quadrinha clássica, parece-me que do grande poeta Bastos Tigre, que assim a define: 

                        “Saudade, palavra doce,

                        que traduz tanto amargor,

                        saudade é como se fosse

                        espinho cheirando a flor.” 

O poeta Ribamar Lopes, de saudosa memória, cunhou, no belo soneto sobre sua terra natal – Pedreiras (MA) –, que deu título ao livro “Saudade Enluarada”, imagens deveras criativas: 

                        “Setembro. E este luar caindo em cheio

                        sobre minha saudade. Madrugada

                        .................................................................

                        .................................................................

                        sobre o painel do luar minha cidade,

                        tão bela, enluarada na saudade,

                        ornada de colinas e palmeiras...” 

                        E por aí vai... 

Mas, muito me surpreendeu uma crônica (“O pescador e a saudade” – revista “Crescer”), enviada por minha filha residente em outro estado, em que um pai narra seu retorno a casa após uma semana de caçada e pescaria. Ao curtir o primeiro e desejado almoço em casa, vê sua filhinha de 6 anos passear em torno da mesa, como a sentir sua falta de carinho, não se conteve e disse: “Ai, filha, o papai estava com tanta saudade de você...!” E ela replicou na hora: “Sabe, papai, você fica tão bonito na minha saudade!” O pai chorou de imediato, pois recebera o maior elogio de sua vida até então. 

O sentimento de saudade é, por sua beleza intrínseca, uma necessidade ou uma carência para todos nós. 

E olhem que eu esqueci de citar os compositores musicais que falam de saudade com maestria, sem esquecer aquelas letras que recebem melodias às vezes de rara beleza. 

Saudade da nossa infância, dos colegas de escola, faculdade, serviço militar, trabalho e de tantos lugares que a imaginação pode ressuscitar... Saudade de quem se ama... De momentos felizes do passado... Enfim, saudade de alguma coisa, alguma pessoa...Não é?!       


A MULHER DE MEUS SONHOS  

Um sonho estranho me deixando um tanto perturbado, muito embora, até certo ponto me agradasse. É que, constantemente, em sonho, me aparecia uma bela e fascinante mulher. E isso vinha acontecendo já fazia um bom tempo. Desde a minha tenra idade, quando eu era ainda muito  jovem. 

Assim acontecia quase todas as noites. Bastava pegar no sono que logo eu sonhava com aquela mulher. Linda, sensual, numa visão maravilhosa que, com o esplendor de sua beleza, enchia de encantamento os meus olhos. 

E quero que os que me lêem, saibam o quanto, em sonho, uma linda mulher eu já amei, pois mesmo sabendo o que estava me acontecendo não passasse de um sonho, fiquei apaixonado, devotando uma paixão platônica, por aquela mulher com quem vivia a sonhar. E, como eu ansiava, loucamente, um dia, tê-la em minha frente! 

O tempo foi passando. Os dias correndo e sempre aparecendo em meus sonhos a imagem daquela bela mulher. Às vezes despertava do sono e ficava a procurar pelos cantos do quarto aquela linda criatura. Pensando que iria encontrá-la, ali, ao meu lado...Na minha imaginação, julgava ser real a sua presença. Mas, tudo não passava de um sonho. O que já estava me deixando alucinado. 

Até que, um dia, não sei precisar bem a data, num mês de setembro, o ano já se foi no tempo, vindo de Patos com destino a João Pessoa, de volta de uns dias passados naquela cidade conhecida como “Morada do Sol”, quando o ônibus parou em São Mamede, para apanhar alguns passageiros. Para minha grande surpresa, eis que, inesperadamente, entra uma mulher de cor morena, modos simples e gestos delicados, aparentando mais ou menos seus 30 anos, linda e vistosa balzaquiana, de estatura mediana, um pouco mais de 1,60 m, cabelos e olhos castanhos, rosto bem afilado, trazendo no semblante um sorriso atraente, que mostrava uma fileira de bonitos e alvos dentes, despertando a atenção de todos. 

