JORNAL DA AABNB


SETEMBRO/2007


Mensagem da Direção  

Ações com vistas à redução da taxa de contribuição da CAPEF 

            Prosseguindo nas ações com vistas à redução da taxa de contribuição para a CAPEF,  preservando o futuro da Caixa e de todos os seus participantes, foram realizadas, no período de julho e agosto próximo passado, duas reuniões com a Diretoria da CAPEF; uma com o Deputado Federal José Pimentel; e, outras duas, com a Diretoria do BNB. 

            A partir desses encontros, cenários e caminhos, foram analisados os problemas e estão sendo realizados estudos, tudo levando a crer que poderemos obter resultados positivos com relação à pretendida redução da referida taxa de contribuição.

            Da nossa parte, temos continuamente mostrado ao Banco e à CAPEF a necessidade urgente dessa redução para um percentual aproximado de 12% - máximo permitido pela Receita Federal para efeito de desconto na declaração de ajuste do Imposto de Renda,  sem perder de vista a sustentabilidade  da CAPEF, o que representa a garantia pessoal e familiar dos seus participantes.

            Dessa maneira, houve a sensibilidade da Diretoria do BNB e o seu Presidente criou um Grupo de Trabalho, com a participação do BNB, CAPEF e desta AABNB, para, num prazo de 60 dias, ser levado um parecer conclusivo aos órgãos superiores competentes, com vista à consecução deste nosso objetivo.

            Aguardemos, confiantes, os resultados dessa nova empreitada!

 

            A Diretoria da AABNB


TEMPO DE ELEIÇÕES...

Nos Conselhos Deliberativo e Fiscal da Capef 

A votação que elegerá os novos membros dos conselhos Deliberativo e Fiscal da Capef, para os próximos quatro anos, será realizada no dia 22 de outubro próximo. Na ocasião, serão eleitos três membros para o Conselho Deliberativo e dois para o Conselho Fiscal e seus respectivos suplentes.

A diretoria da AABNB destaca a importância desse processo eletivo e conclama a participação dos associados, uma vez que o Conselho Deliberativo é quem determina as diretrizes a serem seguidas pela Capef, e o Conselho Fiscal supervisiona as ações da Diretoria Executiva.    

No Conselho Deliberativo da Camed

 

O Corpo Social da Camed aprovou o Novo Estatuto daquela Caixa, na segunda consulta realizada junto aos associados no período de 16 a 24 de agosto último. O Novo Estatuto obteve a aprovação de 81,39 % dos associados votantes. O resultado ratifica a disposição da maioria absoluta do Corpo Social, que se posicionou favorável às alterações estatutárias a serem implantadas na Camed. Na primeira consulta, apesar de ter recebido 83,20 % de aprovação, o Novo Estatuto não pode ser homologado.  Qualquer alteração estatutária, em primeira votação, precisa obter, no mínimo, 2/3 (dois terços) dos votos do Corpo Social.

A aprovação obtida na segunda consulta junto ao Corpo Social foi homologada pela Camed na 419 ª Reunião de Diretoria, realizada no início desse mês. Diante da aprovação do Novo Estatuto, a Camed realizará, nos dias 8 e 9 de outubro próximo, a consulta que elegerá o novo Conselheiro Deliberativo e seu respectivo suplente, que cumprirão mandato do dia 19 de outubro de 2007 até 31 de dezembro de 2010. A diretoria da AABNB lembra, mais uma vez, que a sua participação é fundamental para o fortalecimento do processo democrático e das nossas entidades.


ARTIGO 

Associado da AABNB desde 1998, o colega aposentado, advogado e escritor Osvaldo Ventura faz uma análise da trajetória política do país nas últimas décadas, ao confrontar fatos do passado com acontecimentos da atualidade, no artigo abaixo transcrito.     

 

A ORDEM DOS ADVOGADOS, NÃO!                                                                                                                                   

         Cognominada como o “Túmulo do Samba” pelo poeta e compositor Vinícius de Moraes, a cidade de São Paulo poderá ser reconhecida também, dentro em breve, como o “Berço da Ditadura”, caso prosperem (vade retro satanás) as articulações da burguesia fascista paulistana, no sentido de desestabilizar um governo legitimamente eleito, e com todas as instituições democráticas funcionando plenamente. Para os desmemoriados de todos os matizes, é bom lembrar que o monstro que devorou nossa tenra democracia em 1964 começou a nascer na capital paulista quando a Igreja Católica, à época inocente-útil da “minoria branca muito perversa” daquela metrópole, mobilizou a paulicéia desvairada para participar da tristemente celebre “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, liderada por um tal de Patrick Peyton, capelão americano identificado posteriormente como  agente da Cia. A partir daí, a velha e surrada cantilena do anticomunismo nazi-fascista ecoou mais forte no país inteiro, principalmente nos receptivos ouvidos de uma classe média que aspirava o paraíso do consumismo, e temia o “inferno” do comunismo. Pronto. Cabia agora  a essa classe média, com o poder multiplicador de suas idéias de ocasião, aliciar a chamada plebe ignara, em sua eterna “vida de gado”, tangendo-a para engrossar as fileiras dos golpistas de plantão.

