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810-07/10/2008

Transcrevemos, abaixo, notícia veiculada no site da assprevisite de 07.10.08


EUA: Perspectiva sombria - Fed pode cortar mais os juros

O relatório sobre a perda de 159 mil postos de trabalho nos EUA, em setembro, reforça os indícios cada vez mais claros de rápida deterioração na economia americana, o que pode forçar o Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) a retomar seus cortes na taxa de juros, hoje em 2%.
"O relatório sobre o nível de emprego em setembro foi notável porque apresentou fraqueza generalizada", diz Alan Ruskin, do RBS Greenwich Capital.

O dado ecoa outros sinais de que a economia dos EUA está passando por rápido enfraquecimento já antes que a mais recente leva de casos de severo desgaste no sistema financeiro afetasse a atividade.
"Os indícios estão se tornando mais e mais confiáveis", diz Brian Sack, vice-presidente da Macroeconomic Advisers. "Nós podemos encontrá-los nos pedidos de bens para uso empresarial, nos números do consumo, na pesquisa do ISM e agora no emprego."

A pesquisa do Instituto de Administração de Suprimento (ISM) sobre a atividade industrial em setembro mostrou queda a níveis tradicionalmente associados a uma recessão. Isso após queda nas encomendas de bens duráveis em agosto.
O setor industrial está sofrendo com a fraqueza no mercado interno e a redução do crescimento em mercados internacionais importantes.

Não foram divulgados ainda os dados sobre o consumo nos EUA em setembro, mas os dados disponíveis demonstram que os consumidores já haviam começado a conter seus dispêndios antes que o setor empresarial viesse a ratear.
As vendas no varejo caíram em 0,3% em agosto e 0,5% em julho, enquanto os gastos reais com o consumo se mantiveram inalterados em agosto depois de cair 0,5% em julho.

Os dados sobre a habitação também são fracos, com queda acentuada no número de solicitações de hipotecas e a continuação da queda, ainda que em ritmo mais moderado, nos preços das casas.
A maioria dos economistas antecipava que a atividade econômica deixasse de crescer no segundo semestre, devido à perda do efeito das restituições de impostos do governo Bush e ao crescimento mais fraco no exterior. Mas o ritmo de declínio vem se provando mais abrupto do que eles esperavam.
"Aquilo que antes representava o cenário pessimista nas análises agora se tornou a versão provável", diz Richard Berner, co-diretor mundial de economia mundial no Morgan Stanley. "E continua a existir uma probabilidade significativa de riscos adicionais."

Esse risco adicional seria o perigo de que o desgaste intenso que o sistema financeiro sofreu de setembro em diante venha a interagir com a debilidade macroeconômica anterior, e as duas tendências venham a se alimentar mutuamente criando uma espiral de queda.
Além disso, existe o perigo tradicional de que a fraqueza cada vez mais generalizada gere uma dinâmica recessiva clássica, sob a qual empresas e domicílios perdem a confiança e se reposicionam de maneira mais vigorosa do que os modelos econômicos prevêem.

A última ocasião em que os dados macroeconômicos se deterioraram com grande rapidez -por volta da metade do ano- levou o Fed a reagir de maneira decidida, com grandes cortes de juros, entre os quais um decretado no intervalo entre duas das reuniões regulares. Aos olhos de muitos observadores, os dados mais recentes também constituem caso fechado quanto à necessidade de novos cortes por parte do Fed.
Importantes membros do Fed ainda não chegaram a essa conclusão, mas estão considerando a possibilidade. Estão abertos a cortar juros mas incertos quanto ao efeito disso no crescimento, e preocupados com o dólar e as commodities.

Caso o Fed decida por um corte, o argumento para que o faça na reunião é que novos indicadores econômicos talvez bastem para convencer os incrédulos. Mas, se desejar maximizar o impacto do corte, poderia decretá-lo entre duas reuniões regulares, na esperança de aplicar um choque que reanime os mercados de crédito.   (KRISHNA GUHA - Financial Times/Folha de S.Paulo-04.10)

 

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