Naquele momento, sinto  que uma coisa estranha se passa comigo. Vejo em seu rosto o mesmo da mulher de meus sonhos, com quem há tantos anos venho sonhando. E, como um replay, projetam-se em minha mente todos os sonhos que tive com aquela mulher. Não havia a menor dúvida. Era ela, sim...Linda como no sonho, a me seduzir com o encanto de sua beleza. Diante do acontecimento inesperado imaginei que estava a sonhar. Que era mais um daqueles sonhos divinos. Não podia acreditar no que estava vendo... 

Perplexo, a ponto de desfalecer, perco por alguns instantes a voz, a vista fica ofuscada e, de trêmula, a mão deixa cair, no chão, o livro que vinha lendo durante a viagem. 

Refeito do forte impacto, do susto repentino causado pela sua entrada no ônibus, levanto-me e, aproximando-me dela, fito-a demoradamente, olhando bem em seus olhos e ela, soltando um meigo e atraente sorriso, me pergunta: “Como vai?”. 

Deu-se, então, naquele instante de sublime realização, o milagre que tanto esperei, de, um dia, encontrar A MULHER DE MEUS SONHOS. 

José Bonifácio Pereira  


O Emílio de Rousseau 

Paul Arbousse-Baside e Lourival Gomes Machado

Emílio é um ensaio pedagógico sob a forma de romance e nele Rousseau procura traçar as linhas gerais que deveriam ser seguidas com o objetivo de fazer da criança um adulto bom. Mais exatamente, trata dos princípios para evitar que a criança se tome má, já que o pressuposto básico do autor é a crença na bondade natural do homem. Outro pressuposto de seu pensamento consiste em atribuir à civilização a responsabilidade pela origem do mal. Conseqüentemente, os objetivos da educação, para Rousseau, comportam dois aspectos: o desenvolvimento das potencialidades naturais da criança e seu afastamento dos males sociais.

A educação deve ser progressiva, de tal forma que cada estágio do processo pedagógico seja adaptado às necessidades individuais do desenvolvimento. A primeira etapa deve ser inteiramente dedicada ao aperfeiçoamento dos órgãos dos sentidos, pois as necessidades iniciais da criança são principalmente físicas. Incapaz de abstrações, o educando deve ser orientado no sentido do conhecimento do mundo através do contato com as próprias coisas: os livros só podem fazer mal, com exceção do Robinson Crusoe, que relata as experiências de um homem livre, em contato com a natureza.

Liberta da tirania das opiniões humanas, a criança, por si mesma, e sem nenhum esforço especial, identifica-se com as necessidades de sua vida imediata e toma-se auto-suficiente. Vivendo fora do tempo, anda precisando das coisas artificiais e não encontrando qualquer desproporção entre desejo e capacidade, vontade e poder, sua existência vê-se livre de toda ansiedade com relação ao futuro e não é atormentada pelas preocupações que fazem o homem adulto civilizado viver fora de si mesmo.

É necessário, contudo, prepará-la para o futuro. Isso porque ela tem uma enorme potencialidade, não aproveitada imediatamente. A tarefa do educador consiste em reter pura e intacta essa energia até o momento propício. Nesse sentido, é particularmente importante evitar a excitação precoce da imaginação, porque esta pode tornar-se uma fonte de infelicidade futura. Outros cuidados devem ser tomados com o mesmo objetivo e todos eles podem ser alcançados ensinando-se a lição da utilidade das coisas, ou seja, desenvolvendo-se as faculdades da criança apenas naquilo que possa depois ser-lhe útil.

Até aqui, o processo educativo preconizado por Rousseau é negativo, limitando-se àquilo que não deve ser feito. A educação positiva deve iniciar-se quando a criança adquire consciência de suas relações com os semelhantes. Passa-se, assim, do terreno da pedagogia propriamente dita aos domínios da teoria da sociedade e da organização política.

in Os Pensadores: Rousseau, São Paulo: Ed. Abril, 1978, introd. pgs. XVII-XVIII.  

A pedido de Nilo Tinoco Miranda

 


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