    Quem não viveu o pré-golpe de 1964, é incapaz de avaliar a sutileza, os subterfúgios, as mensagens midiáticas subliminares e os pretextos esdrúxulos engendrados pelas classes dominantes, a fim de desacreditar qualquer governante que não tenha saído de seus “quadros”, não seja um típico gênio da raça, ou contrarie alguns de seus históricos privilégios.

    Desta feita, ressabiada pelo fato de o feitiço virar contra o feiticeiro, ( vide Dom Helder, Frei Tito, Frei Beto e demais dominicanos) acredita-se que a Igreja Católica, na qual subsistem ainda resquícios da humanística Teologia da Libertação, não se disporá a fertilizar o espúrio, golpista e antidemocrático movimento “Cansei”, articulado nos gabinetes da burguesia paulista contra um governo constituído legitima e democraticamente.

    Hoje causa espécie saber que a Ordem dos Advogados do Brasil-Seção de São Paulo, partícipe de grandes lutas nacionais em defesa do povo brasileiro, segue a reboque do ignóbil “Cansei”, que segundo o presidente da OAB-Rio de Janeiro, Wadih Damous, “trata-se de um movimento golpista e de extrema direita”. 

    Por certo, os mentores do nefasto “Cansei” devem estar fatigados da ausência de tenebrosas transações, como a da Transamazônica, Ponte Rio-Niterói, implantação do Projeto Sivam, privatização da Vale do Rio Doce, privatização do Sistema Telebras e outras estatais “doadas” à iniciativa privada com a desfaçatez peculiar a bandidos.

    Muito embora não tivesse esboçado nenhuma reação contra o desfecho do golpe de 64, a Ordem dos Advogados do Brasil, em quaisquer de suas instâncias, jamais endossou a empreitada golpista. Após o golpe e a implantação subseqüente da ditadura militar, a OAB foi a primeira instituição a se manifestar enfaticamente pelo retorno do estado democrático de direito. Além da luta institucional, emergiram dos quadros da Ordem valorosos profissionais que diuturnamente batalhavam pelos direitos individuais e pelas liberdades democráticas, sem qualquer remuneração, sem qualquer recompensa, senão aquela de salvar alguém da sanha do arbítrio e sentir, ainda que esporadicamente, a força do direito prevalecer sobre o direito da força. Não se conseguiu tudo, é verdade, mas o papel desempenhado pela OAB e seus heróicos profissionais, os quais muitas vezes corriam o risco de serem despedaçados pelos borzeguins dos donos do poder, merece os aplausos, o respeito, a reverência e a confiança do povo brasileiro.

    Neste momento, a OAB de São Paulo comete um grave equívoco. Deixa de ser a instituição defensora intransigente das liberdades democráticas, para se tornar caudatária de um grupo golpista.  

    Espera-se que essa OAB partidária, pequena, míope e tosca circunscreva-se àquela metrópole de vocação antidemocrática.    


PECÚLIO       

                              

           Indicação de beneficiário

      agiliza liberação do benefício

 

No primeiro semestre deste ano, o Fundo de Pecúlios da AABNB pagou o valor de R$ 42.480,00 (quarenta e dois mil, quatrocentos e oitenta reais) para 21 beneficiários, contabilizando um valor médio de R$ 2.336,00 para cada pecúlio. Desde a sua implantação, em 2003, a Associação desembolsou o valor total de R$ 324.220,80 para a quitação de 145 benefícios de pecúlios, com um valor médio de R$ 2.022,00. Criado com a finalidade de prestar um auxílio financeiro à família dos nossos associados, o sistema de pagamento de pecúlios da AABNB se torna muito mais ágil e dinâmico quando existe a indicação formal de alguém para receber o benefício. Por outro lado, a não indicação torna o sistema burocrático e atrasa o pagamento do valor referente ao benefício. A diretoria da AABNB ressalta que qualquer pessoa, com ou sem grau de parentesco com o associado, pode ser indicada como beneficiária.   


CIDADANIA E SAÚDE

 

Disposição adequada dos assentos dos aviões

preserva a segurança e saúde dos passageiros 

A distância entre os assentos dos aviões, além da questão de conforto, também está relacionada aos preceitos básicos de segurança de vôo. Autoridades internacionais da aviação recomendam que a distância mínima entre as poltronas deve ser de 28 polegadas, o equivalente a 70 centímetros. A medida foi estipulada com o propósito de viabilizar a desocupação total da aeronave em, no máximo, 90 segundos, numa situação de emergência. Além disso, existe a preocupação com a saúde. O maior distanciamento entre as poltronas reduz o risco de Trombose Venosa Profunda. A permanência na posição sentada provoca acúmulo de líquidos nos membros inferiores e pode causar inchaço nas pernas e nos pés. Nos casos mais graves, os coágulos formados nas veias profundas das pernas podem se deslocar pelo corpo, atingindo um órgão vital. (Fonte: Tribuna bancária)


Dívidas da gestão Byron reduzem o lucro do BNB 

O lucro líquido apurado pelo BNB no primeiro semestre deste ano foi de R$ 76, 476 milhões, um resultado ligeiramente superior ao patamar obtido em igual período do ano passado, quando foi apurado um lucro de R$ 76,431 milhões. Esse resultado, constante no balanço publicado nos principais jornais do país, poderia ser muito maior, se o banco não tivesse que arcar com as dívidas da era Byron Queiroz, que custaram aos cofres da Instituição o valor de R$ 110,7 milhões.

O presidente do BNB, Roberto Smith, salientou que o resultado teria sido muito melhor, mais que o dobro, se o banco não tivesse que cumprir deliberação do TCU relativa às irregularidades cometidas na administração do PSDB. Smith ressalta, ainda, que a atual gestão tem despendido grande esforço para terminar as pendências legais deixadas pela administração anterior. As dívidas geradas e os rombos financeiros da era Byron, assumidos pela atual administração, são apenas uma face da herança maldita daquela gestão. É importante ressaltar que o saldo decorrente de um período marcado por falcatruas e desmandos administrativos vai muito além da redução dos lucros no presente.  


MÍDIA E ELITE...           

                          Desrespeito ao Piauí atinge a todo o Povo Nordestino  

            O movimento “Cansei” é analisado na rede mundial de computadores pelo jornalista Altamiro Borges, editor da revista Debate Sindical, que fala sobre o descrédito e o fracasso dessa iniciativa. “Apesar da cobertura e do apoio da grande imprensa, esse “movimento”, para não dizer golpe, não emplacou”, destaca Borges. O jornalista lembra que o presidente da Phillips no Brasil, Paulo Zottolo, disse que “se o Piauí deixar de existir, ninguém vai ficar chateado”. Segundo Borges, esse “ato falho” ajuda a desnudar e a enfraquecer o Cansei, movimento que reúne ricos empresários, notórios tucanos e democratas, além de um punhado de artistas e publicitários de aluguel”. O jornalista também ressalta que “não basta uma postura indignada contra as bravatas fascistas do presidente da Phillips, já que o próprio Zottolo teria afirmado que a multinacional financiaria a campanha publicitária do Cansei. Borges destaca que a elite burguesa não tolera um governo oriundo das lutas sociais, e que fará de tudo para sabotá-lo. E acrescenta: “é preciso rechaçá-la e não se pode subestimá-la. A queda de Paulo Zottolo, o tolo fascista, já ajudaria nesse sentido”.  

            Dois pesos, duas medidas - Ainda a respeito do “Cansei”, o presidente nacional da CUT, Artur Henrique, criticou o comportamento da chamada “grande imprensa” ao exemplificar a postura adotada pelos grandes veículos de comunicação, que deixam de registrar manifestações populares e deslocam equipes para a cobertura de passeatas encomendadas. “Enquanto a manifestação auto-intitulada “Cansei”, contou com 1.200 pessoas em São Paulo e contou com farta cobertura da mídia, duas manifestações de trabalhadores em Brasília, nos dias 15 e 22 de agosto, tiveram 20 mil e 30 mil participantes e nenhuma foto ou cobertura nos grandes jornais”, disse Henrique. (Fonte: Tribuna Bancária)


PREVIDÊNCIA SOCIAL 

Parlamentares da Paraíba recebem documento

da Representação da AABNB em João Pessoa 

A Representação da AABNB em João Pessoa, na Paraíba, encaminhou aos parlamentares daquele estado, na Câmara e no Senado, um documento onde manifesta a sua preocupação com relação ao reajuste do benefício da aposentadoria do INSS, que vem perdendo poder aquisitivo ao longo dos últimos anos. O documento, ao mesmo tempo em que aponta o problema, clama pela interferência dos parlamentares, através da realização de debates e ações naquelas Casas Legislativas, para reverter esse quadro.

Os deputados Efraim Filho (DEM) e Rômulo Gouveia (PSDB) acusaram o recebimento da correspondência e manifestaram interesse em levantar discussões sobre o tema. O senador Efraim Morais, além de acusar recebimento, encaminhou àquela Representação cópia de três projetos de lei que já tramitam no Senado, a respeito do reajuste do salário mínimo e do benefício da Previdência Social.

A direção geral da AABNB congratula-se com a Representação de João Pessoa e esclarece que também já manteve contatos com diversos parlamentares sobre o assunto, e encaminhou correspondência à União Nacional dos Aposentados, com algumas sugestões a respeito desse tema.    


CONCENTRAÇÃO DE RENDA 

            A quarta pesquisa realizada pelo IBGE sobre orçamentos familiares comprova a acentuada concentração de renda no Brasil e coloca o Ceará, um dos estados mais pobres do país, entre os cinco estados em que os ricos mais gastam. A despesa mensal per capita dos cearenses mais abastados é de R$ 1.947,19. Segundo a pesquisa, referente ao período 2002-2003, o Rio de Janeiro é o estado onde os 10% mais ricos registram a maior despesa mensal per capita, no valor de R$ 2.338,96. Logo em seguida, estão o Distrito Federal (R$ 2.261,50), RS (R$ 2.110,98) e TO (R$ 2.064,42). A maior despesa entre os mais pobres foi registrada no Sul (R$ 233,90); e a menor, no Nordeste (R$ 138,19). (Fonte: Tribuna Bancária) 


Coluna Nossa Gente!              

Cearense de Limoeiro do Norte, Antônio Nilson Craveiro Holanda desenvolveu uma longa e bem sucedida trajetória profissional no BNB, inscrevendo o seu nome na restrita galeria dos funcionários que chegaram a presidir a Instituição. Oriundo do primeiro concurso realizado pelo Banco, em maio de 1954, Nilson Holanda integrou a equipe encarregada de executar as rotinas básicas de implantação e estruturação do BNB. Ao ingressar no Banco, já cursava Direito, na UFC. A sua primeira atividade bancária, escriturário auxiliar, foi exercida por cerca de dois anos, na primeira agência do BNB, inaugurada em junho de 1954, em Fortaleza. Logo em seguida, obteve o 1º lugar num concurso interno para escriturário “B”, resultado que o levou para a função de assessor auxiliar da presidência.

Uma nova fase na carreira de Nilson Holanda teve início com o seu ingresso na 2ª turma do Etene. O exercício da função de Técnico de Desenvolvimento Econômico o impulsiona para o aprofundamento de estudos econômicos, através de cursos internos e, posteriormente, com a realização de dois mestrados em economia, concluídos nos Estados Unidos. Mas foi o Departamento Industrial que absorveu por mais tempo a dedicação e o talento de Nilson Holanda no BNB. Trabalhou mais de 15 anos nesse setor, exercendo as funções de analista, chefe de divisão, chefe adjunto e, finalmente, chefe de departamento. A sua carreira no Banco teve uma breve interrupção em 1971, quando assumiu, durante três anos, destacadas funções no Ipea – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, vinculado à Presidência da República. Ao retornar ao BNB, em 1974, enfrentou o maior desafio da sua vida profissional no Banco, ao assumir a Presidência da Instituição, se transformando no segundo funcionário de carreira a desenvolver essa função.

Nilson Holanda entende que o BNB foi “uma Instituição muito à frente do seu tempo, de extraordinária importância para a região, e que contribuiu para mudar a mentalidade em relação ao desenvolvimento do Nordeste”. Destaca também a importância da criação do Etene, terceiro Centro de Pesquisa implantado no país, ao mesmo tempo em que classifica o BNB como uma semente que fomentou a criação da Sudene. Ressalta, ainda, “durante toda a minha carreira, nunca vi o Banco envolvido em qualquer tipo de escândalo”, e que foi a única instituição federal que, até 1990, nunca deu prejuízo aos cofres públicos.  Antonio Nilson Craveiro Holanda é Nossa Gente!   

 

 Natural de Recife, Édison de Souza Leão Santos é mais um funcionário a ter o seu nome inscrito na história do BNB, por desenvolver e estruturar uma sólida carreira profissional na Instituição. Tudo começou em sua terra natal, ao prestar concurso para escriturário, em 1955, sendo empossado, posteriormente, nesta função, na agência do BNB na capital pernambucana. Ainda em Recife, foi Chefe da Seção de Crédito Rural durante três anos. Dentro da linha estratégica de desenvolvimento do quadro de pessoal do Banco, participou dos cursos e treinamentos ministrados internamente. Em Fortaleza, além de fazer o Curso de Crédito Rural, participou de um programa de estágio no Departamento de Crédito Industrial. Ao retornar a Recife, foi para a área de Crédito Industrial, onde desenvolveu as funções de Analista de Crédito e Analista de Projetos.

Paralelamente ao seu trabalho no BNB, Edison de Souza Leão concluiu o Curso de Direito, pela Universidade Federal de Pernambuco. Em 1963, ao ser convocado para fazer um curso na Cepal – Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, cumpriu seis meses de estudos em Curitiba, no Paraná. Logo em seguida, foi aprovado no concurso interno para Técnico de Desenvolvimento Econômico. No ano seguinte, o BNB atende a solicitação do Governo de Pernambuco e Edison de Souza Leão é cedido ao Bandepe, Banco de Desenvolvimento do Estado de Pernambuco, onde exerceu a função de Diretor da Carteira de Crédito Industrial. Na gestão seguinte, ao responder pela superintendência da Cia de Desenvolvimento de Pernambuco, permanece mais um período longe do BNB.

No seu retorno ao Banco, na gestão do Presidente Rubens Costa, em 1970, recebeu a missão de chefiar a Representação do BNB em São Paulo, onde permaneceu por três anos. Já em 1973, de volta a Fortaleza, assumiu a Diretoria de Crédito Geral, função que desempenhou por mais de 12 anos, até à obtenção da sua aposentadoria, em 1985. Ao destacar a influência e a importância do Banco para o desenvolvimento da região, não deixa de ressaltar que o BNB também dedicou especial atenção à área de recursos humanos, investindo no aperfeiçoamento profissional dos seus funcionários. Edison de Souza Leão Santos é Nossa Gente!     


 ENCARTE CULTURAL

TESTAMENTO LACRADO

"Você é o Juiz"

Ancião, sem herdeiros legais, proprietário de razoável patrimônio, já sentindo o aproximar-se do seu derradeiro embarque, às pressas ou de outra forma, resolve, em vida, fazer o seu testamento, em cujo momento nomeia os beneficiários.       

E, assim o fez, de próprio punho, na forma da lei, conforme texto, a seguir, reproduzido.

DEIXO OS MEUS BENS À MINHA IRMÃ NÃO AO MEU SOBRINHO JAMAIS SERÁ PAGA A CONTA DO PADEIRO NADA DEIXO AOS POBRES.

Assinado, inclusive por duas testemunhas e aprovado pelo tabelião, transcreve-se no livro de notas e documento, seguindo-se a tarefa de se lacrar o envelope, apondo-se a chancela do cartório.

Passados alguns meses, ocorre o falecimento do testador. O tabelião convoca os herdeiros e, de envelope na mão, em companhia dos interessados dirige-se ao Meritíssimo Juiz da Comarca.                                                                            

O Juiz abre o envelope, lê o texto várias vezes e não decodifica o desejo do testador. Por isso, toma a decisão que lhe pareceu mais acertada.

Nessa hora, chama a oficiala substituta. Manda reproduzir quatro cópias xerográficas, rubricando-as, em seguida. Ato contínuo, as distribui com os interessados, uma para cada um, orientando-os para que eles mesmos, individualmente, fizessem a pontuação, no prazo de 24 horas.

Devolvidas, o magistrado pôde conhecer a esperteza e a escolaridade da irmã, do sobrinho, do padeiro e do representante dos pobres.

Cada um pontuou o testamento da seguinte forma:

A irmã

"Deixo os meus bens à minha irmã. Não ao meu sobrinho; jamais será paga a conta do padeiro; nada deixo aos pobres".

O sobrinho

"Deixo os meus bens à minha irmã? Não. Ao meu sobrinho. Jamais será paga a conta do padeiro. Nada deixo aos pobres".

O padeiro

"Deixo os meus bens à minha irmã? Não. Ao meu sobrinho, jamais. será paga a conta do padeiro. Nada deixo aos pobres".

O representante dos pobres

"Deixo os meus bens à minha irmã? Não. Ao meu sobrinho, jamais. Será paga a conta do padeiro? Nada. Deixo aos pobres".

Você é o Meritíssimo Juiz, decida!

(Notícia de rádio reescrita por Laurindo Ferreira)


                         SONETO DE FIDELIDADE                

                                                                    Vinicius de Moraes 

                 

De tudo ao meu amor serei atento

Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto

Que mesmo em face do maior encanto

Dele se encante mais meu pensamento.

 

Quero vivê-lo em cada vão momento

E em seu louvor hei de espalhar meu canto

E rir meu riso e derramar meu pranto

Ao seu pesar ou seu contentamento

 

E assim, quando mais tarde me procure

Quem sabe a morte, angústia de quem vive

Quem sabe a solidão, fim de quem ama

 

Eu possa me dizer do amor (que tive):

Que não seja imortal, posto que é chama

Mas que seja infinito enquanto dure. 


O PALHAÇO         

Rodrigues de Gouveia  

Meus olhos já viveram tragédia, já presenciaram muita tristeza, já se molharam de muitas misérias avistadas sobre a face da terra e sob o coração do homem.  O espetáculo a que me refiro hoje, porém, é dos mais trágicos e dos mais tristes que já presenciei.  Seu cenário, por si mesmo, sugere melancolia - uma rua mais ou menos deserta de subúrbio, com o chão enlameado.  Os arbustos e as árvores incluídas no quadro parecem tristes e emurchecidas pela chuva que os castigou a manhã inteira. 

De repente, a criança apontou para a esquina e identificou uma figura que sempre lhe parecera estranha: o palhaço.  Era aquela, exatamente, a hora em que o palhaço do circo vizinho passava por ali.  E era aquele mesmo palhaço de todos os dias.  A mesma roupa, a mesma cara, as mesmas pernas de pau.  O resto o mesmo também.  Mas havia algo de profundamente diferente naquele palhaço que surgia na esquina àquela hora.  A primeira impressão foi de deslocamento.  Aquilo não parecia ser um lugar para palhaços.  Aquele lugar fora exatamente o mesmo em que aquele mesmo palhaço andara em outras tardes. 

Finalmente, consegui descobrir a enorme diferença, identificá-la.  Aquele palhaço era o mesmo apenas fisicamente.  O seu todo nos mostrava um homem diferente.  Ninguém diria que se tratava do mesmo homem esfuziante e alegre dos outros dias.  Aquele palhaço ali estava só, absolutamente só no meio da tarde.  Faltava-lhe o complemento natural de outras tardes: a presença das crianças. 

Se for verdade que a alegria do palhaço é ver o circo pegar fogo, também deve ser que a sua tristeza é a solidão.  Aquele rosto mascarado, triste, ainda tentou sorrir por trás de sua máscara.  Juro como o seu sorriso não convenceu a ninguém.  Talvez essa incapacidade profissional, ocasional embora, tenha sido demais na tarde triste daquele palhaço.  A verdade é que ele apressou os passos, de cima de suas enormes pernas de pau, e se lançou mais rapidamente ao caminho. 

O fato se passou há alguns dias, mas ainda não consegui esquecer a expressão de amargura do rosto do palhaço.  Era tão poderosa a sua tristeza, que se irradiava para os objetos em redor.  A tarde sombria, os arbustos tristes, a terra cinzenta, tudo isso se junta ainda hoje na minha lembrança, quando me volto para o palhaço solitário. Creio mesmo que aquele palhaço voltará a ser o mesmo.  Estou esperando ouvir a sua voz, qualquer tarde dessas, para tirar as minhas dúvidas.  Espero, sinceramente, que a companhia das crianças volte a trazer realização profissional a esse artista do riso.  Espero que aquela sua tristeza não tenha sido provocada mesmo somente pela ausência do coro infantil que o cercava em outras vezes. 

Espero tudo isso não apenas pela solidariedade que o palhaço triste tenha provocado em mim.  É que desejo, do fundo do meu coração, que as tardes do meu subúrbio voltem a vibrar com as graças do velho palhaço e com a gritaria das crianças assanhadas.  O espetáculo deve continuar para todos...


VALEU, “TOM”

Hoje, dia 31 de julho do ano de 2007, eu e minha esposa Lúcia estamos na cidade de Recife­-PE para, com muito orgulho, assistir à apresentação e defesa da tese de doutorado de nosso estimado filho Emerson. Foi uma trajetória de sacrifício e grandes obstáculos, que ele com seus esforços, persistência, habilidade e inteligência soube e pôde superá-los aproveitando muito bem os ensinamentos dos seus sábios mestres desde a alfabetização até esta grande vitória, o doutorado.

Agradeço de coração a todos os seus professores lembrando uma frase do grande fIlósofo da antiguidade e atualidade Aristóteles: “Devemos mais aos nossos mestres que aos nossos pais porque se esses nos deram o pão que nutre a vida, aqueles nos deram o pão que nutre o espírito”.

Vim morar em João Pessoa-PB para que meus filhos pudessem melhor aproveitar da única herança que eu lhes deixaria: o saber. Como nunca fui afeito a cidade grande, se hoje eu quiser, poderei retornar e morrer tranqüilo no meu interior, na cidade de Sousa-PB, pois a minha missão já foi cumprida, meu objetivo foi alcançado.

Você, Emerson, é um grande vitorioso, soube muito bem aproveitar as oportunidades que lhe foram dadas e, particularmente, recompensar o sacrifício que eu fiz em vir morar em João Pessoa por causa dos filhos. Vocês bem sabem quanto gosto da vida no interior e quanto amo aquilo ali. Gosto muito de “'Filosofia de Parachoques”, e, ontem, dia 30 de julho de 2007, quando vínhamos de João Pessoa a Recife, li a seguinte frase na "Borracha Lameira" de um caminhão: "O sol nasceu para todos e a sombra para quem merece". Espero que você saiba muito bem aproveitar o sol da vida e a grande sombra da árvore frutífera do saber.

Agradeço de coração a todos familiares e amigos que direta ou indiretamente contribuíram para a realização desta grande vitória, em especial, a sua esposa, Natália, pela sua compreensão e colaboração, e também aos seus tios, Conrado e Ruth, que o acolheram muito bem nos períodos do mestrado e do doutorado. Aos seus mestres, o nosso imensurável agradecimento, em especial à professora Fátima Agra, por seus valiosos ensinamentos. Lembrando-os que: “Fica sempre um pouco de perfume nas mãos de quem distribui rosas” (provérbio popular). Vocês mestres, não só distribuem as rosas que enfeitam a vida, como também frutos que a alimentam: o saber. Muito obrigado mesmo, desde o mais alto ao mais simples funcionário da UFPE.

E, você, Emerson, parabéns pelo "Gol de Placa”, suba ao pódio do sucesso com uma medalha da vitória no pescoço "O bom filho Deus ajuda".

“Valeu, Tom”. Estamos orgulhosos de você  

Recife-PE 31/JUL/2007

Jeander Batista de Lucena e

Maria Lúcia Rocha Melo de Lucena 


POSTAL 

João Bosco da Silva

            Teresina-PI 

 

Rua cheia,

cheia de gente;

de mulher bonita,

cada uma disputando o prêmio da nudez.

 

Rua cheia,

cheia de gente;

de homens apressados,

acossados pela trama da sociedade de consumo:

- precisam de mais, sempre mais, para o supérfluo.

 

Rua cheia,

Cheia de gente;

De camelôs vendendo por nada um produto barato;

De bilheteiros vendendo a sorte grande que não vem:

- a loteria da própria vida.

 

Rua cheia,

cheia de gente;

em cada esquina, um pedinte,

em cada quadra, dez ou vinte.

“Como fede a miséria,

e como faz vergonha!”

 

Rua cheia!

Mais que de gente, cheia de tentações:

- anúncios de queimas,

   anúncios de festas,

anúncios de jogos,

anúncios de nus –   pintados,

                          coloridos,

               berrantes - pequenos e grandes.

- Estardalhaço de  o f e r t a s ! ! !

 

Na coroação suprema desse ardil comercial,

além da mensagem subliminar,

acintosamente permeando a propaganda de todos os produtos:

    

- O  s e x o !

Como se a necessidade de  a m a r

Estivesse intimamente ligada à de  c o n s u m i r. 


O CRISTO INCOMPARÁVEL

Há mais de dois mil anos nasceu um homem de modo contrário às leis da natureza. Viveu na pobreza e foi criado na obscuridade. Só uma vez cruzou as fronteiras de seu País.

Não possuía riqueza nem influência. Seus parentes não tinham nenhum preparo ou cultura. Entretanto, na infância sobressaltou um rei; na meninice confundiu os doutores; na idade adulta subjugou o curso da natureza, andando sobre as águas como se fossem terra firme, e ordenou ao mar que se acalmasse.

Sem remédio, curou multidões e nada cobrou por Seus serviços. Jamais escreveu um livro; entretanto, todas as bibliotecas do país não poderiam comportar os livros que já foram escritos a respeito Dele. Não compôs um hino sequer, mas tem sido o tema de mais hinos do que todos os compositores juntos.

.  

Nunca fundou um colégio, mas todas as escolas juntas não tiveram tantos

alunos como Ele. Não comandou um exército, nem convocou um soldado, e nunca disparou urna arma. Entretanto, nenhum líder contou com mais voluntários sob suas ordens, os quais conseguiram levar rebeldes sem conta a guardar as armas sem que tivessem que dar um tiro. Nunca estudou medicina, porém curou mais corações do que todos os médicos da terra. E no dia que é dedicado a Ele, o comércio cessa, e as multidões procuram os templos a fim de prestar-Lhe adoração e reverenciá-Lo.

Os nomes dos orgulhosos estadistas da Grécia e de Roma surgiram e desapareceram. Os nomes de grandes cientistas, teólogos e filósofos têm surgido e desaparecido, mas o nome deste Homem dia-a-dia se torna mais conhecido.

Ainda que um espaço de mais de dois mil anos se interponha entre nós e a cena da crucificação, Ele ainda vive.

Herodes não pôde destruí-Lo e o túmulo não pôde retê-Lo.

Ele sobressai no mais elevado pináculo da glória celestial, proclamado por Deus, homenageado pelos anjos, adorado pelos santos e temido pelos demônios­ - JESUS CRISTO, nosso Senhor e Salvador, vivo e pessoal.

 

Autor desconhecido

A pedido de Syllas Brasil Cordeiro


A PENÚLTIMA MENTIRA DO CORONEL

 

Conto de José Alberto de Souza 

“A mentira é um vício apenas quando faz mal;

quando faz bem é uma grande virtude.”

(Anatole France - escritor francês)

                                                    (Parte Final) 

Alguns risos se estamparam nos rostos de vários participantes da reunião logo estancados com a esperada aproximação do coronel Epaminondas. De pronto arranjaram-lhe uma cadeira de balanço, como era praxe naqueles encontros. Expressando a sisudez de sempre, mesmo assim fez um aceno de cabeça e mãos, cumprimentando a todos como um líder que se aproximava de seus comparsas. Ainda demonstrando um certo abatimento físico e alguma dificuldade na fala, dirigiu-se ao público, a estas alturas bastante numeroso, dizendo de início que retornara da Capital ontem, onde buscara assistência médica e para onde gostaria de retornar logo resolvesse alguns problemas locais.

Sentou-se, ajeitou-se na cadeira com segurança e foi jogando conversa fora, como era do seu feitio:

— Primeiro, quero dizer que sinto muito não ter assistido às estórias de meus antecessores. Sei, porém, que eram casos verdadeiros e vocês estão de parabéns por terem a felicidade de ouvirem pessoas que ainda falam a verdade neste mundo de meu Deus. Vou narrar uma de duas histórias que me vieram à mente.

Reacomodou-se na cadeira e prosseguiu:

— Faz muito tempo que isso aconteceu. Já olhei aqui em redor, mas não encontrei nenhum dos homens que me ajudaram naquela façanha. Ora, eu era jovem, um frangote que mal saíra das calças curtas. Meu pai – ­que Deus o tenha em bom lugar! – reservou para mim um roçado grande ali nos baixios do riacho Negro, que desce lá do serrote, determinando que eu plantasse arroz em toda a área que ele cercara: uns cinqüenta hectares. Era terra muita, minha gente. Tive que aceitar o desafio. No primeiro ano, só deu para as despesas. No segundo, os passarinhos (papa-arroz, curió, sanhaço e outros) só me deixaram a metade da safra.

 

O coronel fez uma pausa estratégica, olhou em volta para todos os circunstantes como a sondar sua credibilidade e, sério e confiante, continuou sua narrativa:  

  Pensei comigo mesmo noites e noites seguidas para encontrar uma solução para o problema. Conversa vai, conversa vem, encontrei conjuntamente com meus trabalhadores uma saída, porquanto queria expulsar aqueles meeiros indesejáveis do meu arrozal. Reuni meus cinco melhores auxiliares, todos moradores das terras de meu querido e venerado pai, e confidenciei o meu plano definitivo, com o compromisso de eles não contarem a ninguém, nem mesmo a suas mulheres. Todos concordaram. Como chegara o momento crucial da safra, quando a praga de passarinhos atacava em cheio, chegou a hora. Passamos a noite preparando e enchendo umas dez latas de querosene de grude de goma de mandioca, misturado com uns trinta litros de cola escolar das boas. Ainda de noite muito antes do amanhecer, auxiliados com várias lamparinas de pavios grandes e dois lampiões da casa da fazenda, . passamos a gororoba em todos os fios da cerca de arame farpado que circundava a plantação. A surpresa maior foi quando chegamos mais ou menos às nove horas da manhã: eram tantos passarinhos pregados em todo o aramado que eu quase tive um troço. Eu não sabia o que fazer com tantos bichinhos inocentes... Passamos o dia todo com cinco jumentos carregando aquelas aves daninhas nos caçuás, após torcer o pescoço de todas elas ...

Como ninguém podia rir do coronel, não só pelo respeito, mas muito mais pelo medo que todos tinham dele, as pessoas se retiravam uma a uma, com a mão levada à boca, como se reprimissem o riso até estarem seguras e poderem rir a bandeiras despregadas, fazendo comentários jocosos sobre a matança dos passarinhos...

Em poucos minutos, o coronel estava sozinho na cadeira de balanço e, ao sentir-se assim, levantou-se e voltou para casa, cabisbaixo e pensativo, sem entender o motivo daquele abandono inesperado.

Dias depois o coronel Epaminondas voltou para a Capital e nunca mais se teve notícias dele naquele longínquo lugarejo. 


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